Jude Bellingham tem agora os mesmos golos do que Pelé com 23 anos ou menos em Mundiais. Ambos marcaram sete vezes.
Jude Bellingham foi o principal destaque da Inglaterra frente à Noruega, ao bisar e garantir a reviravolta na partida. Segundo os dados do Opta, o médio inglês igualou o número de golos de Pelé, em Mundiais, com 23 anos ou menos.
Tanto Jude Bellingham como Pelé marcaram sete golos em Mundiais com 23 ou menos. Só há um jogador que fez mais golos nesse registo: Kylian Mbappé (12), que, entretanto, já tem 27 anos.
Quanto ao jogo em si, a Inglaterra venceu a Noruega por 2-1 e qualificou-se para as meias-finais do Mundial 2026, onde irá encontrar agora a Argentina. A seleção albiceleste eliminou a Suíça no prolongamento.
23 – Most @FIFAWorldCup goals scored by players while aged 23 or younger:
Miguel Cardoso, treinador do Mamelodi Sundowns, reagiu à morte de Jayden Adams. O técnico português orientou o antigo médio no clube sul-africano.
Miguel Cardoso reagiu com profunda consternação à morte de Jayden Adams, médio sul-africano que orientou nas últimas duas temporadas no Mamelody Sundowns. Em declarações a O JOGO, o treinador português recordou o antigo jogador com emoção:
«Era um menino fantástico, um doce de pessoa, incrivelmente afável e terno. Trata-se de uma perda irreparável para todos como pessoa e como jogador. É um momento terrível para a equipa e para o clube», afirmou Miguel Cardoso.
Jayden Adams iniciou a carreira no Stellenbosch antes de se transferir para o Mamelody Sundowns. Internacional pela África do Sul em 15 ocasiões, participou em três jogos no Mundial 2026 e integrou ainda a seleção que conquistou o terceiro lugar na Taça das Nações Africanas de 2024.
Lionel Messi mostrou-se desagradado com João Pinheiro durante o encontro entre Argentina e Suíça, dos quartos de final do Mundial 2026.
A Argentina apurou-se para as meias-finais do Mundial 2026, ao vencer a Suíça por 3-1, mas houve um episódio entre Lionel Messi e o árbitro português João Pinheiro que não passou despercebido. Durante a primeira parte do encontro, o capitão da seleção argentina dirigiu-se ao juiz de 38 anos e pediu-lhe mais respeito na forma como se dirigia a si.
«Fala bem comigo, não me desrespeites. Comigo fala bem, eu falei contigo com respeito», disse Lionel Messi a João Pinheiro durante a primeira parte da partida.
Recorde-se que João Pinheiro foi o único árbitro português presente no Mundial 2026 e acabou nomeado para este encontro dos quartos de final. Alexis Mac Allister, Julián Álvarez e Lautaro Martínez marcaram os golos da Argentina, enquanto Dan Ndoye fez o tento da Suíça.
Eis o vídeo da conversa entre Lionel Messi e João Pinheiro:
Com a transferência para o Atlético Madrid, Morten Hjulmand tornou-se o segundo jogador dinamarquês mais caro de sempre.
Morten Hjulmand tornou-se no segundo jogador dinamarquês mais caro da história. A transferência do médio de 27 anos para o Atlético Madrid, por 40 milhões de euros fixos, acrescidos de cinco milhões por objetivos, apenas foi superada pela venda de Rasmus Hojlund da Atalanta para o Manchester United, em 2023.
O internacional dinamarquês ultrapassou Matt O’Riley, contratado pelo Brighton ao Celtic por 30 milhões de euros, valor que pode ascender aos 35,6 milhões mediante objetivos. Jesper Lindstrom, Christian Eriksen, Jannik Vestergaard, Joachim Andersen e o ex-Sporting Conrad Harder completam a lista das maiores transferências de jogadores dinamarqueses.
Depois de três temporadas em Alvalade, Morten Hjulmand contabilizou um total de 141 jogos, e apontou 10 golos e 12 assistências com a camisola do Sporting.
Eis a lista dos jogadores dinamarqueses mais caros de sempre:
O Al Ahli pretende fechar a contratação de Francisco Trincão nas próximas 24 a 48 horas e já tem os exames médicos do internacional português planeados.
