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Um filho de Guimarães decidiu dérbi para os bracarenses | Braga 1-0 Vitória SC

Natural de Guimarães e com passagem pela formação vitoriana antes de se mudar para Braga aos 14 anos, Diego Rodrigues saiu do banco para marcar o único golo de um dérbi minhoto intenso e equilibrado.

Há jogos que parecem escolher o protagonista perfeito para contar a sua história. Num sempre apaixonante dérbi do Minho, foi precisamente um jogador com raízes dos dois lados da rivalidade a decidir. 

O Braga chegou ao dérbi ainda no 16.º lugar, com apenas um ponto, embora com dois jogos em atraso, mas com a confiança reforçada pelo apuramento para a fase de liga da Conference League, depois de eliminar o Áustria Viena. O Vitória SC, 11.º com três pontos, procurava dar continuidade à primeira vitória no campeonato, conseguida na jornada anterior diante do CD Nacional, depois de duas derrotas no arranque da prova.

A equipa orientada por Tiago Margarido entrou com uma ideia clara. Linha subida, pressão sobre a saída de bola adversária e tentativa de retirar conforto a um dos momentos mais fortes do conjunto orientado por Carlos Vicens. Óscar Rivas viu o primeiro amarelo logo aos 4’ numa tentativa do árbitro André Narciso querer passar logo bem cedo uma mensagem de autoridade aos jogadores.

O Vitória foi quem conseguiu o primeiro remate da partida, aos 10′, quando Gustavo Silva aproveitou uma perda de Tiknaz, embora tenha atirado muito longe da baliza.

O Braga demorou a encontrar soluções. A equipa vimaranense apresentou-se compacta, disciplinada e conseguiu durante boa parte da primeira meia hora manietar o habitual jogo de circulação dos arsenalistas. 

Gabriel Silva tentou romper em profundidade aos 14′, enquanto Mario Dorgeles encontrou Pau Victor dois minutos depois, mas um mau controlo do espanhol fez perder uma situação prometedora. Aos 19′, um passe errado de Dorgeles ofereceu a Samu uma oportunidade perigosa, com o capitão vitoriano a não conseguir aproveitar totalmente a desconcentração do adversário.

Com o passar dos minutos, o Braga começou finalmente a empurrar o rival para trás. Pau Victor assumia-se como o elemento mais perigoso dos arsenalistas, conduzindo aos 29′ um bom ataque que Gabriel Silva não conseguiu finalizar da melhor forma.

O encontro abriu ligeiramente e, aos 32′, Bernardo Fontes teve de sair corajosamente da baliza para impedir Ndoye de aproveitar uma perda no meio-campo bracarense. Um minuto depois, a melhor oportunidade da primeira parte: o Braga trabalhou muito bem a jogada de um flanco ao outro e Victor Gómez apareceu isolado, mas acertou no poste da baliza de Zych.

Também Vítor Carvalho (que encheu o campo), novamente adaptado ao centro da defesa, realizou uma primeira parte muito segura, confirmando a evolução que tem apresentado nesta função sob o comando de Carlos Vicens.

Na reta final, a superioridade arsenalista tornou-se mais evidente. Zych ainda protagonizou uma abordagem arriscada perante Gabriel Silva aos 38′, conseguindo corrigir antes de cometer uma eventual grande penalidade. Aos 42′, surgiu mais uma grande perdidater. Gabriel Silva cruzou da esquerda e Pau Victor, com a baliza praticamente à sua mercê, rematou fraco para uma defesa apertada do guarda-redes polaco. O avançado espanhol foi uma das figuras mais interventivas, mas também mais perdulárias dos primeiros 45 minutos.

O Braga regressou do intervalo disposto a assumir definitivamente as rédeas do encontro. Aos 52′, Strata travou Gabriel Silva perto da área e viu o cartão amarelo. João Moutinho assumiu o livre, mas a bola ficou na barreira. O lance prosseguiu, e o árbitro André Narciso assinalou grande penalidade por suposta  falta de Ndoye sobre Pau Victor, numa decisão posteriormente revertida após intervenção do VAR devido a uma posição irregular do avançado bracarense. O episódio incendiou particularmente o setor vitoriano e acrescentou ainda mais emoção a um dérbi já carregado de tensão.

