hugo almeida rebelo

Os últimos resultados da equipa B do Sporting na Liga 2 expuseram, da forma mais clara possível, um problema que mora no seio deste conjunto desde o início da temporada.

O problema diagnosticado dá-se pelo nome de “défice organizacional”, e, atingiu o seu expoente máximo numa derrota expressiva (5-0) diante do Atlético Clube de Portugal, na última jornada da Segunda Liga nacional.

Em treze jornadas que o Sporting B disputou na Liga 2, já estiveram entre os convocados cerca de quarenta jogadores. Por entre este batalhão de futebolistas verificamos a existência de três tipos de atletas: os da equipa A, que não contam para Marco Silva, os excendentários para os quais não foi possível arranjar colocação, os jogadores realmente da equipa B e os jogadores que mais dão nas vistas nos juniores. Ora esta situação, obviamente, não deveria acontecer, e, terá de ser resolvida o mais rapidamente possível.

A equipa B terá de funcionar como um fase de transição entre a equipa de juniores e o plantel principal, e não como um depósito de jogadores em relação aos quais não há esperança. A irregularidade que se nota em cada onze inicial desta equipa, semana após semana, provoca uma total desmotivação nestes atletas, fruto de uma ausência de objectividade crescente. Perante esta situação começa-se a reparar na existência de muito talento estagnado nesta equipa B do Sporting, o que, a meu ver, é algo extremamente preocupante num clube que nos orgulha pelo grande sucesso da sua aposta na formação.

Apesar deste grande problema que aqui exponho, acredito piamente que haverá soluções que poderão ser executadas, com maior ou menor facilidade, já a partir de Janeiro, de forma a poder respirar-se saúde no Stadium Aurélio Pereira, a saber:

Solução nº 1- A mudança de treinador. A época começou com Francisco Barão como treinador, mas cedo se percebeu que, apesar do seu sportinguismo, não seria, nem por sombras, o nome indicado para liderar esta equipa. A solução foi João de Deus. Sinceramente também não me parece a solução mais viável, pois João de Deus não possui cultura de Sporting nem nunca deu provas sequer de poder representar com sucesso a maior instituição desportiva do nosso país. O homem indicado para este lugar terá de ser alguém que transmita com facilidade a estes jovens o que é o Sporting, o que significa representar este clube e que lhes mostre o orgulho e o espírito leonino. O homem ideal? Sem dúvida, Ricardo Sá Pinto. Porém, como sabemos, Ricardo “Coração de Leão” está a fazer um bom trabalho no Atromitos na Liga Grega, pelo que o seu regresso para comandar a equipa B seria praticamente impossível. Perante esta impossibilidade o nome de Pedro Barbosa parece-me encaixar-se que nem uma luva neste papel. O antigo capitão leonino tem o curso de treinador concluído, e, melhor do que ninguém, sabe o que é a magia de representar e viver o Sporting Clube de Portugal.

 

Pedro Barbosa, a escolha acertada para liderar a Equipa B Fonte: SuperSporting.Net
Pedro Barbosa, a escolha acertada para liderar a Equipa B
Fonte: SuperSporting.Net

 

Solução nº 2- Os jogadores da equipa A são para ficar na equipa A e não para entupir o plantel da B. Jogadores como Ramy Rabia, Simeon Slavchev, Ryan Gauld, André Geraldes e Hadi Sacko, a meu ver, não deveriam integrar o plantel secundário do Sporting. Estes nomes foram contratados com o intuito de fazer parte da equipa principal dos “Leões”, logo, se quiserem fazer parte das contas de Marco Silva, terão de se esforçar mais para fazer valer o dinheiro investido nas suas contratações e merecerem uma oportunidade na equipa principal. Num plantel com cerca de 25 jogadores, como é óbvio, nem todos podem ser convocados. Os não-convocados terão de se contentar em ver o jogo na bancada e  não competir nesse fim-de-semana. A equipa B não é um abrigo para os excendentários. Caso não se veja capacidade nestes jogadores para assumir um papel activo na equipa principal, o empréstimo ou a saída definitiva terá de ser a solução. Gauld e Slavchev terão de rodar na Primeira Liga a partir de Janeiro, enquanto Geraldes foi uma contratação desnecessária e a porta da saída definitiva parece-me ser a solução mais viável. Já Rabia tem feito exibições desastrosas pela equipa B, porém, regressa de lesão grave, pelo que lhe deveremos dar o benefício da dúvida. O egípcio deverá ser integrado no plantel A, trabalhar afincadamente e esperar a sua oportunidade num plantel principal em que a qualidade da zona central da defesa não abunda.

 

Slavchev é um dos jogadores a emprestar Fonte: A Bola
Slavchev é um dos jogadores a emprestar
Fonte: A Bola

Solução nº 3- Os atletas que militam na equipa B há mais de 2 anos ou que depois de cedência temporária (a equipas primo-divisionárias) voltaram a integrar a equipa B terão de sair por empréstimo (se mostrarem qualidade para servir o Sporting) ou mesmo definitivamente (se não tiverem qualidade para representar o clube). A meu ver, na equipa B de um clube, nenhum atleta poderá jogar por mais de 2 anos, para evitar a estagnação da evolução do futebolista. Se por outro lado, o atleta já tiver sido emprestado a um clube de divisões superiores, não me parece que faça sentido a sua inclusão no plantel B do Sporting. No Sporting B existem alguns casos nestes moldes:

– Ricardo Esgaio está há 3 anos no plantel secundário do Sporting. Teve ao longo dessas 3 épocas algumas oportunidades na equipa A, porém, neste momento, encontra-se tapado devido ao regresso de Miguel Lopes. Trata-se de um grande talento do futebol nacional, e, sem dúvida alguma, que qualquer clube da Primeira Liga gostaria de contar com os seus serviços por empréstimo. É urgente colocar este rapaz a rodar ao mais alto nível. Ou isso ou estagnará.

