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Raúl Jiménez: Um investimento seguro

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Certo dia, a meio da manhã, deu-me a fome e, em jeito autómato, entrei no café mais à mão para pedir uma empada de galinha e um sumo gaseificado. Paguei 2,20 euros pela bucha que, em princípio, daria para enganar o estômago até à refeição seguinte. O problema, porém, é que o dito folhado, tão económico e funcional, deveria estar na montra há pelo menos duas semanas, facto comprovado, de certa forma, pelos sintomas resultantes da sua ingestão. Concluindo: o estômago não se deixou enganar e ainda se vingou brutalmente, encerrando para obras e condicionando, por largas horas, outras funções corporais essenciais. Foram, por isso, 2,20 euros que me saíram bem caro.

Coisas destas acontecem periodicamente. Quem nunca teve de comprar duas torradeiras de 30 euros (visto que a primeira avariou numa semana), ao invés de somente uma de 50, tendo em vista uma poupança teórica rapidamente dissipada? Por vezes, e esta é bem antiga, o barato sai caro e no futebol, no que à contratação de treinadores e jogadores diz respeito, essa máxima permanece válida e actual – já o dizia José Mourinho sobre os jovens jogadores: “são como melões. Só quando tu abres e provas o melão é que tens cem por cento certeza que o melão é bom”.

Raúl Jiménez não custou 2,20 euros; custou 22 milhões de euros. São muitas torradeiras; e ainda mais empadas de galinha. O seu preço é exorbitante para a realidade portuguesa, até mesmo a do futebol, por vezes tão alternativa comparativamente com as restantes. No entanto, a sua rentabilidade, ainda que somente feita em géneros (em golos marcados, entenda-se), deve saldar-se muito positivamente. Os seus golos têm significado muito mais que um simples golo, ou sequer apenas mais uma vitória – Raúl Jiménez tem tirado da cartola, perdão, do sombrero, verdadeiras sentenças competitivas, fatais para o adversário. O mexicano carrega sempre consigo o guião certo para um final feliz.

Os dias (até sábado) custam cada vez mais a passar Fonte: SL Benfica
Os dias (até sábado) custam cada vez mais a passar
Fonte: SL Benfica

Há coisas que não têm preço – deixo o conselho aos meus vizinhos, que o não sabem ou, provavelmente, o foram esquecendo com o tempo. O investimento em Raúl Jiménez é naquilo que nos faz sair de casa, cantar e dançar em comunhão com um mar de gente, que nos faz abraçar e beijar desconhecidos noite dentro em nome de um amor comum e irreprimível e indescritível. Perante este investimento, compreendo a estranheza por parte dos nossos rivais. De facto, custa caro ter 22 milhões sentados no banco de suplentes parte significativa da época. Porém, em comparação, vejam o preço a pagar por terem, em alternativa, um Depoitre ou um Castaignos.

P.S.: de resto, espero que Raúl Jiménez tenha a oportunidade de mostrar no Benfica toda a plenitude do seu valor, já na próxima época, antes do clube trocar o valor em géneros que o jogar nos dá, pelo valor monetário que por ele nos darão.

Foto de Capa: SL Benfica

Olheiro BnR – Thomas Delaney

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Depois de ter sido um dos esteios da boa campanha europeia do FC Copenhaga (o FC Porto que o diga), foi colocado no radar de vários clubes. Escolheu a Bundesliga e o Bremen, onde encontrou um futebol com semelhanças físicas ao do dinamarquês, mas com uma competitividade muito maior.

Delaney não tremeu e pegou, de estaca, um papel fundamental no coração dos adeptos do Bremen e no 3x1x4x2 de Alexander Nouri, assumindo responsabilidade na subida classificativa dos verdes do 16º (que ocupavam quando chegou) para o atual 8º posto.

A chegada do dinamarquês de 25 anos trouxe serenidade e compromisso posicional a um meio-campo que há muito reclamava por ele. O Bremen foi deixando de golos à medida que Delaney se ambientava ao esquema e dinâmicas da equipa – até à sua chegada, só por uma vez não tinha sofrido; com ele, não sofreu em 5 dos 11 jogos que disputou.