Tiago Margarido foi o primeiro a mexer, lançando Mukendi e Oumar Camara aos 60′. Carlos Vicens respondeu quatro minutos depois com Milosevic para o lugar de Pau Victor. O sérvio esteve muito perto de inaugurar o marcador aos 73′, quando surgiu completamente isolado, mas encontrou pela frente uma excelente intervenção de Zych.

Antes disso, aos 71′, Vicens tinha feito mais duas alterações: Tommy Marqués (em estreia absoluta pela turma bracarense), substituiu Tiknaz e Diego Rodrigues entrou para o lugar de Mario Dorgeles. Uma substituição que acabaria por decidir o dérbi.

Aos 79’, Diego Rodrigues recebeu fora da área e disparou colocado para o fundo das redes. O remate saiu potente, embora tenha ficado a sensação de que Zych poderia ter feito mais para evitar o golo.

Tal como mencionado anteriormente, o médio português é natural de Guimarães, e começou parte do seu percurso de formação precisamente no Vitória SC. Aos 14 anos atravessou a rivalidade minhota e mudou-se para o SC Braga, onde prosseguiu a formação até chegar à equipa principal. Anos depois, foi ele quem saiu do banco para decidir um dos jogos com maior carga emocional para os dois clubes.

Carlos Vicens respondeu ao golo procurando proteger uma vantagem preciosa. Fran Navarro e Bajrami foram ainda lançados aos 85’ e o Braga assumiu uma postura mais pragmática na reta final. O Vitória tentou responder, mas não conseguiu criar qualquer ocasião verdadeiramente clara durante os sete minutos de compensação.

O 1-0 resistiu até ao apito final e permitiu ao Braga juntar uma importante vitória no campeonato ao recente sucesso europeu. O Vitória mostrou organização e conseguiu durante largos períodos retirar fluidez ao futebol adversário, mas foram os arsenalistas quem criaram as oportunidades mais claras.

Num dérbi decidido por detalhes, acabou por surgir um daqueles argumentos que só o futebol consegue escrever: um vimaranense, formado primeiro no Vitória e depois no Braga, decidiu de vermelho um dérbi entre as duas cidades que fazem parte da sua própria história.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: O Vitória foi capaz de incomodar a saída do Braga desde o início do jogo com uma pressão em 3+2 e Nogueira a acompanhar Dorgeles e depois a fazer linha de cinco na esquerda. Pergunto- lhe o que procurava com esta ideia e o que o fez mudar essa pressão na segunda parte.

Tiago Margarido:  Essa era a nossa ideia para a primeira parte. O nosso adversário era alguém que em questões do último terço, procurava muito a largura do lado oposto, nomeadamente pelo Victor Gómez e pelo Travassos. Colocamos ali o Miguel Nogueira a baixar na linha de cinco de forma a não criarem essa superioridade em largura. Depois na segunda parte, procuramos ser ambiciosos, e passamos para um 4-2-4 para ter quatro homens a pressionarem a zona de construção 3+2 do Braga e penso que tivemos sucesso nisso e estávamos a conseguir limitar bem a primeira fase de construção do Braga, estávamos com posicionamentos ofensivos ajustados daquilo que era a pressão homem a homem do Braga, e no nosso melhor momento, acabamos por sofrer o golo, e perdemos por um detalhe.

BnR: O Travassos entrou no onze inicial, com o Gabriel Silva mais avançado no terreno e com Dorgeles do lado contrário a baixar várias vezes em apoios. Pergunto-lhe o que procurou com estas mudanças no onze.

