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Olheiro BnR | Alioune Ndoye

João Pedro Santos · 2 min

Alioune Ndoye Vitória SC
Foto: Paulo Ladeira / Bola na Rede

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No ano de 2001, a cidade senegalesa de Rufisque foi o berço do mais recente herói da cidade berço. A pequena cidade nos arredores de Dakar viu crescer Alioune Ndoye, que nasceu para o futebol no Teungueth FC, clube local que chegou a ser presidido pelo seu pai.

Com apenas 18 anos, decidiu-se por uma mudança radical de cenário ao assinar pelo Valmiera, emblema da segunda maior cidade da Letónia. A sua adaptação ao futebol do báltico não foi fácil nem célere e, apesar de se ter sagrado campeão da Letónia em 2022, só em 2024 deu o salto que os responsáveis do clube esperavam. O ponta de lança apontou 22 golos em 34 jogos, começando a despertar as atenções de clubes mais “centrais” no panorama europeu.

Alioune Ndoye
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Em janeiro de 2025 juntou-se ao Servette, da cidade suíça de Genebra, por empréstimo. Apesar dos seis golos apontados nos 15 encontros que disputou numa liga bem mais competitiva (muitos como suplente utilizado), o emblema helvético decidiu não investir na compra definitiva do avançado.

Os olheiros do Vitória SC viram uma oportunidade e entraram em ação. No verão de 2025, 700 mil euros foi o valor necessário para trazer Alioune Ndoye da Letónia para a cidade de Guimarães. O camisola 90 dos conquistadores tem 1.91m de altura e um poderio físico que lhe dá vantagem nos duelos, quer aéreos quer ao nível do relvado. Tem ainda alguma dificuldade a segurar a bola em zonas avançadas do terreno, preferindo um estilo de jogo mais direto, em que se possa manter de frente para a baliza adversária.

Não sendo extremamente rápido, tem uma passada larga e mobilidade surpreendente para alguém com o seu porte, conseguindo muitas vezes ganhar posição em bolas colocadas sobre a defesa. O futebol associativo é algo que pode melhorar e que depende muito da sua adaptação à equipa e ao campeonato português, que claramente ainda está em progresso.

Na final-four da Taça da Liga, mostrou que o peso dos jogos grandes não é um problema. Nos “apenas” 25 minutos que jogou, apontou três golos e resolveu os dois encontros a favor do clube vimaranense. Na receção aos dragões, fez apenas o seu terceiro jogo como titular na Primeira Liga, algo que torna ainda mais significativa a sua margem de progressão.

Sem qualquer internacionalização pelo Senegal, Ndoye não foi considerado nas escolhas do campeão da CAN. Ficou a ganhar o Vitória, que pôde contar com as exibições decisivas do ponta de lança para garantir o seu primeiro troféu desde 2013. Luís Pinto, técnico da formação minhota, elogiou as características físicas do senegalês e, acima de tudo, a sua personalidade, realçando que tem feito tudo para se adaptar e ganhar gradualmente o seu lugar na equipa.

Alioune Ndoye já é claramente uma aposta ganha por parte do Vitória SC. Com mais tempo de jogo e a confiança que surgirá naturalmente com as oportunidades aproveitadas, poderá mesmo assumir um papel chave no ataque às posições de qualificação para as competições europeias

João Pedro Santos

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