A CRÓNICA: DEPOIS DO EMPATE NA PRIMEIRA MÃO, GUERREIROS BATALHAM NA FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL

É a quarta vez que estas equipas se defrontaram na época. Depois dos encontros a contar para o campeonato e, também, para a primeira mão da prova, FC Porto e SC Braga duelaram, mais uma vez, e num jogo que determinava quem seria um dos finalistas da Taça de Portugal.

A primeira mão desta meia-final culminou num empate a um golo, no Estádio Municipal de Braga, empurrando todas as decisões para esta segunda mão no Estádio do Dragão. Para além da busca pela vitória e pela final da prova rainha, previa-se um jogo combativo e aguerrido entre os Dragões e os Guerreiros. Duas equipas com calendários carregados, com o desgaste físico dos jogadores mais que notório e também as variadas lesões que assolam cada um dos plantéis.

Com o objetivo do encontro bem vincado para cada um dos lados, começou a batalha. E não foi preciso muito tempo para se inaugurar o marcador no Estádio do Dragão. O encontro começou bastante ofensivo para ambas as equipas, pois, aos cinco minutos, já existia um remate para cada lado. A primeira grande oportunidade culminou em golo para o SC Braga. No seguimento de um cruzamento de Lucas Piázon e de uma bela jogada coletivo dos guerreiros, no lado direito da grande área portista, Abel Ruiz rematou para o fundo da baliza de Diogo Costa e marcou o primeiro golo da partida. Aos dez minutos, venciam os minhotos e estavam na frente do agregado da meia-final.

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Não havia descanso. Com o FC Porto a tentar empatar a partida, forçando o ataque, a formação de Carvalhal não deitava a vantagem por terra. Malang Sarr perdeu a bola que sobrou para Ricardo Esgaio, deu a Al Musrati que, com um passe nas costas da defesa dos Dragões, fez chegar a bola a Ricardo Horta e, com nota artística, assistiu para o bis de Abel Ruiz. Passaram apenas 14 minutos desde o apito inicial e o SC Braga vencia por 2-0.

Era um verdadeiro festival ofensivo do SC Braga, frente a um FC Porto que parecia adormecido. Na ofensiva seguinte ao segundo golo, Galeno rasgou pela ala esquerda fora, chegou ao centro dá área dos dragões e ainda conseguiu concretizar o crossbar challenge.

Sérgio Conceição precisava de reanimar os seus jogadores e fazer algo para que a equipa da Invicta criasse perigo na área adversária. Elaborou duas alterações em resposta aos dois golos sofridos, optando por um FC Porto mais atacante com as entradas de Mehdi Taremi e Zaidu.

À entrada para o jogo, os critérios relativos aos desgaste físico dos jogadores e o calendário pesado faziam transparecer que iria ser uma partida algo morna, mas as equipas demonstraram que subiram ao relvado do Dragão para praticar futebol.

O SC Braga aumentou a vantagem no marcador. Depois de uma falta à entrada da área a favor dos minhotos, Lucas Piazón pegou na bola e, de livre, fez o melhor que sabe. À entrada para a primeira meia hora, a equipa de Carlos Carvalhal vencia por 3-0.

Mas a vantagem de três golos foi sol de pouca dura. Numa transição ofensiva rápida, Otávio, depois de um cruzamento brilhante de Tecatito Corona, rematou em jeito para o fundo das redes de Matheus. Aos 31 minutos, lia-se um 3-1.

Começaram a ser sentidas no jogo as substituições elaboradas por Sérgio Conceição. O FC Porto tornou-se, efetivamente, mais ofensivo e também com algum critério no ataque. Faltava, apenas, o momento decisão ser mais assertivo.

A cinco minutos de terminar a primeira parte, o SC Braga viu-se reduzido a dez elementos. Cristian Borja foi admoestado com vermelho direto e teve de recolher aos balneários, depois de uma falta sobre Marega à entrada da grande área, para onde o maliano se dirigia sem oposição.

A segunda parte começou de feição para o FC Porto, falando a nível de pressão ofensiva. Logo no primeiro minuto, Moussa Marega juntou-se ao grupo do crossbar challenge, mas o lance acabou invalidado por fora de jogo. Apesar disso, mostrou que os Dragões continuavam vivos na luta pelo resultado e na busca pela final da Taça.

Otávio e Corona foram os donos e senhores das transições ofensivas dos dragões até então. Tanto um como o outro foram os jogadores que criaram as ocasiões de golo que o FC Porto arrecadou no início da segunda metade.

A imensidão ofensiva da formação de Sérgio Conceição foi dos elementos mais notórios na segunda parte. Não havia SC Braga na área dos Dragões, só dava FC Porto. E o golo que diminuiu a vantagem para apenas um golo não tardou em aparecer. Aos 75 minutos, depois de um grande cruzamento de Otávio, Matheus não completou a defesa. A bola chegou a Marega, que rematou para o fundo das redes sem dó nem piedade. O jogo estava quente, vivo e emotivo, como a Taça bem deve ser, especialmente num jogo que dava acesso a uma final.

