Para aqueles que gostam de a tratar pelo nome, este ano as hipóteses são poucas: Primeira Liga, Primeira Divisão, Liga Portuguesa ou Campeonato Português. É impossível passar ao lado da falta de um patrocínio principal, assim como da (não) eleição de Mário Figueiredo. A Liga – denominação mais simples possível – começa amanhã com o FC Porto-Marítimo e não há como contornar o caos. Resta-nos pegar no comando e… Carregar no botão.

Há muitos anos, ainda nos tempos do meu ‘velhinho’ FIFA 2004 – que marcou o início das minhas aventuras em jogos de vídeo -, a Galp dava um passo em frente apoderando-se de parte do logótipo da competição. Já antes haviam existido algumas alternativas e, nos anos seguintes, também a Bet and Win (depois Bwin) e, mais recentemente, a Sagres e a ZON aproveitaram a disponibilidade da competição portuguesa, fornecendo-lhe assim um importante apoio financeiro.

Para 2014/15, e depois de toda a polémica em torno de Mário Figueiredo e da sua (‘des’)eleição, não há qualquer registo de apoios a nível de naming sponsor. “Não há grandes diferenças” pode-se afirmar após breves instantes. No entanto, não é bem assim: o desporto, mesmo o futebol, não passa ao lado da crise financeira e a Liga Portuguesa irá sofrer com a falta de apoios. Para se perceber o quão importante é um apoio a este nível (e não só, visto que também o secundário pecará pela falta de um main sponsor), basta revermos os casos dos escalões equiparados em Inglaterra (Barclays Premier League) e Itália (Serie A TIM), onde não faltam naming sponsors.

O futebol português continua num bom momento e a nova época promete, com a chegada de grandes nomes a equipas da primeira divisão. Sendo assim, o que levará as grandes empresas a afastarem-se da entidade? Toda a polémica em torno de Mário Figueiredo, sem margem para dúvidas. Primeiro eleito, depois ‘atacado’ e, por fim, destronado, chegou tão depressa quanto abandonou (e destruiu) o barco. Afinal, quem confiaria numa organização/evento cuja representação não se apresenta sólida e estável? Eu não.

Mário Figueiredo, a (infeliz) figura do verão  Fonte: http://futebolportugal.clix.pt/
Mário Figueiredo, a (infeliz) figura do verão
Fonte: http://futebolportugal.clix.pt/

Serão estes os únicos problemas? Não, infelizmente não.

Anúncio Publicitário

A falta de um naming sponsor e os problemas verificados nas eleições são mais do que suficientes para instaurar o caos em vésperas do começo da mais prestigiante prova futebolística disputada anualmente no país – mas infelizmente não são os únicos.

A SportTV e a Benfica TV, estações que transmitem a totalidade dos jogos do campeonato, afirmam não ter recebido quaisquer propostas vindas da RTP, da SIC ou da TVI por um jogo semanal. Assim, o futebol português encaminha-se para mais um ano em que muitos dos lares onde residem milhares de amantes do futebol não podem assistir a um único encontro.

Não existir uma única estação televisiva de sinal aberto que partilhe com centenas de milhares de pessoas e de casas um único encontro da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (pelo segundo ano consecutivo!) significa privar esses mesmos seguidores de uma noite de futebol. Essa noite, para muitos e muitas, afigurava-se como elo de ligação ao futebol e à cultura futebolística portuguesa.

Assim, dá-se um passo atrás e o futebol português fica mais pobre. Perde espectadores, perde elos de ligação, perde parte da festa. Não há presidente, a estrutura económica é duvidosa e, agora, todos aqueles que ainda assim acreditavam vêem-se forçados a esforços impensáveis caso queiram prolongar esta longa relação de paixão. Caso contrário, chegarão ao final dos 90 minutos derrotados.