Carlos Vicens: No jogo contra o Nacional e contra o Sporting, tínhamos analisado que o Vitória tinha tido muitas dificuldades em controlar o jogador interior e um jogador fora do lado esquerdo, e pretendíamos dar uma saída mais curta em apoios com o Travassos, tendo um destro do lado esquerdo, jogando com o pé trocado, e com esse trabalho mais curto de Travassos, não deixar de ter a profundidade que o Gabriel Silva nos dá. Sabíamos que Pau Victor movimenta-se muito bem nessas zonas e sente-se muito à vontade quando desce para receber, e a perda de um elemento de meio-campo do lado esquerdo com o posicionamento mais adiantado do Gabriel Silva, conseguirmos compensar com esses movimentos do Pau Victor, e foi isso que pretendemos do nosso lado esquerdo com essa nuance táctica.

Fulham fecha internacional sueco por 25 milhões de euros

Hugo Larsson vai deixar o Frankfurt e rumar ao Fulham neste mercado de verão. Transferência a rondar os 25 milhões de euros.

Hugo Larsson vai ser jogador do Fulham, garante Fabrizio Romano. A mesma fonte refere que, neste mercado de verão, o médio sueco de 22 anos deixa o Frankfurt e ruma ao clube londrino numa transferência a rondar os 25 milhões de euros.

Fabrizio Romano diz ainda que há acordo verbal entre as partes, os exames médicos estão marcados em Londres e Hugo Larsson já tem autorização para viajar durante esta manhã. O jogador prepara-se assim para uma mudança na carreira.

Hugo Larsson foi contratado pelo Frankfurt ao Malmo em 2023/24, por uma quantia a rondar os nove milhões de euros. Passou três épocas no clube alemão e agora vai disputar a Premier League.

Robert Sánchez emprestado pelo Chelsea a clube da Serie A que vai jogar na Champions League

Robert Sánchez vai deixar o Chelsea e rumar ao Como 1907 num negócio de empréstimo neste mercado de verão.

Robert Sánchez vai ser emprestado pelo Chelsea ao Como 1907, garante Fabrizio Romano. A mesma fonte refere que os clubes chegaram a acordo verbal para a transferência do guarda-redes espanhol, que substituirá Tornqvist (junta-se ao Monza, também em Itália).

Neste mercado de verão, o Chelsea já oficializou a contratação de Emiliano Martínez, que assinou um contrato válido de quatro temporadas até 2029. Inclusive, o guarda-redes de 33 anos já se estreou no comando dos blues, diante do Brighton para a Premier League.

Robert Sánchez prepara-se assim para uma mudança: da Premier League para a Serie A. Na última temporada, o guarda-redes de 28 anos, que joga em Inglaterra desde 2014/15, registou um total de 50 partidas pelos blues e, inclusive, uma assistência.

Foi associado ao Benfica e vai trocar o Chelsea pelo Tottenham

Tosin Adarabioyo vai trocar o Chelsea pelo Tottenham neste mercado de verão. Mykhaylo Mudryk também terá essa mudança.

Tosin Adarabioyo vai ser jogador do Tottenham, avança o The Athletic e confirma Fabrizio Romano. É noticiado que o defesa deixa o Chelsea e ruma aos Spurs numa transferência definitiva a rondar os 8,1 milhões de euros mais variáveis.

Neste mercado de verão, Tosin Adarabioyo, defesa-central que trabalhou com Marco Silva no Fulham, foi associado ao Benfica. O defesa de 28 anos foi contratado pelo Chelsea na temporada 2024/25 por uma quantia a rondar o 1,65 milhões de euros.

Na última época, Tosin Adarabioyo registou 29 jogos e marcou dois golos pelo Chelsea. Agora prepara-se para mudar de clube na Premier League. Quem seguirá o mesmo caminho (mas por empréstimo) é o extremo Mykhaylo Mudryk.

Everton fecha contratação de 2 nomes de peso para o ataque

Jack Grealish e Folarin Balogun vão reforçar o Everton neste mercado de verão. Fica com os detalhes das duas transferências.

Jack Grealish e Folarin Balogun estão a caminho do Everton, garante Fabrizio Romano. No caso do internacional inglês, os toffees chegaram a acordo com o Manchester City para um novo empréstimo (já tinha sido cedido na época passada) e houve luz verde por parte do jogador.