– Nuno Reis, quase a completar 24 (!!!) anos de vida, passeia alternadamente desde 2010 pelo Sporting B, Cercle de Brugge e Olhanense. Várias vezes me questiono sobre se isto tem algum cabimento. Reconheço qualidade a este jogador, mas claramente estancou devido a tanto percalço no seu percurso. Este atleta acaba o contrato no final da presente época e não me parece que vá renovar contrato. Com quase ¼ de século de vida, não faz sentido este rapaz continuar na equipa B do Sporting. Se não é aposta, nem existe a intenção de renovar o seu contrato, dispensem-no.

– Seejou King cumpre a sua terceira época no plantel secundário do Sporting. O dinamarquês, de ascendência gambiana, deu muito boas indicações na sua primeira época no Sporting B (por empréstimo do Nordsjaelland) levando mesmo o clube a adquirir o seu passe. A partir daí foi sempre a cair. King desceu de qualidade na época transacta e este ano não tem sido aposta. Tem contrato até 2016, mas não me parece ter qualidade para servir o Sporting. Terá de ser dispensado o mais rápido possível.

– Mica Pinto é um jogador de inegável qualidade, presença assídua nas selecções jovens de Portugal, mas também já está parado na equipa B há 3 anos. Já não faz sentido. Mica tem qualidade para vir a integrar o plantel principal do Sporting, mas para isso tem de dar o salto e rodar a título de empréstimo numa equipa da primeira divisão. Interessados não vão faltar.

– Fabrice Fokobo é um estranho caso. De aposta de Jesualdo Ferreira na fatídica época de 2012/2013 (com alguma qualidade sempre que foi chamado), passou a um jogador apagado na equipa B do Sporting. Apesar da sua queda, parece-me que ainda pode sair algo deste jogador. A sua força bruta na posição de trinco pode ser uma boa arma para equipas que lutam para não descer na Primeira Liga.

– Iuri Medeiros, como todos já percebemos, tem um talento inato. Um talento grande demais para a Liga 2. Se tal ainda não fosse um dado adquirido, as suas exibições nos Sub-21 de Rui Jorge dissiparam todas as dúvidas. Tapado por Nani, Carrillo, Capel, Mané e Héldon, o jovem açoriano terá de rodar na principal liga nacional. Com a sua técnica, velocidade e repentismo, pode ser uma forte arma para qualquer equipa da Liga Portuguesa. A meu ver, um dos atletas que têm mais facilidade em arranjar colocação. Precisa de dar o salto urgentemente.

– Salim Cissé, no meu entender, foi uma contratação falhada. Está a entupir o plantel B do Sporting. Já se percebeu que não há colocação para este jogador pois a tentativa foi feita ao longo de todo o defeso, sem sucesso. Depois de um empréstimo inconsequente ao Arouca, penso que a solução passa por uma rescisão de contrato ou colocação definitiva a troco de percentagens de uma próxima venda.

 

Iuri Medeiros é um dos jovens leoninos a precisar de dar “o salto” Fonte: O Jogo
Iuri Medeiros é um dos jovens leoninos a precisar de dar “o salto”
Fonte: O Jogo

 

Soluções nº 4- Os jogadores com idade de júnior devem integrar a equipa júnior do Sporting Clube de Portugal. A evolução de um jovem jogador deve ser sustentada. Se existe talento na equipa B para quê estar a desfalcar a equipa júnior? Os melhores juniores terão a sua oportunidade na equipa B (ou mesmo A) na próxima época. Não existe necessidade de acelerar demasiado os processos. Trazer Gelson Martins ou Matheus Pereira para a equipa B deixa os juniores sem dois dos seus maiores trunfos, e mais vulnerável aos maus resultados que têm vindo a acontecer durante esta época. Ao contrário do que se diz, o Sporting não tem uma má equipa de juniores, mas precisa de consistência e estabilidade. Se estivermos constantemente a “roubar” os melhores juniores para a equipa B, continuaremos a perder com equipas fracas no Campeonato Nacional de Juniores e a ser goleados na Youth League. Tanto a equipa B, como a equipa de juniores, para atingirem bons resultados, precisam de um plantel fixo, sem constantes revoluções.

Gelson Martins vem jogando pela Equipa B e pelos Juniores Fonte: A Bola
Gelson Martins vem jogando pela Equipa B e pelos Juniores
Fonte: A Bola

Isto não pode acontecer no Sporting. É urgente dispensar, emprestar, criar um núcleo de cerca de 20 jogadores de equipa B (podendo em casos pontuais ser incluído um junior numa ou outra convocatória), e dar estabilidade à equipa sub-19 para que os resultados possam aparecer quer na B, quer nos juniores.

Temos a melhor formação do mundo. Temos de ter resultados e há condições para isso. As soluções para tal são óbvias, estão à vista, e não tenho dúvidas de que a competência da nossa direcção nos irá levar ao caminho correcto para que se elimine de vez este défice organizacional no seio da equipa B.

Comentários