O tal compromisso posicional é assente na forma ampla como observa e gere o espaço que tem em seu redor. Não tem problemas em pedir mais pressão sobre o portador da bola aos colegas da frente, apoiando-os nesse momento, sem nunca descurar aquilo que tem nas suas costas, isto é, a aproximação da linha defensiva ao elo de ligação (ele) entre esta e o meio-campo.

Delaney assinou exibição de sonho frente ao Freiburg Fonte: Rp-Online.de
Delaney assinou exibição de sonho frente ao Freiburg
Fonte: Rp-Online.de

A inteligência tática que possui e a posição recuada que ocupa no terreno não o inibe, porém, de atacar. Fá-lo com qualidade, e muitas das vezes passa é ele que descobre a porta de saída para o ataque, com passes longos.

Para além de saber assumir a construção ofensiva, também a sabe integrar, e não são raras as vezes que visa as redes contrárias, aparecendo a aproveitar segundas bolas à entrada da àrea ou a fazer uso do jogo aéreo. Que o diga o Friburgo, que, em Abril último, caiu no erro de deixar o corredor central descuidado e foi vítima de um hat-trick do dinamarquês (ainda fez uma assistência).

Delaney contribui, muito, para que o Bremen fizesse uma das melhores segundas partes de época de toda a Bundesliga, e aproximasse a equipa de um lugar, anteriormente considerado normal, de acesso às competições europeias.

Este ano já não o conseguirá, mas mantendo a disciplina tática conferida por Delaney, e um meio-campo em plena sintonia com as instruções do seu “coordenador defensivo”, o Bremen poderá muito bem lutar por um lugar que os adeptos reclamam como seu. Isto, claro, se o canto da sereia dos grandes clubes europeus não o tirar do nordeste alemão.

Foto de Capa: kreiszeitung.de

Juventus 2-1 AS Monaco: Ciao Cardiff!

Cabeçalho Futebol Internacional

Turim recebeu esta terça-feira a segunda mão das meia-final da Liga dos Campeões entre a equipa local, a Juventus, e o AS Mónaco. A primeira mão da eliminatória correu bem melhor à equipa agora visitada, uma vez que conseguiu sair de França com um resultado bastante positivo – 0-2, e que fazia prever para esta segunda mão a confirmação da sua passagem à final da liga milionária, frente à equipa sensação desta edição da Champions comandada por Leonardo Jardim.

Ainda antes de iniciar o jogo deve-se dar destaque à inclusão dos portugueses Bernardo Silva e João Moutinho na equipa inicial do Mónaco que se apresentou de início num 4-4-2 bastante diferente do 3-5-2 da Juventus, com o setor defensivo entregue ao BBC bianconeri – Barzagli, Bonnuci e Chiellini, e que já pôde contar com o médio alemão Khedira, que relegou Marchisio para o banco.

Foi o Mónaco quem primeiro demonstrou verdadeiras intenções de chegar ao golo. Em desvantagem por dois golos, os comandados de Jardim criaram nos primeiros minutos jogadas de perigo perto da baliza de Buffon, e chegaram a enviar, apesar de ter sido assinalada posição irregular a Mbappé, uma bola ao poste dessa mesma baliza.

Ainda antes dos 15 minutos de jogo Khedira, ausente do jogo da primeira mão, foi, por lesão, obrigado a ser substituído por Marchisio. Foi esta a primeira contrariedade para a equipa italiana.

O Mónaco continuou a ser a equipa mais atacante do encontro, mas, apesar disso, era a Juventus que ia criando as oportunidades mais flagrantes de golo, aproveitando os espaços que se criavam na defensiva dos monegascos. As duas mais evidentes foram as de Higuaín e Mandzukic, que, ambos isolados, viram o golo ser negado, primeiro por Glik e depois por Subasic. Subasic que já nada pôde fazer quando, aos 33 minutos, Mandzukic, após nova defesa do guardião polaco (?) atirou, na recarga, a contar para a equipa da Juventus, que cada vez ia vendo mais abertas as portas da final de Cardiff.

