Houve sorteio na Cidade do Futebol, em Oeiras, para emparelhar os oito clubes ainda participantes da Prova Rainha e estão previstos embates equilibrados, à excepção de quem o destino ordenou calhar com os grandes favoritos, Benfica e Porto.

15 anos depois, há caminho aberto para haver Clássico na final do Jamor. Os dois gigantes não se podem queixar do sorteio, mas falar de Taça de Portugal é divagar sobre as grande glórias dos tomba-gigantes e a edição deste ano parece pródiga em equipas dessa estirpe.

Para os lisboetas, esperam em fila o Rio Ave e o vencedor do jogo entre Paços de Ferreira e Famalicão, num caminho 100% de Primeira Liga e que impedirá os encarnados de distracções supérfluas baseadas em nomes ou reputações.

O FC Porto pode, sim, sentir-se mais relaxado e confiante das suas capacidades, porque vem aí o Varzim – ávido competidor da II Liga-, e quem sair vivo do braço-de-ferro entre Académico de Viseu e Canelas 2010.

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Há, portanto, um optimismo generalizado nos adeptos dos grandes, apesar de isso pouco se reflectir nas palavras dos seus porta-vozes. O vice-presidente benfiquista Domingo Almeida Lima fala em «adversário valioso» e reconhece as suas qualidades, lembrando a eliminação aos pés do Varzim, em 2007, como aviso: « …esperamos que não aconteça o mesmo que em 2007, onde fomos eliminados. São dois clubes da Liga, que se respeitam e tudo vão fazer para ultrapassar esta eliminatória. Final? Qualquer clube tem essa ambição.»

Do lado portista, Fernando Gomes sublinha a amizade entre os dois clubes e antevê uma partida disputada sob grande rigor: «Estamos perante a nossa filial número 1, mas, como se diz, amigos amigos, negócios à parte. Respeitamos o Varzim como o Benfica ou o Sporting, mas temos desde o início o compromisso de vencer uma prova que nos diz muito. Temos de ser altamente responsáveis e assim poderemos passar»

O Rio Ave tem grandes ambições na prova e a viagem até ao Estádio da Luz é um teste imenso às capacidades da equipa. Depois das patetices do apito na Taça da Liga, que levaram Carlos Carvalhal a choque emocional em directo, a equipa deverá ter mais um motivo para se unir e alcançar todos os objectivos propostos. A ideia será repetir a final de 2014 e o presidente a isso aponta: «O Jamor é um dos nossos objetivos. Uma coisa é certa, não temos nada a perder e o vencedor que seja o Rio Ave».

Depois do 2-0 para a Primeira Liga, espera-se novo encontro cheio de bom futebol na Luz
Fonte: Bola na Rede

Na Póvoa, é notória a ligação dos dois clubes, num encontro entre vizinhos e companheiros, embora exista plena noção da diferença qualitativa, como explica Edgar Pinto, presidente do Varzim: «O favoritismo pesa muito a favor do FC Porto, clube com que simpatizo. Somos realmente a filial número 1, mas não temos tido uma relação assim tão próxima como desejávamos. Espero que seja um convívio fraterno e que o Varzim, apesar do favoritismo do FC Porto, consiga fazer a gracinha»; um «atrevimento» por parte da sua equipa. Enaltece ainda que «o futebol também é isso».

Existe, portanto, noção das dificuldades e do azar a quem calhou em sorte aos favoritos e sentimentos díspares daqueles que inundam as mentes dos outros competidores. No Fontelo, casa do Académico, a alegria é contagiante e as esperanças muitas. Depois de igualarem o recorde de duração na prova – os quartos de final de 1978-79 – os viseenses esperam avançar até às meias-finais, e têm todas as condições para o fazer. Depois de Rabo de Peixe, Real SC, CD Feirense e GD Chaves, o Canelas parece osso fácil de roer.

O mediático clube da zona do Porto foi representado no sorteio por Fernando Madureira, que assumiu a intenção de avançar na prova e defrontar o clube do seu coração:  «Não foi o sorteio que desejávamos (Académico de Viseu), mas teremos que lutar para depois conseguirmos, jogadores do Canelas, e eu, em especial, cumprir um sonho de criança, que é jogar no estádio do Dragão».

Quanto ao outro duelo, opõe as duas equipas primodivisionárias que transitaram este ano da Ledman Liga Pro. O Famalicão está a fazer um bom início de temporada e recolhe algum favoritismo para o embate na Mata Real, factor que o Paços de Ferreira poderá aproveitar para equilibrar a balança e tornar o desfecho a seu favor.

Os jogos dos quartos-de-final disputam-se entre 14 e 16 de Janeiro e os jogos da primeira mão das meias-finais serão jogados logo em Fevereiro.

Foto de capa: Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes