O Prémio Talento do Mês Bola na Rede referente ao mês de janeiro de 2026 já foi entregue. Alioune Ndoye, ponta de lança do Vitória SC, foi o jogador distinguido com um galardão que premeia o bom mês do senegalês.
Quem é Alioune Ndoye?


Janeiro foi o mês de Alioune Ndoye e não foram precisos muitos minutos do avançado em campo para o saber. Mas já lá vamos. Alioune Ndoye nasceu no dia 5 de outubro de 2001 em Rufisque, uma cidade costeira do Senegal.
Foi no Senegal que o jogador começou a dar os primeiros passos no mundo do futebol e que despertou a atenção de olheiros de um clube da Letónia. Em 2020, o modesto Valmiera jogava as qualificações da Europa League e fazia chegar um jovem, então com 18 anos, para reforçar o ataque.
O percurso do emblema letão na prova foi curto, feito apenas ao nível das pré-eliminatórias, mas o avançado foi crescendo. Na companhia de nomes como Tolu Arokodare (agora no Wolverhampton) e do português Jorginho, agora no Maia Liadador, o avançado somou três golos em oito jogos na época de estreia.
Pelo Valmiera foram cinco temporadas, muitos golos e um título. Em 2022, o clube sagrou-se campeão na Letónia. Verdadeiramente, o fenómeno goleador do avançado fez-se sentir em 2024 quando, em apenas 34 jogos, marcou 22 golos e deu três a marcar. A recompensa chegou da Suíça e o avançado deu o primeiro salto na carreira.
A segunda metade da última temporada foi jogada pelo Servette e traduzida em seis golos em 15 partidas. Bons números novamente do avançado que, como desconhecido, chegou a Portugal no verão. O Vitória SC pagou 700 mil euros pelo senegalês que, aos 24 anos, já tem a transferência paga. Depois dos golos na Taça da Liga e do regresso dos troféus a Guimarães, após duas reviravoltas com a marca de água do avançado, Alioune Ndoye converteu-se num herói da cidade e do clube.
Janeiro em números
- Jogos: 6
- Golos: 3
Como joga Alioune Ndoye?


Depois dos dois golos que viraram a eliminatória contra o Sporting nas meias-finais da Taça da Liga, Luís Pinto descreveu Alioune Ndoye.
«O Ndoye está nesse processo de adaptação e de aprendizagem do que é jogar dentro de área. Tem características genéticas fantásticas para jogar próximo da baliza, tem um jogo aéreo muito forte – apesar de não ter marcado hoje – e uma passada muito larga para sair rapidamente da marcação dos adversários. Há fases do jogo em que ele ainda não se consegue entrosar tão bem ou ser tão disponível para o jogo. Tudo faz parte da adaptação. Ficamos muito felizes por ele. Além de acreditarmos muito nele, é uma excelente pessoa. Quando se chega a um país novo e a um clube com a exigência do Vitória e se consegue construir o seu caminho passo a passo, diz muito do que é a personalidade dele», destacou Luís Pinto depois do jogo que começou a dar o estatuto de herói a Alioune Ndoye.
No jogo seguinte, o da final contra o Braga, Alioune Ndoye deu ouvidos ao seu treinador. Saltou do banco para responder a cruzamentos. Numa primeira vez, viu Hornicek travar-lhe o golo. Numa segunda, ninguém o parou e de cabeça marcou o golo da vitória vimaranense, que Charles viria a confirmar.
Esta é de facto a sua principal arma. É um avançado muito responsivo dentro de área para definir lances de cabeça e para procurar a baliza. Tem na capacidade de vencer duelos contra os defesas e rapidamente procurar a finalização a sua maior arma.
Recentemente, Luís Pinto vaticinou um dos pontos onde Alioune Ndoye continua a ter de continuar a progredir: a capacidade associativa. Falar a mesma linguagem dos colegas é um desafio que o senegalês tem pela frente para se tornar mais que um super sub, capaz de destruir defesas adversárias mais cansadas e de se impor pela capacidade física. «O Ndoye tem melhorado muito na distribuição de jogo à equipa», são palavras que dão boas notícias nesse sentido.
Sem bola, e numa equipa que vive também muito do trabalho coletivo da pressão, Alioune Ndoye também se oferece ao jogo, com a mesma agressividade com que se movimenta no momento ofensivo. É, pela estampa física, um jogador fundamental em todos os momentos e consegue complicar decisões dos defesas adversários.
Como joga o Vitória SC de Alioune Ndoye?


Alioune Ndoye não é um titular indiscutível no vértice do ataque vimaranense. É Nélson Oliveira quem tem este estatuto pelas mais-valias que traz ao jogo coletivo e associativo do Vitória SC. Ainda assim, a possibilidade de jogar com dois avançados diferentes e de trazer características diferentes ao jogo tem sido chave na ideia de Luís Pinto para o Vitória SC.
Quem viu com atenção o início de temporada do Vitória SC, rapidamente se apercebeu das dificuldades do timoneiro vimaranense que demorou a conquistar a exigência dos adeptos do D. Afonso Henriques. Foi mais vítima que culpado, depois de uma época europeia histórica a que se seguiu uma pequena revolução no plantel. Ainda assim, e volvida mais de meia temporada, são mais claras as ideias dos vimaranenses.
A equipa continua a manter alguma da estrutura camaleónica com que foi iniciando a época, mas ganhou bases e padrões que se foram estabilizando e permitindo o crescimento coletivo. Essencialmente, diferencia-se pela capacidade de montar pressões e de impedir que o adversário consiga ter conforto nos jogos. Sabe jogar a todo o campo, mas também consegue, quando necessário, baixar e colocar os defesas de frente para o jogo, num bloco mais baixo.
Com bola, ganhou criatividade pela conjugação de perfis individuais capazes de acrescentar neste sentido. À irreverência dos extremos, junta-se a capacidade de os médios criarem e construírem, preferencialmente com campo aberto. Há envolvência e capacidade de chegada desde trás e, nos últimos jogos, um papel cada vez mais importante dos laterais para construir vantagens.
Resultados em janeiro
- Vitória SC 2-1 CD Nacional
- Vitória SC 2-1 Sporting
- Vitória SC 2-1 Braga
- Vitória SC 0-1 FC Porto
- Estoril Praia 4-2 Vitória SC
- Vitória SC 1-0 Moreirense
Alioune Ndoye na 1.ª pessoa
Lê toda a entrevista de Alioune Ndoye ao Bola na Rede.
«Estou muito feliz por receber o prémio de melhor jogador de janeiro. Este mês foi incrível, muito bom. Vencemos a Taça da Liga, todas as pessoas do clube estão felizes e eu também, ainda por cima depois de ser reconhecido com este prémio».
O Prémio Talento do Mês Bola na Rede
O Bola na Rede está atento ao melhor do desporto nacional, em particular o futebol. O antigo Prémio Revelação passa agora a chamar-se Talento do Mês. Desta forma, deixa de distinguir apenas jogadores emergentes e passa a premiar qualquer atleta que se destaque ao longo do mês, independentemente da idade ou fase da carreira.
A nova designação torna o prémio mais abrangente e coerente com a realidade competitiva desportiva. Assim, o Bola na Rede vai procurar premiar os desportistas capazes de brilhar nos mais diversos palcos de Portugal e, quiçá, do mundo.