Dani Alves marcou o segundo golo da Juve Fonte:  krgv.com
Dani Alves marcou o segundo golo da Juve
Fonte: krgv.com

 

A partir do golo o Mónaco foi progressivamente apagando-se do jogo e afastando-se do rumo que tinha traçado para este jogo, e permitiu à Juventus criar mais oportunidades de golo. Uma dessas oportunidades deu origem a um canto cuja bola, depois de ser batida, foi afastada para fora da área, onde encontrou Dani Alves que, sem deixar a bola sequer tocar no solo, acertou da melhor forma na bola que seguiu diretamente para o fundo das redes, atirando por terra todas as aspirações do Mónaco em chegar à final da Liga dos Campeões. Foi um golo verdadeiramente notável do jogador que já tinha assistido Mandzukic no primeiro golo da partida e que fazia por merecer essa recompensa.

Para bem dos franceses, o intervalo não tardou em chegar, e com um agregado de 4-0 a favor da equipa de Allegri. A primeira parte foi, até ao primeiro golo da Juventus, uma das mais bem disputadas e equilibradas desta edição da competição, entre uma das melhores equipas a nível ofensivo e uma das melhores a nível defensivo, e entre duas das equipas que praticam o melhor futebol da Europa. Depois disso foi uma completa demonstração de bom futebol por parte dos transalpinos, que não deram qualquer chance ao Mónaco de voltar a entrar no jogo, pela maneira como os seus jogadores e iam movimentando em campo, anulando qualquer tentativa de saída a jogar dos monegascos e encontrando espaços nas costas dos defesas adversários. Certamente, até ao intervalo, este estava a ser um dos melhores jogos da Juventus desta época.

A segunda parte foi, em relação à primeira, bastante pobre. Já com a eliminatória decidida compreende-se que o ritmo tenha baixado, até porque ambas as equipas terão em breve jornadas decisivas nos seus campeonatos para alcançar o título. No entanto, o Mónaco ainda foi a tempo de dar um ar da sua graça neste jogo e fez o que ainda ninguém tinha feito a esta Juventus nas fases a eliminar da Liga dos Campeões – marcar um golo. Após um cruzamento para perto da linha de golo, Mbappé encostou para o fundo das redes e ainda chegou a dar uma réstia de esperança aos adeptos, que rapidamente se foi desvanecendo. Tirando esse golo e umas poucas oportunidades de golo, e ignorando as picardias existente entre Higuaín e Glik (é preferível…), esta segunda parte pouco interesse teve e fica por isso para a história a grande primeira parte deste jogo e a maneira como a Juventus anulou uma das melhores equipas da competição com o seu futebol técnica e taticamente bastante apurado.

Quanto ao Mónaco, ficará para a eternidade a excelente campanha que realizou nesta época na Liga dos Campeões e como chegou à meia-final da competição eliminando equipas como o Manchester City e o Borussia Dortmund, comandada pelo treinador português Leonardo Jardim. Desta campanha fica também a afirmação de jovens talentos como Mbappé, Bakayoko, Lemar ou Bernardo Silva no futebol europeu, bem como a reafirmação de Falcao.

Resta agora à Juventus conseguir em Cardiff conquistar o título que lhe foge desde 1996 e que lhe escapou pela última vez em 2015. Lá qualidade para isso tem, e demonstra frieza tática e mental para o conseguir.

Allegri construiu esta época uma das melhores equipas da história da Vecchia Signora. Chegou a altura do seu verdadeiro teste. Estará à altura? Pelo que tenho visto parece-me que sim. Veremos… A terceira conquista europeia pode estar bem perto.

 Foto de Capa: Juventus

Dez jogadores em final de contrato na Primeira Liga

Cabeçalho Futebol NacionalRestando apenas duas jornadas para o término da Liga NOS 2016/2017, inúmeros emblemas do escalão principal do futebol profissional português procuram, atempadamente, reestruturar e reforçar os seus planteis para a próxima temporada.

Neste sentido, dando continuidade às políticas de contenção de custos que pautam o modus operandi de diversos clubes no mercado de transferências, as contratações a custo zero afiguram-se, indubitavelmente, como uma excelente oportunidade.

A lista que se segue conta com jogadores heterogéneos em termos posicionais e abarca a quase totalidade dos setores existentes no terreno.

João Sousa: pressão ou inferioridade?