Francisco Trincão está muito próximo de deixar o Sporting, ao fim de quatro épocas em Alvalade. De acordo com o jornalista Ben Jacobs, o Al Ahli pretende fechar a contratação do internacional português nas próximas 24 a 48 horas.
Caso a transferência se concretize, o Sporting poderá encaixar cerca de 50 milhões de euros com a venda de Francisco Trincão. Recorde-se que, no início do mercado de verão, os leões garantiram a contratação de Rodrigo Zalazar ao SC Braga por 30 milhões de euros.
Al-Ahli are hoping to reach a full agreement with Sporting in the next 24-48 hours. Saudi side confident and have medical plans in place.⬇️ https://t.co/KAXQeLIXmA
Leonardo Jardim foi questionado sobre o interesse do FC Porto em Daniel Sales, após o triunfo do Flamengo frente ao Benfica.
Leonardo Jardim marcou presença na sala de imprensa, na sequência da vitória do Flamengo por 2-1 frente ao Benfica, em jogo de preparação. O treinador do conjunto rubro-negro comentou o alegado interesse do FC Porto em Daniel Sales:
«Temos uma formação com muitos jogadores que despertam interesse, não só o Sales. Mas o interesse é emprestar e ver o jogador, e o Flamengo não quer isso. Se acontecer queremos a retribuição. É um tema que está com o José Boto e o nosso presidente», afirmou Leonardo Jardim.
Leonardo Jardim analisou o triunfo do Flamengo frente ao Benfica por 2-1, no particular disputado no Estádio do Algarve.
O Flamengo venceu o Benfica por 2-1 e conquistou o Troféu do Algarve, no terceiro jogo de preparação das águias para a temporada 2026/27. No final da partida, Leonardo Jardim mostrou-se satisfeito com a exibição do Flamengo e considerou que o triunfo foi inteiramente justo.
«O Flamengo está habituado a jogar para ganhar, é importante aliarmos aquilo que pretendíamos ao resultado desportivo. O primeiro objetivo era treinar os nossos conceitos, as nossas ideias e não ganhar… vocês conhecem o Flamengo. Hoje se nós tivéssemos ganho o jogo e tivéssemos todos atrás da linha da bola e dessemos um pontapé na frente e acontecesse por acontecer, não. Não é assim que queremos ganhar, mas dentro daquilo que são as nossas ideias de jogo. O Rossi teve duas intervenções, o guarda-redes adversário teve muito mais, acho que o resultado é extremamente justificado por aquilo que as equipas praticaram. E já agora quero também desejar sorte ao Benfica para o próximo jogo da Liga Europa».
O técnico português agradeceu destacou a forte presença dos adeptos rubro-negros no Estádio Algarve:
«Eu estava a falar com o presidente Rui Costa antes do jogo e ele estava a salientar isso. A capacidade que o Flamengo tem de aglutinar pessoas, principalmente imigrantes que estão em Portugal a trabalhar, alguns de férias com certeza, mas a maioria a trabalhar. Por isso é uma satisfação muito grande. Não é só pela vitória, mas é para eles, dar-lhes a vitória, ganhar o título, estar a apoiar a equipa e acabar com um final feliz. Com certeza que ficamos satisfeitos e muito agradecidos por estas pessoas virem cá, comprarem os bilhetes, e alguns não eram baratos, somente para ver os seus ídolos e para ver o seu clube dentro do campo».
Questionado sobre os incidentes da primeira parte, Leonardo Jardim revelou que foi alvo de uma provocação por parte de um elemento do Benfica:
«Eu sou uma pessoa muito calma, muito respeitosa. Normalmente no futebol muitas vezes criticam-me por a minha atitude calma, respeitosa, mas não admito que ninguém me falte ao respeito ou que me assalte o banco para me faltar o respeito, quando eu nem falei. Estava ali a observar o jogo, que é esse o meu trabalho, para tomar as melhores decisões. Queria-me aproximar da pessoa para responder, só que os cobardes fogem. Ele fez e depois fugiu e outras pessoas intervieram e eu disse não me agarrem porque eu não gosto que ninguém me agarre. Agarra-me só a minha mulher e o meu filho. E a malta ficou ali um bocadinho assim, mas não foi nada de especial. Tenho uma grande relação ali com algumas pessoas, mas esse desconhecido, eu nem sei bem quem ele é. Tenho ali pessoas amigas, o Marco [Silva] é uma pessoa de muitos anos de amizade, o Ricardo [Rocha], são pessoas do futebol e perceberam».
