Académica OAF 1-0 FC Penafiel: Quartos pintados a negro

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A Académica partia para este encontro como uma das equipas que mais vinha a surpreender nesta edição da Taça de Portugal, depois de deixar para trás adversários de primeira como Belenenses e Feirense. Lidara bem com o papel de equipa não-favorita.
Desta vez, porque jogava perante os seus adeptos (ainda que não comparecessem em grande número) diante de uma equipa do seu campeonato, carregava aos ombros o favoritismo. Porém, uma eventual eliminação aos pés do Penafiel não deveria ser considerada escandalosa. É que se não fosse pela derrota dos rubro-negros diante do Santa Clara na jornada passada, estes ainda estariam à frente da formação dos estudantes na tabela classificativa da Liga 2.
A probabilidade de haver uma surpresa neste encontro, ainda para mais atendendo à boa organização defensiva de ambas as equipas era, portanto, muito reduzida.

Essas surpresas surgiram num onze academista com várias alterações. Para além da esperada troca de guarda-redes (José Costa, habitual titular na Taça, substituiu Ricardo Ribeiro e João Correia rendeu o castigado Nii Plange), Toze Marreco e Marinho ficaram no banco e deram o lugar a Rui Miguel e Ernest.
Uma troca de jogadores que, porém, não se fez sentir na forma de jogar da Briosa, dominadora na primeira metade dos 45 minutos iniciais do encontro. Diogo Coelho (de cabeça, atirou por cima, após canto de Makonda) e Rui Miguel (isolado por um passe fantástico de Traquina, picou a bola sobre Coelho mas saiu ao lado ), não conseguiram materializar o domínio em golos mas comprovaram-no com boas oportunidades nos primeiros 15 minutos do encontro.

O Penafiel tentou reagir, com saídas rápidas, mas ficou-se pelas intenções. e a Académica acentuava o seu domínio, voltando a criar perigo num lance de insistência após canto, que culminou com um pontapé acrobático de Makonda, na pequena área, travado por Coelho. O Penafiel, ao terceiro alerta, pôs-se em sentido e, depois de assentar posicionamentos, neutralizou a ofensiva estudantil tornando-se impermeável. Não atacava… nem deixava atacar. E foi preciso esperar até perto do final para voltar a haver perigo numa das balizas. Numa belíssima triangulação, Jimmy lançou Kaka no flanco direito, este atrasou para o coração da área, onde estava Traquina… o remate saiu ao lado.

Mancha Negra foi, mais uma vez, incessante no apoio à Briosa
Mancha Negra foi, mais uma vez, incessante no apoio à Briosa

No regresso dos balneários, apesar de Paulo Alves, treinador do Penafiel, ter tirado Rafa e colocado Wellington em busca de maior acutilância, manteve-se a toada de domínio academista, exibindo toda a qualidade no processo de construção ofensivo. Só faltava concluir. Ernest, por duas vezes nos primeiros quinze minutos (primeiro servido por Traquina, depois, numa iniciativa individual), tentou, mas a bola saiu fora da rota da baliza de Coelho.
Perante nula produtividade para tamanho esforço ofensivo, a Académica pareceu desanimar e caiu numa espécie de apatia que permitiu ao Penafiel subir no terreno. Os rubro-negros, patrocinados pela disponibilidade das suas alas e passividade do seu adversário, iam, agora, conseguindo ter bola fora do seu meio-campo, condicionando, também, a saída de bola contraria. Porém, também não criava lances de golo e isto fez com que a bola andasse separada das balizas …até ao minuto 83, altura em que Fábio Fortes, de cabeça, atirou à barra da baliza da Briosa. O estádio ficou calado, os jogadores da Académica sentiram o toque, e reagiram. 5 minutos depois, Marinho (entrado para o lugar de Jimmy), sob a direita, procurou o segundo poste e encontrou Ernest a rematar, de primeira, para o único golo do jogo.

O Penafiel não soube lidar com a adversidade e, até final, não conseguiu impedir a eliminação da Taça e a terceira derrota seguida. Cenário negro, muito negro. Negro como uma capa de estudante. Negro como as cores da Briosa, que chega ao sexto jogo seguido sem perder e segue em frente na Taça de Portugal, em direcção aos quartos-de-final.

Pedro Machado

Redação BnR
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