Cabeçalho modalidades

O melhor tenista português de todos os tempos voltou a não conseguir ganhar um encontro no maior torneio de ténis realizado em Portugal. Em 2014, saiu derrotado por Leonardo Mayer.

Em 2015, não foi capaz de vencer Rui Machado. Em 2016, perdeu com o futuro campeão do torneio: Nicolas Almagro. Em 2017, foi a vez de Bjorn Fratangelo derrotar o número um português.

O que explica as quatro derrotas consecutivas do número um nacional no Estoril Open? Em primeiro lugar é essencial perceber que nem todos estes desaires aconteceram pelas mesmas razões.

João Sousa não te sido feliz em competições portuguesas Fonte: Ténis Portugal
João Sousa não tem sido feliz em competições portuguesas
Fonte: Ténis Portugal
  • Inferioridade

Em 2014 e 2016, por exemplo, e por muito que nos possa custar a admitir, a verdade é que os adversários de João Sousa são/foram melhores jogadores do que o português. Nicolas Almagro já figurou entre os dez melhores jogadores do mundo e alcançou por três vez os quartos de final de Rolland Garros. Leonardo Mayer já foi 21º do ranking e no seu palmarés conta com o torneio de Hamburgo (ATP 500).

Justo por Injusto

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A duas jornadas do fim, Bruno de Carvalho considerou deprimente a exibição do Sporting. Foram precisas trinta e duas jornadas para o presidente leonino considerar humilhante o que os adeptos já consideravam há muito tempo.

No fim do jogo, o líder teceu várias críticas a toda a estrutura. Ficou apenas a faltar criticar os adeptos pela falta de melancolia às consecutivas opções desvirtuadas do treinador Jorge Jesus. Não há apenas que lamentar toda esta situação a dois jogos do final do campeonato senhor Presidente. O Sporting foi uma equipa imprópria para consumo ao longo de toda a época, alérgica a tentar lutar até final por qualquer título em que tenha participado, deixando um rasto de má imagem e mau futebol jogo após jogo.

O altamente deprimente e incompreensível é toda esta situação ter sido apenas “detectada” nesta altura. Todos os apoiantes verdes e brancos não irão culpabilizar apenas os jogadores e treinadores, mas sim, toda a estrutura onde se inclui o grande responsável: Bruno de Carvalho. Como líder, terá de ser responsabilizado por esta má gestão, pelas más contratações e todo o planeamento desportivo. O combate ao podre do futebol português terá de ser continuado, as construções de novas infraestruturas fazem parte dos mandatos e da obrigação de um clube que é ter um pavilhão, mas isso nunca será suficiente para alimentar uma massa adepta sedenta por títulos. Se o Sporting não vencer o próximo campeonato, não há pavilhão, infraestrutura ou ataque cerrado a qualquer outra instituição que prevaleça a quem tem por obrigação vencer.

Bruno de Carvalho também tem aspetos a rever, tendo em conta a próxima temporada Fonte: Sporting CP
Bruno de Carvalho também tem aspetos a rever, tendo em conta a próxima temporada
Fonte: Sporting CP

O próximo campeonato irá ficar, com certeza, marcado pela estreia do vídeo-árbitro. Não será suficiente para corrigir todo o mal que rodeia o nosso futebol, mas será certamente o início de um longo caminho para tornar o futebol num desporto cada vez mais justo e cativante. Enquanto isso, o Benfica irá tornar-se tetracampeão pela primeira vez na sua história. Se em outros anos não houve inteira justiça, este ano não haveria como procurar outro vencedor. Um FC Porto intermitente e sem caudal necessário para vencer, lutou mais do que era inicialmente previsto. O Sporting premeditou tanto o seu futebol que ficou afastado ainda antes de haver qualquer emoção em jogo.