O treinador português acredita que a próxima edição da Primeira Liga voltará a ser bastante equilibrada:
«Será uma luta a três, com o meu SC Braga sempre a espreitar. Espero que seja um bom campeonato. Mudou de campeão este ano, com o FC Porto a ganhar o campeonato. Espero que essa competitividade entre os três mais o SC Braga, proporcione um bom campeonato para os adeptos, mas com emoção e sem casos, porque o futebol não precisa de casos».
Leonardo Jardim mostrou-se satisfeito por ver Jorge Jesus a assumir o comando da Seleção Nacional:
«Fico feliz por ele assumir a seleção. A seleção voltar a ter um treinador português, era uma coisa que me batia sempre. Nós, como portugueses, temos treinadores por todo o lado do mundo, treinadores extremamente competentes e acho que uma aposta num selecionador português era fundamental e importante para dar confiança àquilo que temos feito em Portugal na formação de treinadores e àqueles jovens que estão a começar e a acreditarem que realmente o país acredita nos seus treinadores».
O técnico explicou ainda que a entrada de Gianluca Prestianni mexeu emocionalmente com os seus jogadores e voltou a abordar a polémica junto aos bancos:
«Aumentou a parte emocional da minha equipa, devido ao caso que aconteceu num passado recente entre ele e um jogador brasileiro. Mas, ao intervalo, eu falei com os jogadores e disse que vamos jogar o nosso futebol. O que aconteceu, com certeza, nós não apoiámos, mas estamos aqui para jogar contra o Benfica, para eles também treinarem bem, nós treinamos bem e para ter um vencedor com mérito no fim. Na segunda parte acalmamos um pouco e em relação à minha situação, não estou de acordo, porque não tive nada a ver com isso. Tem a ver com uma pessoa mal educada e mal formada que vai ter com outra pessoa e agride verbalmente e eu não estou para meias medidas, não é? Eu queria me aproximar para falar com ele, só que, como eu já disse, ele tão rápido se aproximou, que mais rápido fugiu. Talvez seja pela minha cara que não é muito bonita e ele fugiu».
Por fim, Leonardo Jardim fez um balanço positivo da preparação realizada em Portugal:
«Eu acho que este grupo, em termos de trabalho, dedicou-se. Com certeza que nós estando juntos e trabalhando diariamente, existem sempre aspetos que nós melhoramos. E eu acho que é importante que nós tivéssemos aproveitado estes três jogos que fizemos para crescer, para ganhar ritmo de jogo, para que estejamos preparados para o segundo semestre. Com certeza que os jogos foram todos diferentes. Houve jogos em que tivemos mais a bola, outros mais equilibrados, outros em que houve mais transição. Mas acho que passamos por vários aspetos e é importante também saber jogar nos diferentes momentos do jogo que tem vários durante os seus 90 minutos. Estou satisfeito principalmente pelo comportamento e pela atitude».
Erling Haaland deixou rasgados elogios a Jude Bellingham, que ajudou a Inglaterra a garantir um lugar nas meias-finais do Mundial 2026.
A Inglaterra derrotou a Noruega por 2-1 nos quartos de final do Mundial 2026, mas Erling Haaland não deixou de tecer rasgados elogios a Jude Bellingham, antigo companheiro de equipa no Borussia Dortmund. O internacional inglês assinou um bis e foi decisivo no apuramento da seleção dos Três Leões para as meias-finais, merecendo palavras de grande admiração por parte do avançado do Manchester City:
«O Real Madrid e a seleção inglesa têm muita sorte em contar com Jude Bellingham. Toda a gente gostaria de ter Jude Bellingham na sua equipa», afirmou Erling Haaland.
Apesar da eliminação, a Noruega encerrou a sua participação no Mundial nos quartos de final, depois de ter terminado o Grupo B no segundo lugar e de ter eliminado a Costa do Marfim e o Brasil na fase a eliminar da competição.
🫂 Erling Haaland: “Real Madrid and England are lucky to have Jude Bellingham, and everyone want Jude Bellingham on their team”.
Quando o árbitro apitou, os olhares colocaram-se nas bancadas, não no campo. Já todos esperavam o momento de união entre jogadores e adeptos ao som de Wonderwall, a marca distintiva de Inglaterra neste Mundial 2026, onde o It’s Coming Home vai ganhando cada vez mais razão para existir. Talvez, na ânsia desse momento, poucos esperavam que, depois, ainda viria um mais importante. Depois do Hey Jude em campo, também o Hey Jude para as bancadas. Bem que podem ser feitos os agradecimentos a Jude Bellingham.
