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Desde muito cedo que consigo associar a minha infância ao grande amor que tenho pelo Sporting, assunto que já tive a oportunidade de partilhar e que me enche de orgulho. As tardes de fim de semana passadas em Alvalade e todos os sentimentos que aquele local me despertava. Da mesma forma que guardo o velhinho Alvalade no meu coração, existe outro estádio que me traz imensas recordações, nem todas boas confesso,  mas que ainda assim é especial.

O Jamor é um estádio único; velho, arcaico, mas cheio de histórias para contar e com um valor único. Tem uma magia singular, um toque de misticismo por de trás de todo a construção pesada e monocromática, e não consigo pensar em Final da Taça de Portugal sem a imaginar ali.

Mesmo antes de assistir pela primeira vez a uma Final da Taça já ia para o Jamor. Lembro-me das manhãs passadas em Carcavelos na praia, seguidas de piqueniques na Mata do Jamor, de ir passear para as bancadas, sem nunca ter tido a coragem de descer e pisar aquele relvado.

Os anos foram passando, e depois de ter visto o meu pai ir à final frente ao Marítimo e  Benfica, a primeira vez que consegui convecê-lo a ir com ele foi em 2000. O Sporting, coroado finalmente campeão nacional, perdeu com o Porto por 2-0, na última vez que foi disputada uma finalíssima. Nesse jogo, foi tudo o oposto do que deve ser uma final da taça, um jogo fraco, numa noite fria de quinta-feira, sem festa, sem horas de confraternização e pior ainda, sem a vitória leonina.

Dois anos depois, não fui à final em que o Sporting de Boloni venceu o Leixões. Mas passado uma semana tive uma pequena recompensa. Após um piquenique, “invadi” o relvado e recriei o golo de Jardel,rematando (em fora de jogo) sem hipóteses para um imaginário Ferreira.

Com a velhice vem a magia dum estádio único em Portugal Fonte: FPF
Com a velhice vem a magia dum estádio único em Portugal
Fonte: FPF

Em 2007 e 2008 foram duas vitórias sofridas mas justíssimas, lembro-me bem das emoções aquando do golo de Liedson frente ao Belenenses, num golo marcado perto do final da partida. A festa que se seguiu tanto no Estádio como à noite em Alvalade foram momentos perfeitos, inesquecíveis e de uma carga emocional enorma. No ano ano seguinte, Tiuí foi o heroí improvável duma tarde cinzenta. Confesso que tinha um sentimento mau para esse jogo, com esperanças diminutas face à ausência do “levezinho”, e todas essas dúvidas só me fizeram viver mais cada golo e a vitória final.

E por fim, o infâme dia Maio de 2012… Das derrotas mais dificeis de digerir, não pelo valor do adversário mas pura e simplesmente porque nesse dia o Sporting não jogou. Estavam 11 jogadores no relvado, mas que em momento algum foram dignos daquele jogo ou daquela camisola vestida. Foi um dia transvestido, que deve ser mostrado nos dias antes do Sporting entrar de novo naquele estádio, para que jamais se torne a repetir.

Mas o dia da final da Taça de Portugal não se resume aqueles noventa minutos, começa várias horas antes; às vezes até de madrugada. Com geladeiras e grelhadores, com porco no espeto e música a acompanhar. Com minis gélidas e bifanas a rodos, com um grupo de amigos que transformam aquele dia em lembranças, aquelas horas em momentos inesquéciveis, um sentimento de união, pertença, amor comum e de Sportinguismo. E por isso, já tenho saudades tuas (J)Amor.

Antes de terminar, gostaria de deixar aqui uma ressalva para que o que a Final da Taça deveria ser sempre. Porque mesmo nos dias bons pode acontecer algo mau, não me esquecerei nunca de Rui Mendes. De alguém que saiu de casa para ver um jogo do seu clube e que nunca mais voltou, pior ainda é o facto que passaram 19 anos desde a sua morte e ainda este ano vimos situações semelhantes acontecer em estádios portugueses, por isso digo: chega de imbecilidade.

Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

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