Não nos podemos desculpar eternamente com casos alheios e o vídeo-árbitro será o começo para deixar de haver dúvidas. Por muito que custe admitir, a equipa encarnada arrecada inteiramente este título sem qualquer margem para discutir eventuais, ou outros potenciais, vencedores.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

 

A noite que estabeleceu Durant como o vilão que os Warriors precisavam

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Cabeçalho modalidades
No verão passado, Kevin Durant tomou a decisão que muitos esperavam, mas que poucos queriam: pouco tempo depois de ser eliminado pelos Warriors, o extremo abandonou Westbrook em Oklahoma e juntou-se ao “inimigo”. Tal como aconteceu com LeBron em 2010, camisolas foram queimadas, os “guerreiros” da internet pegaram nos teclados e partiram para o insulto e Kevin Durant passou a ser o homem mais odiado na NBA. Porém, no passado sábado, KD levou tudo isto para outro nível. Durant foi a Utah e desrespeitou toda a gente, de adeptos a jogadores, com a mascote incluída e, no final, ainda lhes despedaçou os corações, qual assassino silencioso. Kevin Durant foi o vilão em Utah e eu… adorei!

Nunca pensei fazê-lo, se querem que seja sincero. Mesmo sendo adepto daqueles infames Heat de 2010 a 2014, KD levou tudo isto a um novo nível, juntando-se àquela que já seria, em teoria, a melhor equipa da NBA, semanas depois de o terem derrotado. Juntou-se ao inimigo e deixou o “irmão” Westbrook sozinho em OKC. Mas a verdade é que adorei tudo aquilo que Durant foi em Utah no jogo 3 destas meias-finais da conferência Oeste. O extremo dos Warriors percebeu, finalmente, que não vai escapar ao papel de traidor e optou por encarnar esse seu novo. Durant rouxe, acima de tudo, um extraordinário entretenimento a estes playoffs. E aquilo que os Warriors precisam que ele seja e que se calhar faltou em 2016: um jogador que resolve sozinho os problemas que a equipa não consegue, num ambiente hóstil.

Numa noite em que Stephen Curry e Klay Thompson andaram às aranhas em termos de lançamento (Curry terminou com 30% de eficácia, Thompson com 11%), Durant foi aos 38 pontos, acertando 15 em 26 tentativas e destruindo a defesa de Utah, com constantes lançamentos de meia-distância após bloqueio direto, por cima de quem quer que aparecesse. Ainda assim, o mais interessante da exibição de KD apareceu no período no qual costuma ser mais letal: o último.

A reação de Durant após o lançamento que garantiu a vitória dos Warriors em Utah Fonte: The Salt Lake Tribune
A reação de Durant após o lançamento que garantiu a vitória dos Warriors em Utah
Fonte: The Salt Lake Tribune

Durant começou por ter uma pequena “conversa” com um adepto da equipa da casa, dizendo que não o conhecia. Depois, disse à sobre-entusiasta mascote dos Jazz para sair do campo, com palavras que não me são permitidas traduzir. Ainda foi a tempo de empurrar Gobert, uma das estrelas dos da casa, insultou-o e, depois do francês falhar os dois lances-livres correspondentes à falta cometida por Durant, insultou-o mais uma vez. E tudo isto haveria de terminar, como é óbvio, com um lançamento à tabela na cara de Hayward para selar a vitória dos Warriors em Utah e, praticamente, fechar a série.

Os Warriors já eram perigosos, com uma defesa sufocante e uma capacidade tremenda para mover a bola até encontrar o jogador sozinho. Agora que adicionaram a peça que lhes faltava, um jogador com um conjunto de armas ofensivas pouco habituais, alicerçadas numa velocidade e altura raramente vistas na história e com um “instinto assassino” só ao nível dos predestinados, esta equipa parece imbatível. Kevin Durant é exatamente o homem que faltava aos Golden State Warriors, mesmo que parecesse impossível alguém dizer que estes Warriors precisavam de algo mais, há um ano atrás.

Foto de Capa: Salut MAG

Dragão da semana: Fernando Fonseca

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Com um final de temporada horribilis que desagua em mais uma época fracassada (a analisar em artigos futuros) surge, ainda assim, mais um jovem da cantera portista com evidente potencial para poder singrar na primeira equipa: Fernando Fonseca.
Assim que haja paciência de treinadores dirigentes e adeptos e que corrija algumas lacunas que naturalmente ainda tem no seu jogo e Fernando pode vir a ser o dono da lateral direita portista num futuro próximo.