Por mais que haja méritos, alterações e outros destaques, só por Jude Bellingham se consegue explicar a vitória de Inglaterra. Está a fazer um Mundial 2026 de candidato a melhor jogador do torneio e voltou a aparecer para brilhar. Acima de qualquer questão técnica ou tática, está o sentido de responsabilidade e a capacidade para se impor nos contextos mais delicados e, teoricamente, complicados. Há uma base mental muito forte em Jude Bellingham e, a partir daí, o príncipe inglês reage às adversidades coletivas.
É um médio para chegar a zonas de finalização. Até por isso, esta função como 10, mais perto da área, potencia os seus pontos fortes. Conseguir sê-lo com Harry Kane, um avançado que procura deixar a área para vir atrás jogar e lançar os homens da frente, é um complemento que beira a perfeição. A capacidade de enquadrar os dois jogadores mais talentosos deixa Inglaterra mais próxima de vencer e, consequentemente, do título tão sonhado. Nunca uma seleção tinha tido dois jogadores a ultrapassar a barreira dos seis golos. Diz muito sobre o sonho inglês.
Fonte: Federação Inglesa de Futebol
Para lá do sentido de responsabilidade e do papel perfeito, como elemento de rutura e forte presença na área para finalizar, é um jogador com forte sentido tático, na ocupação dos espaços, e condições técnicas sublimes. Talvez por não ser o mais driblador ou irreverente em espaços curtos se tenha tentado, em tantos momentos, desacreditar tudo o que o médio oferece também com a bola no pé. Para lá da técnica do remate, impressiona a forma como consegue prepará-lo. O primeiro golo, pela condução e drible, tem um sentido estético importante.
O jogo nem teve a melhor sequência para Inglaterra que, em vários momentos, deixou a Noruega crescer e assumiu esse risco. Podia ter ido para o intervalo a perder por 2-0, fosse Alexander Sorloth mais astuto num dos lances chaves do jogo, mas foi com um agradável 1-1. Na segunda parte não precisou de ser superior para, não se livrando dos sustos que as bolas paradas provocariam sempre, manter o resultado controlado. Feriu no prolongamento. Já contra o México soube segurar o resultado. Diante da RD Congo conseguiu, depois de muitas dificuldades, ir atrás dele. Há uma maturidade competitiva que se vai tornando no principal traço de personalidade da seleção. Não é coisa pouca numa competição curta.
Thomas Tuchel, a partir do banco, também esteve bem nas substituições. Declan Rice estava condicionado e saiu ao intervalo. Noni Madueke deu o lugar a Bukayo Saka e a criatividade foi exponenciada. Quando Stale Solbakken mexeu nos extremos, não demorou muito a trocar e refrescar os laterais. Um destes, o patinho feio Djed Spence, aproveitou o cenário de campo aberto para ameaçar. No forcing final, lançou Dan Burn para segurar. Só falhou quando meteu Jude Bellingham numa dança de posições, puxando-o para trás para lançar Eberechi Eze. Soube corrigí-lo a tempo, com Reece James, antes médio, a fazer o 10 regressar à sua zona e, depois, com Morgan Rogers para permitir variabilidade nos posicionamentos. Chamou sobre si o peso da crítica e tem conseguido reagir. As meias-finais são, por si só, uma recompensa para Thomas Tuchel.
Fonte: Federação Norueguesa de Futebol
A Noruega é a grande sensação ou surpresa, dependendo do nível de expectativas pessoal, do Mundial 2026. Já se esperava que fizesse um bom torneio, mas a chegada aos quartos de final e o caminho convincente até lá, o carisma das bancadas e o futebol demonstrado no relvado vão deixar os homens da remada infinita, um dos momentos da competição, na história. Há muito tempo que não se via a Noruega por estas bandas e, nos próximos anos, há poucos motivos para desconfiar que esta presença não se torne regular.