Em relação a Folarin Balogun, Fabrizio Romano diz que o Everton vai pagar 45 milhões de euros + cinco milhões de euros pela contratação do internacional norte-americano. Além disso, o negócio incluirá uma percentagem numa futura venda.

É noticiado ainda que Folarin Balogun assinará um contrato válido de quatro anos com o Everton, com opção de prolongar por mais um ano. O avançado deixa assim o AS Monaco e ruma à Premier League, tendo autorização para viajar nesta terça-feira.

Custou 75 milhões de euros e vai ser emprestado pelo Newcastle à Juventus

Nick Woltemade vai ser emprestado pelo Newcastle à Juventus num negócio sem cláusula de opção ou obrigação de compra.

Nick Woltemade está a caminho da Juventus, garante Fabrizio Romano. A mesma fonte refere que o emblema da Serie A chegou a acordo verbal com o Newcastle para um empréstimo a rondar os 4 milhões de euros sem cláusula de opção ou obrigação de compra.

Fabrizio Romano dá assim o ‘here we go’ e diz que Nick Woltemade tornar-se-á Juventus no último dia do mercado de transferências de verão. O avançado de 24 anos chegou ao Newcastle na temporada passada, por uma quantia a rondar os 75 milhões de euros.

Em 2025/26, Nick Woltemade fez 51 partidas pelo Newcastle, das quais marcou 11 golos e deu cinco assistências. Neste início de época, já levava dois jogos e uma assistência.

A praia onde o Benfica se está a habituar a atacar é a mesma onde ficou perto de morrer e outras lições de agosto

As últimas horas de agosto trouxeram os raios de sol que escassearam há umas semanas, quando a chuva e o frio se apoderaram do verão português. Se há coisa que qualquer português rejeita é que lhe tirem o verão. Uma aragem mais forte, uma água que comece a cair do céu, um termómetro que termine os dias a tornar obrigatório andar com um casaquinho e está tudo estragado. Ora, se quisermos, e pegando na liberdade criativa que defrontar o Estoril Praia oferece, entre o areal e o mar, o Benfica vive pleno verão. O problema, esse, é quando o Zéfiro incomoda, quando a chuva apelidada carinhosamente como “molha-parvos” se sente e quando o casaquinho surge em versão invernal, já com pêlo para resistir ao mau tempo.

Se quisermos, o mês de agosto de 2026 é perfeito para descrever o Benfica de Marco Silva. No geral, foi um mês de verão, de praia, piscina e muito calor. Também o futebol do Benfica foi risonho, com envolvimento ofensivo, deixando para trás as amarguras da estreia oficial na Suíça e apresentando uma versão com várias goleadas e vitórias saborosas. No entanto, em vários jogos, sentiu-se uma aragem suficiente forte para abanar os ramos das árvores e fazer olhar para a tonalidade do céu e das suas nuvens. Por vezes, não foi mais que fogo de vista, que um jogo de cores e sensações que o clima, cada vez mais rebelde, provocou. Contra o Estoril Praia, por exemplo, foi precisamente este o fenómeno que aconteceu quando Yanis Begraoui – a palavra fenómeno (não pensando em Ronaldo Nazário, mas em alguém fenomenal à escala canarinha) não é inocente – decidiu, do nada, marcar um golo. O problema, esse, foi o que se sucedeu contra o Académico de Viseu. Essa memória é distante, mas foi a chuva de agosto do Benfica. E que, nem que por uns segundos, todos recordaram quando Begraoui fez escurecer as nuvens do céu.

Que as metáforas climatéricas não coloquem a superioridade inequívoca do Benfica em questão. O sol raiou e brilhou na Luz, com, talvez, um posicionamento diferente e nuances diferentes. Agosto, afinal, teve muito mais sol que chuva. Ainda assim, fica a sensação meio desconfortável, meio inexplicável, de que dois ou três aguaceiros em agosto não podem ser normais. Como uma nota de rodapé, que ocupa apenas 10% do ecrã. Cabe a cada espectador, decidir onde colocar o seu foco.