Este jovem de 20 anos que conta com um já largo percurso pelos vários escalões da seleção nacional mostrou no passado sábado, não obstante o marasmo que foi a exibição da equipa, ser um jogador de enorme potencial e margem de progressão. Não sendo alto também não é baixo (182cm) e é muito competente quer na vertente defensiva quer na vertente ofensiva do jogo. Sendo cedo para poder conhecer com elevado grau de certeza as suas maiores qualidades, mostrou nos Barreiros ter um enorme sentido posicional e uma excelente velocidade que permite com que raramente seja batido na profundidade. Não sendo um tecnicista sabe ter a bola no pé e vai à linha cruzar com bastante facilidade. O entendimento com os colegas não foi perfeito (era difícil que fosse) mas teve participação em algumas jogadas de envolvimento muito interessantes. Forte a fechar no meio e a dobrar os centrais, vai também com muita facilidade ao chão para desarmar os adversários. Pode melhorar no capítulo do cruzamento.

Fernando Fonseca festejando o golo portista Fonte : FC Porto
Fernando Fonseca festejando o golo portista
Fonte : FC Porto

Feito o raio-x é importante salientar que embora tenha demonstrado qualidades nas diferentes áreas do jogo abordadas é muito cedo para perceber ao certo onde poderá chegar. No entanto, fica a ideia de que com o apoio certo, a cabeça no lugar e, acima de tudo, com oportunidades, pode vir a ser um caso sério no nosso futebol e mais um talento made in FC Porto lançado com sucesso na equipa principal.
Deixar uma nota final para dizer que terá competitividade interna forte, já que há outro jogador para a mesma posição a despontar na equipa B e nos sub-19, Diogo Dalot, e que também tem evidenciado qualidades que fazem augurar uma igual subida à equipa principal.

Foto de Capa : FC Porto

Brasil: Campeões Estaduais de 2017

Cabeçalho Liga Brasileira

A maioria dos campeonatos estaduais, pelo menos os principais do país, encerraram-se nesse último domingo. De uma maneira geral tivemos apenas o Novo Hamburgo, campeão gaúcho, como a grande surpresa entre os campeões. Porém, algumas grandes equipes do futebol brasileiro decepcionaram. Especialmente o Palmeiras que tem o melhor elenco – e o mais caro – do país e foi eliminado nas quartas de final do Campeonato Paulista para a Ponte Preta

Abaixo temos a situação de todos os campeonatos estaduais no Brasil.

Acre: Em andamento – Rio Branco e Atlético disputam a final.

Alagoas: CRB campeão.

Amapá: Ainda não iniciou a competição.

Amazonas: Em andamento.

Bahia: Vitória campeão.

Ceará: Ceará campeão.

Distrito Federal: Brasiliense campeão.

Espírito Santo: Atlético campeão.

Goiás: Goiás campeão.

Maranhão: Em andamento.

Mato Grosso: Cuiabá campeão.

Mato Grosso do Sul: Corumbaense campeão.

Minas Gerias: Atlético campeão.

Pará: Paysandu campeão.

Paraíba: Botafogo e Treze disputam a final.

Paraná: Coritiba campeão.

Pernambuco: Sport e Salgueiro disputam a final.

Piauí: Em andamento.

Rio de Janeiro: Flamengo campeão.

Rio Grande do Norte: ABC campeão.

Rio Grande do Sul: Novo Hamburgo campeão.

Rondônia: Em andamento.

Roraima: Em andamento.

Santa Catarina: Chapecoense campeã.

São Paulo: Corinthians campeão.

Sergipe: Confiança campeão.

Tocantins: Interporto e Sparta disputam a final.

 Foto de Capa: futeboldeprimeira.com

Paulo Fonseca: corrida à elite

Cabeçalho Futebol Internacional

Paulo Fonseca, treinador que faz parte de uma geração muito prometedora de técnicos portugueses, treina agora o Shakhtar Donetsk. E hoje acaba de se tornar campeão, a faltar 4 jornadas para o fecho da prova! Destronou o Dinamo de Kiev como detentor do título da Ucrânia… Faz parte de um grupo restrito de treinadores portugueses que dá liberdade em campo aos seus jogadores, sem com isso perder o rigor tático. Estará ele pronto para dar o próximo passo e dirigir um clube com maiores pretensões?

