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Dizem que o gosto pelo futebol é genético. Sempre desvalorizei um pouco este dito porque, afinal, dentro da irracionalidade que este desporto é, todos temos uma razão para apoiar o clube com que mais nos identificamos. A minha razão começou desde muito pequena, com uma pequena frase do meu avô: “ Filha, tens olhos verdes como o verde do Sporting, o verde do teu avô, quer dizer que devias ser sportinguista!”; com uma inocência pueril, aceitei o desafio proposto, sem ter noção da fatia que se iria tornar na minha vida.  Afinal, crescer com uma figura que realçava todas as proezas de Peyroteo e todos os feitos que havia conquistado nos seus tempos áureos no Sporting Clube de Portugal, era porque esta deveria ser uma equipa merecedora de apoio e reconhecimento.

Largos anos depois, e com as habituais brigas de irmãos de clubes rivais, comecei a perceber o motivo da irracionalidade: o gosto de poder gritar golo, os holofotes apontados a uma só bola pela qual a minha equipa derramava suor, sangue e lágrimas, para atingir o seu objetivo. Era com isso que me identificava, era esse o motivo pelo qual me sentia integrada num Sporting que levava a sua persistência até ao fim.

(In)felizmente, assisti ao meu primeiro jogo em Alvalade com 19 anos- como uma prenda de aniversário adiantada oferecida por outro grande sportinguista, o meu primo. Um primeiro jogo da Liga dos Campeões, com destaque para a vitória sobre o Schalke 04 por 4-2 (golos de Sarr, Jefferson, Nani e Slimani). Tive oportunidade de assistir a alguns jogos no estádio, no entanto nunca uma atmosfera me emocionou tanto como em Alvalade: começou fora do estádio, com os adeptos de ambas as equipas a conviverem num ambiente de festa, celebrava-se a alegria do futebol!  Já no seu interior, os cânticos da claque, a adrenalina que se sentia com o aproximar do jogo e até os protestos à UEFA, eram elementos que, por si só, iriam fazer desta uma noite memorável. Se um clube é grande pelos títulos que conquistou, é ainda maior com o apoio dos seus adeptos – e neste aspeto, o Sporting é um colosso mundial. Do primeiro ao último minuto, não houve um momento de silêncio. Ambiente convidativo a cantar também, a festejar e a apoiar a equipa, eletrizante o suficiente para não deixar ninguém quieto e calado no seu lugar. Recordo-me de me virem as lágrimas aos olhos no final: nunca tinha recebido uma prenda de aniversário tão fenomenal como esta, que deixou a sua marca por muitas semanas.

Jefferson festeja o segundo golo do Sporting, considerado o melhor do jogo Fonte: Sporting Clube de Portugal
Jefferson festeja o segundo do Sporting, considerado o melhor golo do jogo
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Numa altura em que a partida estava menos emotiva, reparo num senhor, idoso, sentado ao meu lado. Discutia sozinho sobre o meio campo leonino que, na sua opinião, não estava a funcionar como devia. Decidi comentar com ele alguns lances do jogo, o qual me surpreende com a afirmação “ que engraçado! Uma rapariga a falar de futebol!”. É assim tão estranho uma rapariga mostrar interesse por desporto e, principalmente, por este em particular? Longínquos vão os tempos em que o desporto-rei era apenas masculino. Longe vão também os tempos em que uma rapariga deveria ser correta no seu quotidiano, sem um rasgo de irracionalidade para o colorir.

A minha irracionalidade vem com o futebol, com o Sporting e com o que este nos proporciona. Ficámos o resto do jogo a comentar outros lances, a festejar efusivamente os golos e a praguejar, mais vezes do que devíamos, com os adversários.

Para mim, Sporting é isto. Sporting é irracionalidade, emoção e integração. Porque o Sporting é união , é novos e velhos, homens e mulheres. É um Sporting de todos.

Fonte da foto de capa: Sporting Clube de Portugal

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