Enzo Barrenechea Benfica Yanis Begraoui Estoril Praia
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O jogo foi jogado à mercê do Benfica, mas com dinâmicas diferentes a permitir superioridades diferentes. O adversário, o Estoril Praia, vestido com a capa que Vasco Matos mais gosta de usar, soube defender-se e procurou limitar os principais pontos fortes do Benfica. Pela primeira vez na época – a ver se é para continuar ou se foi força do contexto – defendeu-se com cinco lá atrás, para fechar os caminhos para a baliza. Estrategicamente, o grande detalhe esteve na forma como um dos médios do 5-4-1 defensivo procurou acompanhar Leandro Barreiro, evitando as superioridade do luxemburguês, invasor pródigo do espaço entre central e lateral, essa zona que teima em ser mais valiosa que outras tantas. Com o trabalho de compensações, ajudas dos extremos e saltos dos centrais exteriores, os canarinhos procuraram povoar a zona central e meter o Benfica longe da baliza de Joel Robles (que também se destacou, somando defesa atrás de defesa e preenchendo a baliza). As águias ressentiram-se e a dinâmica do corredor direito, como Marco Silva admitiu, não foi tão viva como outrora. Houve menos de Bah nas projeções, menos de Rafa Silva na forma como tenta encontrar espaços vazios para rodar e acelerar e menos Leandro Barreiro, mais apagado na marcação individual. Não se traduziu, necessariamente, num Benfica menos agressivo.

Foi à esquerda que as águias mais perigo criaram e foi com uma ação valiosa da esquerda que o Benfica inaugurou o marcador. Nem Prestianni, desta vez mais apagado depois de um mês a brilhar e brilhar, nem Sudakov, um jogador aparentemente indecifrável, foram os dínamos do ataque do Benfica. Foi Samuel Dahl, anteriormente patinho feio, que se tem valorizando com Marco Silva.

Antes do sueco, uma nota sobre o ucraniano. Está muito longe do rendimento necessário no último terço, é certo, faltam-lhe os golos, as assistências, os toques mágicos e, sem eles, dificilmente chegará a confiança. Mas, pelo perfil, é fundamental no onze encarnado. Não há, no plantel, quem seja capaz de interpretar os mesmos espaços e influenciar de tal modo a dinâmica coletiva do Benfica. Ofensivamente, sabe onde estar e onde se posicionar (faltando outra fineza em algumas ações e outro acerto nas decisões). Defensivamente, faz um trabalho silencioso na pressão e na recuperação, pouco valorizado pelo Tribunal da Luz. No mundo dos julgamentos, Sudakov é o meio termo que pouco existe para a opinião pública. Tal como também o é Dahl. Ou era, caso seja capaz de manter este rendimento. 

Georgiy Sudakov Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A temporada em crescendo não é uma coincidência, mas reflexo de alguns ajustes no seu posicionamento base e nos movimentos padronizados do seu jogo. Samuel Dahl não é uma cópia de Bah para a esquerda. Beneficia de ver o extremo aberto, podendo jogar em posições mais baixas e interiores. Quando Marco Silva enquadrou o sueco nas funções certas aumentou o rendimento. Esta noite, diante do Estoril Praia, foi o elemento mais fulcral para criar superioridades. Com o espaço ocupado, começou mais baixo, atraindo o extremo do Estoril Praia para, rapidamente, se projetar em terrenos interiores, rompendo com o espaço que o posicionamento base ajudou a criar e tornou-se no homem livre. Não tem mérito estatístico no golo de Pavlidis, mas é de um remate de Dahl, mais ou menos na sequência destas ações cadenciadas, que a bola vai parar aos pés do grego. 