Há quatro anos atrás, depois de uma brilhante prestação ao serviço do Paços (nunca antes vista, diga-se), é contratado por Pinto da Costa, com uma cláusula de rescisão fixada nos 15 milhões de euros! Há jogadores de qualidade com cláusulas mais baixas…O presidente azul e branco mostrava-se confiante e contente com a aquisição do então recém terceiro classificado da Liga Portuguesa (2012/2013), admitindo que não poderia desperdiçar a oportunidade de trazer, citando o mesmo: “Um treinador com 40 anos ainda é um jovem, mas tendo competência já é uma pessoa madura. Não conheço nenhum treinador que tenha conseguido levar o Paços de Ferreira, que começa o campeonato na expetativa de não descer de divisão, à Europa e à frente dos dois Sportings, o de Braga e o de Lisboa.” Perante tais declarações por parte do presidente mais bem sucedido do futebol mundial, o que era esperado era um Porto sólido e ganhador. Não foi o que aconteceu.

Apesar da conquista da Supertaça no início da temporada, Paulo Fonseca encontrou problemas que, provavelmente ainda não tinha encontrado anteriormente. Clube grande, muita maior pressão, quase não há margem de erro, salvo algumas exceções. Uma realidade diferente, visto todos os dias a sua pessoa pode ser tema de qualquer jornal desportivo nacional. Resultados aquém do esperado, crises de balneário e gaffes, tornaram a confiança inabalável que Pinto da Costa depositava no técnico, em dúvidas. As dúvidas, sempre por parte dos adeptos, e alguns dirigentes. O presidente mais titulado da história nunca duvidou das qualidades de Paulo Fonseca, e nunca considerou o despedimento do então treinador uma opção. Porém, ao estar na 3ª posição, a 4 pontos do 2º (Sporting) e a 9 do líder Benfica, levaram à rescisão do contrato. Pinto da Costa disse mesmo que não era da sua vontade que Paulo Fonseca saísse, mas decerto a tamanha pressão que o último e a sua família estavam sujeitos diariamente, fizeram com que o extreinador do Porto avançasse com o pedido de demissão, e o vínculo terminasse prematuramente.

3 anos depois, o Shakhtar sagrou-se campeão ucraniano com Paulo Fonseca Fonte: FC Shakhtar
3 anos depois, o Shakhtar sagrou-se campeão ucraniano com Paulo Fonseca
Fonte: FC Shakhtar

O presidente do FC Porto sabia claramente que o clube atravessava uma fase de transição, após a época de sonho 2010/2011 e os dois campeonatos ganhos por Vítor Pereira, uma fase em que qualquer treinador tinha sucesso no clube do norte. Esta época de Paulo Fonseca foi o marco da mudança. Hoje Nuno Espírito Santo sente bem essa mudança, visto ter feito parte do melhor Porto enquanto jogador, e agora de um Porto não tão dominador como treinador. Na época seguinte voltou onde foi feliz, fez um excelente trabalho novamente e chegou ao Braga.

Época consistente, com um 4ºlugar (considerado o 1º dos pequenos), chegou aos quartos na Liga Europa (eliminado curiosamente pelo clube que orienta atualmente), e talvez o facto de nessa mesma fase da Liga Europa os dirigentes do clube ucraniano terem apreciado a forma como o Braga jogou, fruto das ordens do então treinador bracarense, o que ajudou a encontrar o treinador com melhor perfil e custo para orientar o Shakthar em 2016/2017. Uma boa época para começar, foi claramente superior ao seu rival mais direto na disputa do Vischa Liha, o Dinamo de Kiev. Na Europa, foi eliminado prematuramente, nos 16 avos de final da 2ª melhor competição a nível de clubes europeus, pelo Celta de Vigo, que ainda se encontra em prova. Os registos são bons, estatísticas bastante positivas e um futebol vistoso, fruto do génio de Bernard, da magia de Taison, da experiência de Srna e do faro de golo de Dentinho.

À imagem de Leonardo Jardim, Marco Silva, Rui Vitória, insere-se num lote restrito de treinadores de elite nascidos em Portugal. A eles, resta dar o próximo passo e treinar um clube de classe mundial, com grandes aspirações e orientar os melhores praticantes do “beautiful game”, sendo que a última é o sonho de qualquer treinador. Será que é já na próxima época?

Foto de Capa: Genya Savilov\ Getty Images