Mas tudo terminou assim. Depois de um jogo com bastantes incidências na primeira parte e com um FC Porto bastante atrevido na segunda, o SC Braga carimbou a passagem à final da Taça de Portugal, depois de triunfar no Estádio do Dragão por 2-3 (agregado de 3-4 no juntar das duas mãos).

 

A FIGURA

Lucas Piazón – Não deixa indiferente quem gosta de futebol. A qualidade de Lucas Piazón é inegável e, jogo após jogo, transparece-o sempre. Com um golo saído da tela e influência em toda e qualquer construção de jogo por parte do SC Braga, Piazón foi um dos melhores reforços que os minhotos poderiam ter adquirido esta época, e conseguiu ser um dos principais razões para o apuramento para a final. Menção honrosa para Otávio Monteiro que, ainda a recuperar ritmo depois da lesão, foi um dos grandes influenciadores da construção de jogo e das ocasiões de golo do FC Porto.

O FORA DE JOGO

Malang Sarr – Esteve em campo durante 67 minutos, mas pareceu não estar quando era preciso. Sarr esteve num dia mau e não teve, particularmente, a melhor exibição que poderia ter. Os seus erros poderiam ter custado ainda mais caro ao coletivo do que aquilo que custaram. Menção (não tão) honrosa para Cristian Borja que deixou a equipa reduzida a dez elementos com mais de uma parte para jogar. 

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

 Sérgio Conceição deixou de lado o habitual 4-4-2 e optou por um 4-3-3, muitas vezes transformado num 4-2-3-1. Dadas as limitações físicas de Sérgio Oliveira (que acabaria a entrar na partida no decorrer da segunda metade), o treinador dos dragões teve de remodelar o onze em dois dos setores e, consequentemente, alterou o esquema.

Manafá, Pepe e Mbemba permaneceram nos seus lugares na linha de quatro defesas. Malang Sarr voltou ao onze inicial, enquanto Luis Díaz e Grujic voltaram a subir ao relvado como titulares, reformulando o meio-campo, em detrimento de Sérgio Oliveira. Na frente, e com os apoios de Jesús Corona e Otávio, aproveitando a largura do terreno, ficou Moussa Marega como único homem no setor mais avançado.

As duas primeiras substituições, elaborados após o sofrer de dois golos em 15 minutos, tiveram o objetivo de tornar o FC Porto mais atacante no jogo. Entraram Zaidu, lateral que se apresenta bastante subido no terreno, e Mehdi Taremi, que dificultava a primeira fase da construção de jogo por parte dos minhotos, e que transparecia um novo ar ao setor avançado dos dragões.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (6)

Wilson Manafá (6)

Pepe (6)

Malang Sarr (4)

Chancel Mbemba (5)

Grujic (5)

Matheus Uribe (6)

Luis Diaz (6)

Otávio Monteiro (7)

Jesús Corona (7)

Moussa Marega (6) 

SUBS UTILIZADOS

Zaidu Sanusi (5)

Mehdi Taremi (6)

Sérgio Oliveira (6)

Francisco Conceição (6)

Evanilson (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

Carlos Carvalhal, que assumiu, em antevisão, que o SC Braga se ia apresentar como uma equipa organizada, voltou ao 4-2-3-1, com os laterais bastante subidos no terreno, mas moldável num 4-4-2 quando em transições defensivas. A guarda da baliza ficou à conta de Matheus, como o habitual. A linha defensiva composta por quatro defesas com Raúl Silva e Tormena na zona central, a par de Ricardo Esgaio e Borja nas laterais. Este último, encarregue de também ocupar a zona central nos momentos defensivo, atuava como lateral esquerdo na construção de jogo e também nas transições ofensivas.

Encarregues do meio-campo ficaram o veterano Fransérgio e Al Musrati, fazendo a ligação entre setores na construção de jogo. Piázon, Ricardo Horta e Galeno seriam os homens mais avançados no meio-campo e incumbidos de servir o ponta de lança, Abel Ruiz. Este último baixava bastantes vezes no terreno para ajudar na construção e nos momentos defensivos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (6)

Borja (4)

Raúl Silva (6)

Tormena (6)

Ricardo Esgaio (6)

Fransérgio (6)

Al Musrati (7)

Lucas Piázon (8)

Galeno (6)

Ricardo Horta (6)

Abel Ruiz (5)

SUBS UTILIZADOS 

Bruno Rodrigues (6)

Sporar (5)

Zé Carlos (-) 

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Não foi possível fazer perguntas ao técnico do FC Porto, Sérgio Conceição.

SC Braga

Não foi possível fazer perguntas ao técnico do SC Braga, Carlos Carvalhal.

1 COMENTÁRIO

  1. Excelente texto mais uma vez.
    Duas pequenas correções: No segundo golo do Braga, é o Piazón que recupera e dá para o Musrati e o lance que vai à barra é o Abel Ruiz a fazer todo o corredor esquerdo e a rematar.

    Cumprimentos.

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