Depois, há outros destaques naturais no jogo encarnado. Valorizando e dando o devido mérito ao que Pavlidis consegue oferecer ao jogo enquanto construtor e pensador, baixando em campo para se dar em apoios frontais e ligar a equipa, fala-se pouco da capacidade técnica para trabalhar a bola dentro de área, usando o corpo para preparar espaço para o remate. A subtileza de movimentos no golo encarnado é assinalável. Lá atrás, fazia muita falta ao Benfica um central esquerdino. Em contexto nacional, particularmente perante blocos mais baixos, notam-se as diferenças. Facilita e simplifica a construção encarnada pela facilidade em abrir o jogo e ganhar metros e segundos e junta-lhe a naturalidade com que mete o passe. Desta vez, entra nos highlights com um golo que, dificilmente, fica fora do top-10 de melhores desta edição da Primeira Liga. Haverá tempo para se falar nas limitações defensivas.

Por fim, João Palhinha, o homem do jogo de acordo com o galardão individual que levará para casa. Entrou para lidar com os piores azares de um jogador de futebol, ainda mais cruéis num momento de crescimento e de consolidação como o que Enzo Barrenechea vinha a viver, mas destacou-se em nome próprio. Aos adeptos, a história da antiga referência do rival que decide mudar de cores é sempre saborosa e notou-se isso no aquecimento, mal João Palhinha recebeu dos maiores aplausos da noite. Nenhum tão grande como aquele que se ouviu quando, poucos minutos depois de estar em campo, correu metros para trás e foi ao chão para cortar uma bola que, com outros médios, estaria perdida. Celebrou como se de um golo se tratasse e as bancadas celebraram-no consigo. Não querendo trazer a vida amorosa do médio para cima da mesa, mas é capaz de ter sido o engate mais fácil da vida de João Palhinha. Com bola, simplificou mais do que complicou, como se pede a um estreante, por maior que seja o seu conhecimento do jogo. Deixou pormenores aqui e ali que comprovam que está já bem distante do perfil de médio com canelas nos dedos nos pés. Não será nunca o mais estético ou o jogador com maior pensamento criativo, mas tem valências para sair de situações apertadas em espaços curtos e no passe que, conjugadas com o raio de ação e o volume de ações defensivas, o levaram a patamares elevados. Marco Silva encontrou o seu João Palhinha. Chama-se, dúvidas houvesse, João Palhinha.

João Palhinha Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Como sempre, o Benfica colocou muita gente na zona entre linhas, próxima dos médios do Estoril Praia. Como procurou defender esta zona, quer pelo papel dos defesas, quer pela repartição de espaço dos médios, fazer face à presença e sobrecarga do corredor central pelo Benfica?

Vasco Matos: Mudámos para uma linha de cinco, com os centrais a ir buscar esses homens entre linhas e a acompanhar depois, do lado direito do Benfica, onde há sempre uma dupla rutura. Obrigava o central a ir e o médio a acompanhar essa rutura e o médio do lado contrário a fechar o corredor central, a zona à entrada da área, e aí fomos competentes. Do lado contrário, o Benfica não mete tanta gente, deixa o Dahl mais baixo e quase que constrói a três, para explorar o 1X1 do Prestianni, para vir para dentro de pé direito. Estivemos muito bem e condicionámos muito bem o Benfica nesse momento. Não senti grande perigo. Mesmo o golo do Benfica é de um ressalto. Depois, o Benfica tentou explorar algumas bolas nas costas da linha defensiva, principalmente do lado do Fernando [Medrano] que é um jogador com menos altura, mas a gente foi resolvendo isso bem. Um pouco por aí. Os centrais a ir buscar entre linhas e acompanhar as ruturas, o médio do lado direito [que pega no Barreiro] também, porque há sempre duplas ruturas. O lado esquerdo do Benfica tem uma dinâmica diferente, e aí também estivemos bem.

Bola na Rede: O Dahl tem feito um início de temporada em crescendo, quer mais baixo, quer também com projeções interiores. Como é que esta posição, não tanto como jogador de corredor, mas mais por dentro, permite auxiliar o jogador a exprimir-se de melhor maneira e em que é que este posicionamento e estas entradas por dentro permitem ajudar o Sudakov e o Prestianni, interior e extremo esquerdos, a aumentar o seu rendimento?

