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Permitam-me que comece o artigo com a definição de heróis – pessoa de grande coragem ou autora de grandes feitos. Não o menciono por acaso, mas sim pelo que hoje a equipa do Caldas SC alcançou. Escreveu-se história. O jogo propriamente dito não foi um hino ao futebol, contudo todo o contexto que o rodeou tornou-o numa das mais bonitas páginas da história da cidade de José Malhoa e Bordalo Pinheiro. Para o clube e para toda a população.

O início prometeu um jogo intenso e sem que nenhuma equipa arriscasse demais. O critério no passe e na hora de subir linhas definiu os primeiros quinzes minutos da partida. O Farense mostrava-se ligeiramente mais forte, mas sem conseguir concretizar em lances de perigo para a equipa caldense. O maior motivo de destaque na primeira metade foi mesmo o elevado número de faltas que ambas as equipas cometeram. A tarefa não estava fácil para o juiz do encontro.

O Intervalo chegou e com ele veio a mudança. Ainda a segunda parte estava a começar quando Livramento aproveita um cruzamento de Leo Tomé na esquerda e, após indecisão na defesa caldense, e de cabeça, inaugura o marcador. 47 minutos e o jogo ganhava nova vida. A equipa de José Vala precisava de ir à procura do empate. Subiu as linhas e de forma ainda que algo cautelosa conseguia pressionar a equipa de Faro. O golo acabou por surgir passados poucos minutos. Após um cruzamento venenoso de Filipe Ryan, o jovem Nuno Januário aparecia junto ao segundo poste para empatar a partida.

Se o empate animou a equipa e os adeptos caldenses, rapidamente a situação se alterou. Apenas quatro minutos depois da equipa da casa empatar o jogo, Jorge Ribeiro fazia uma bela assistência para Livramento que, na cara do guardião caldense, picou a bola num bonito gesto técnico. Minuto 60 e o Farense voltava à vantagem no marcador.

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O Caldas voltava ao ataque. Embora tenha feito mais remates que a equipa do Farense, o desacerto na hora do remate fazia crer que o desfecho seria favorável à equipa do sul. O tempo corria contra a equipa sensação da Taça, até que ao minuto setenta, e a confirmar o ditado de que velhos são os trapos, aparece o experiente avançado Pedro Emanuel e empata de novo a partida. Após um primeiro cabeceamento ao poste por parte do médio Paulo Inácio, Pedro Emanuel aproveita o facto de o ressalto ter ido para perto de si e cabeceia para o fundo das redes. O campo da Mata animava-se e o prolongamento era cada vez mais uma possibilidade.

Assim foi. O árbitro sinalizava o final dos noventa minutos e a partida seguia para mais trinta minutos.

O campo da Mata encheu uma vez mais para acolher o jogo da Taça de Portugal Fonte: Facebook oficial do Caldas SC
O campo da Mata encheu uma vez mais para acolher o jogo da Taça de Portugal
Fonte: Facebook oficial do Caldas SC

O início do prolongamento antevia mais trinta minutos de emoção. O cronómetro marcava os 96 minutos e Luís Paulo salvava o Caldas – duas enormes intervenções consecutivas a evitar o golo dos visitantes. No minuto seguinte, o capitão do Farense Neca era expulso por acumulação de amarelos e o jogo tornava-se favorável à equipa caldense. Com um jogador a mais, a equipa geria o encontro e sem arriscar em demasia tentava evitar as grandes penalidades. O Farense substituía Livramento, autor dos dois golos da equipa, e entrava na equipa mais um médio de características defensivas. A principal missão para a equipa líder da série E do CNS tornava-se principalmente defensiva, abdicando de atacar com muitos homens.

Porém, e quando já toda a gente pensava na decisão nas grandes penalidades, o Caldas adiantava-se pela primeira vez no jogo. Aos 115 minutos, Pedro Emanuel aproveita um mau corte da defesa da equipa de Faro e, apenas com o guarda-redes para a frente, atira para o golo. A equipa das Caldas estava na frente do marcador, o que até ao final do encontro não se alterou. A equipa do Caldas fazia história e garantia pela primeira vez o passaporte para as meias finais da prova, algo inédito para o clube.

A frase que durante toda a partida se fez ouvir: “Nós queremos o Caldas no Jamor” começa a fazer sentido, e só não acredita quem não presenciou o ambiente em que o velhinho Campo da Mata se tem tornado nos jogos da Taça de Portugal. O Caldas segue na prova, deixando para trás um adversário de enorme qualidade. Facto que se comprova com a campanha que a equipa do Farense está a fazer no seu campeonato. Em quinze jogos conta com treze vitórias, um empate e uma derrota.

Não foi possível efetuar questões na conferência de imprensa aos técnicos das duas equipas.