Universo Paralelo | Sporting CP alcança 16 avos da Taça de Portugal

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Ando à cata de histórias paralelas. Distópicas, utópicas, heterotópicas. Seja o que for. Penso que a maioria sabe que significado atribuir aos dois primeiros termos porque até são palavras que frequentam colunas assinadas por jornalistas, advogados, juristas, entre outros métiers conhecidos. Quanto à heterotopia, confesso que não me atrevi a pegar nos escritos de Foucault porque ando ocupado com outros literatos. Invejo quem consegue desdobrar a concentração em duas ou mais partes com a finalidade de se dedicar a intercalar livros – se o ato de ingerir alimentos ou ver o Sporting CP for considerado como passatempo, então também ascendo ao domínio – ou livros com outros hobbies.

Enquanto procuro, engendro pequenos exemplares da minha autoria. Alguns não se encontram compilados devido a divergências recentes com a editora responsável pelo escoamento. Este impasse agravou-se com a subida da taxa de inflação e das taxas de juro: como se já não bastasse, perdi todas as canetas e lápis de carvão que tinha cá por casa. O papel costumo reciclar diariamente e estou com o stock a zeros. Marcadores permanentes nunca fui grande fã. Acabei com o stock de papel (do higiénico à folha branca) e ando sem energia para nada faz três dias. A casa também parece estafada, bem como as tomadas elétricas. Pensei em fazer pinturas rupestres, porque tinta tenho de sobra, mas as paredes estão tão limpas que tenho pena de as incomodar.

Segue o último exemplar, devidamente ordenado.

“Fim de tarde chuvoso em Barcelos, terra do famoso galo. Uma pessoa estaciona o carro para ver o Varzim SC – Sporting CP para a Taça de Portugal e tem de andar quase 10 quilómetros. Isto é inaceitável.”

“São 17:00h da tarde. O jogo começa às 19h e estou completamente tranquilo porque jogamos contra uma equipa que nem profissional é. Estão na Liga 3. No caso de derrota, o que jamais acontecerá e sublinho jamais, valeu a pena ter vindo porque comi dois pregos no pão muito saborosos e fui importantíssimo no desmanchar das grades de Super Bock Stout.

Sporting
Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

“18:03 – O Esgaio hoje não joga. Temos ainda mais um argumento a nosso favor. Quer dizer, o Esgaio chegava para defrontar estes pedreiros. Mas o mister preferiu não o convocar e fez ele muito bem. Sempre ouvi dizer que um homem prevenido vale por dois. Joga o Porro. Aquela ala direita vai parecer uma autoestrada cercada pelas chamas na vegetação que a envolve.”

“18:37 – Pedro Gonçalves no banco e Paulinho no eixo ofensivo. Até considero uma decisão inteligente. Precisamos sempre de uma referência atacante, quer joguemos contra o Varzim ou contra o Marselha. Segurar o esférico, rodar e depositar o esférico nos flancos. A partir de lá, Trincão e Edwards fazem o que sabem e está feito. Rapidez nestes jogos é essencial. Sabe-se que as equipas mais pequenas, por vezes, vêm com o objetivo de emperrar o jogo. Adivinha-se uma cabazada”.

“18:40 – Sotiris e Morita no meio-campo. Dar descanso a Ugarte era prioritário. Ainda por cima, o Sporting hoje precisa exclusivamente de ter posse de bola. Para um jogo deste calibre, é estúpida a preocupação com as transições defensivas e com o estancar de outras investidas do adversário, matéria que é do agrado do internacional uruguaio. Na defesa, face às lesões de Coates, St.Juste e Neto, era o trio expectável. Nada a apontar. Ainda Nuno Santos na asa esquerda. Esqueci de mencionar no apontamento anterior.”

“19:30 – Ora aí está. Era o que eu tinha previsto. Meia-hora de jogo e a eliminatória está resolvida: Sotiris de fora de área abriu o marcador com um remate ao ângulo superior direito; numa jogada de envolvimento, a partir do flanco esquerdo, Edwards triangulou com Paulinho e, dentro de área, atirou a contar e F. Trincão, com um cruzamento teleguiado, encontrou o camisola 21 na grande área, que empurrou para o terceiro tento leonino”.

Francisco Trincão
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

“20:23 – Defensivamente, sem grandes preocupações. Franco Israel não realizou uma única defesa. As bolas paradas dos poveiros foram todas solucionadas e, a partir de algumas, resultaram contra-ataques perigosos. Em lances de bola corrida, nada digno de registo. Conta-se pelos dedos das mãos as vezes em que o Varzim SC transpôs a linha divisória.”

“20:30” – Fatawu, Pedro Gonçalves e Rochinha renderam Nuno Santos, Trincão e Edwards. Em poucos minutos, já se observaram jogadas interessantes da dupla Fatawu – Rochinha. Entretanto, Porro concretizou um livre direto e Morita finalizou uma jogada com 50 passes consecutivos. Uma mão-cheia de golos e um futebol por parte do Sporting agradável à retina.”

“Vencemos c******!”.

Para os 16 avos de final, prometo nova estória. Isto se ainda estiver à procura de obras paralelas.

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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