Marco Silva: É um jogador inteligente e eu concordo, tem vindo a subir, não só fisicamente, como é normal no início de temporada, mas acima de tudo pelo que nós queremos que ele dê à equipa em alguns momentos. Pela projeção que damos ao Bah no corredor contrário, não sendo muito projetado, e depois numa primeira fase de construção, da forma como o usamos, como disse e bem, podendo partir de uma linha mais atrasada e para ser o terceiro homem a chegar no nosso triângulo no corredor. A chave da primeira parte senti que estava muito por ali. Não fomos tão acutilantes no corredor direito, faltou-nos um pouco mais das nossas combinações no corredor direito e o Estoril, como disse, acabou por marcar quase individualmente o Leandro [Barreiro] e fez uma linha de seis, tentando bloquear a nossa dinâmica de corredor. Conseguimos mais vezes pelo corredor esquerdo, muito pelo terceiro homem que foi aparecendo, que foi o Dahl, numa linha mais atrasada. Estava aí a chave do jogo, na minha opinião: sempre que conseguimos quebrar o médio-ala da linha de 4 médios do Estoril, ele conseguiu criar a superioridade, juntamente com o Sudakov e o Prestianni. Fez um jogo positivo, esteve perto por duas vezes de marcar, numa finalização de fora da área e numa reação após um canto, criou uma situação pelo corredor direito. Mais um jogo positivo. Está a entender cada vez melhor aquilo que pretendemos quando está mais baixo e mais subido no terreno. Tendo extremos e jogadores da frente que consigam criar e ser fortes no 1X1, ele, vindo de uma linha mais atrasada, vai conseguir criar a superioridade que nós queremos. Concordo, foi um jogo bastante positivo do Dahl.

Marco Silva responde ao Bola na Rede: «Tendo extremos e jogadores da frente que consigam criar e ser fortes no 1X1, o Dahl, vindo de uma linha mais atrasada, vai conseguir criar a superioridade que nós queremos»

Marco Silva analisou o encontro da 4.ª jornada que terminou com a vitória do Benfica sobre o Estoril Praia. Treinador respondeu ao Bola na Rede.

Na quarta jornada da Primeira Liga, o Benfica recebeu e venceu o Estoril Praia por 2-1. O Bola na Rede esteve no Estádio da Luz e, no final do jogo, teve a oportunidade de colocar uma questão a Marco Silva, treinador dos encarnados.

Lê também a pergunta e respetiva resposta de Vasco Matos, técnico dos canarinhos.

Bola na Rede: O Dahl tem feito um início de temporada em crescendo, quer mais baixo, quer também com projeções interiores. Como é que esta posição, não tanto como jogador de corredor, mas mais por dentro, permite auxiliar o jogador a exprimir-se de melhor maneira e em que é que este posicionamento e estas entradas por dentro permitem ajudar o Sudakov e o Prestianni, interior e extremo esquerdos, a aumentar o seu rendimento?

Marco Silva: É um jogador inteligente e eu concordo, tem vindo a subir, não só fisicamente, como é normal no início de temporada, mas acima de tudo pelo que nós queremos que ele dê à equipa em alguns momentos. Pela projeção que damos ao Bah no corredor contrário, não sendo muito projetado, e depois numa primeira fase de construção, da forma como o usamos, como disse e bem, podendo partir de uma linha mais atrasada e para ser o terceiro homem a chegar no nosso triângulo no corredor. A chave da primeira parte senti que estava muito por ali. Não fomos tão acutilantes no corredor direito, faltou-nos um pouco mais das nossas combinações no corredor direito e o Estoril, como disse, acabou por marcar quase individualmente o Leandro [Barreiro] e fez uma linha de seis, tentando bloquear a nossa dinâmica de corredor. Conseguimos mais vezes pelo corredor esquerdo, muito pelo terceiro homem que foi aparecendo, que foi o Dahl, numa linha mais atrasada. Estava aí a chave do jogo, na minha opinião: sempre que conseguimos quebrar o médio-ala da linha de 4 médios do Estoril, ele conseguiu criar a superioridade, juntamente com o Sudakov e o Prestianni. Fez um jogo positivo, esteve perto por duas vezes de marcar, numa finalização de fora da área e numa reação após um canto, criou uma situação pelo corredor direito. Mais um jogo positivo. Está a entender cada vez melhor aquilo que pretendemos quando está mais baixo e mais subido no terreno. Tendo extremos e jogadores da frente que consigam criar e ser fortes no 1X1, ele, vindo de uma linha mais atrasada, vai conseguir criar a superioridade que nós queremos. Concordo, foi um jogo bastante positivo do Dahl.

Vasco Matos responde ao Bola na Rede: «O Benfica deixa o Dahl mais baixo e constrói a 3, para explorar o 1X1 do Prestianni. Estivemos muito bem e condicionámos muito bem o Benfica nesse momento»

Vasco Matos analisou o encontro da 4.ª jornada que terminou com a vitória do Benfica sobre o Estoril Praia. Treinador respondeu ao Bola na Rede.

Na quarta jornada da Primeira Liga, o Benfica recebeu e venceu o Estoril Praia por 2-1. O Bola na Rede esteve no Estádio da Luz e, no final do jogo, teve a oportunidade de colocar uma questão a Vasco Matos, técnico dos canarinhos.

Lê também a pergunta e respetiva resposta de Marco Silva, treinador dos encarnados.

Bola na Rede: Como sempre, o Benfica colocou muita gente na zona entre linhas, próxima dos médios do Estoril Praia. Como procurou defender esta zona, quer pelo papel dos defesas, quer pela repartição de espaço dos médios, fazer face à presença e sobrecarga do corredor central pelo Benfica?

Vasco Matos: Mudámos para uma linha de cinco, com os centrais a ir buscar esses homens entre linhas e a acompanhar depois, do lado direito do Benfica, onde há sempre uma dupla rutura. Obrigava o central a ir e o médio a acompanhar essa rutura e o médio do lado contrário a fechar o corredor central, a zona à entrada da área, e aí fomos competentes. Do lado contrário, o Benfica não mete tanta gente, deixa o Dahl mais baixo e quase que constrói a três, para explorar o 1X1 do Prestianni, para vir para dentro de pé direito. Estivemos muito bem e condicionámos muito bem o Benfica nesse momento. Não senti grande perigo. Mesmo o golo do Benfica é de um ressalto. Depois, o Benfica tentou explorar algumas bolas nas costas da linha defensiva, principalmente do lado do Fernando [Medrano] que é um jogador com menos altura, mas a gente foi resolvendo isso bem. Um pouco por aí. Os centrais a ir buscar entre linhas e acompanhar as ruturas, o médio do lado direito [que pega no Barreiro] também, porque há sempre duplas ruturas. O lado esquerdo do Benfica tem uma dinâmica diferente, e aí também estivemos bem.

FC Porto oficializa lateral esquerdo que vem da Premier League: eis os detalhes

Souza é o mais recente reforço do FC Porto. Defesa brasileiro chega ao Dragão por empréstimo do Tottenham até ao final da temporada.

Souza é oficialmente jogador do FC Porto. Através do seu site, os dragões informaram que chegaram a acordo com o Tottenham para um empréstimo válido de uma temporada até 30 de junho de 2027. O negócio não inclui cláusula de opção de compra.

«O FC Porto chegou a acordo com o Tottenham Hotspur para a cedência a custo zero, a título de empréstimo válido até 30 de junho de 2027, dos direitos de inscrição desportiva de Souza. O acordo não inclui opção de compra do atleta e os encargos salariais ficam a cargo do FC Porto. O Clube declara que esta cedência não contou com qualquer intervenção de intermediação», pode ler-se no site oficial do FC Porto.

Souza é um lateral esquerdo brasileiro de 20 anos que joga preferencialmente com o pé esquerdo e tem 1,83m. Na última época, o jovem registou quatro partidas ao serviço do Tottenham.