Impressionante o Mundial de alguns dos talentos noruegueses, quebrando estereótipos e protocolos que resumem o futebol nórdico ao privilégio do físico. Patrick Berg é um médio de muita capacidade e trato com a bola e, desta feita, até foi usado mais como jogador de projeção e com outro peso na chegada à área. Martin Odegaard tem, nesta versão mais solta e liberta de caixinhas posicionais, a sua melhor versão. Impactante em todas as fases e alturas do relvado. Na frente, faltou algo mais de Alexander Sorloth, a maior deceção norueguesa em competição, mas Antonio Nusa, Oscar Bobb e Andreas Schjelderup chamaram sobre si o protagonismo, com a dupla substituição a ficar como uma imagem de marca de Stale Solbakken. Diante da Inglaterra, o extremo do Benfica com uma exibição de captar o olho. Para lá do golo, sendo intencional uma obra de arte plena de oportunismo, fez um ótimo jogo do ponto de vista do compromisso.
Faltou mais de Erling Haaland na despedida. Fez um torneio de alto nível, como porta-estandarte da seleção, mas não apareceu contra a Inglaterra. Não que isso apague ou menorize o impacto do avançado no jogo norueguês e na preparação estratégica adversária. Tem 62 golos em 55 jogos por uma seleção sem o estatuto de tantas outras. Saiu ao intervalo do prolongamento, provavelmente com queixas físicas, mas não viu a marca deixar o torneio. A Noruega de Erling Haaland – e muito boa companhia – está aí e, quase de certeza, não foi um erro no percurso.
Se na fase de grupos a Argentina competiu e jogou um bom futebol, desde que o Mundial 2026 começou a eliminar, que a alegria e o futebol argentino se vem dissipando. Não foram novas as dificuldades, mas foram novamente colocadas no caminho da albiceleste por uma Suíça que, tal como Cabo Verde e o Egito, tem argumentos coletivos para se defender bem e de forma organizada e um diferencial extra de talento na frente. Um acaso, entre o deslumbramento e a estupidez, colocou o jogo nas mãos argentinas. Sem ele, é difícil imaginar o que o jogo poderia dar.
Há, no jogo argentino, três grandes lacunas, todas elas bem evidentes diante da organização da Suíça, que não se limitou a defender a área, mas que também procurou competir e pressionar alto, retirar o peso da capacidade para ter bola aos argentinos e ameaçar a baliza às ordens de Emiliano Martínez. Nos entretantos, não houve Lionel Messi ao nível do costume. Para piorar, sente-se cada vez mais que os minutos extra – já 60 nesta caminhada – e a ausência de gesta nesta fase do torneio estão a ter consequências.
A forma como a Argentina tem gerido vantagens tem deixado espaço aos adversários para sonhar. Já tinha acontecido contra Cabo Verde, repetiu-se, de forma ainda mais declarada, contra a Suíça. Ao invés de dar conforto para crescer sem a pressão de ter de marcar, o golo madrugador tirou à Argentina qualquer senso coletivo na capacidade de ter bola e elevou a formação helvética a um patamar de seleção dominante. O golo do empate surgiu aos 67 minutos, mas já se cheirava há que tempos. Esta sensação não é positiva.
Fonte: Federação Argentina de Futebol
Com bola, há uma incapacidade nova para gerar ameaças. A fluidez na circulação continua, em espaços, a existir, mas deu lugar a uma posse que, quando acontece, é estéril e sem grande rumo. Lionel Scaloni não tem dado novos incentivos à equipa – Thiago Almada foi para o banco, Nico Paz e Valentín Barco são meros espectadores – e a Argentina não consegue gerar perigo. Quando tenta chamar a pressão adversária para soltar na frente, não tem gente veloz e prolífica no aproveitamento do espaço. Quando tenta usar a largura máxima do campo, faltam flanqueadores. Quando eles surgem vindo do banco, o produto final é praticamente inexistente.
Como terceiro fator e, de certa forma, uma consequência dos anteriores, a previsibilidade tem moldado o jogo argentino. A bola circula com um destino: Lionel Messi. É a segurança para todos os males. Para bem da Argentina, apareceu sempre. Mesmo contra a Suíça, o jogo de menor exuberância neste Mundial, garantiu uma assistência importante logo no início do jogo. Para mal da Argentina, desta vez não deu para tudo. Também por aí se explica que, quase meia hora em vantagem numérica na partida, não tenha chegado para a seleção sul-americana resistir ao prolongamento.
Não havendo Messi, há quatro destaques claros no jogo argentino que terminou já algo descaracterizado, com apenas um médio em campo e três pontas de lança a flutuar para tentar criar alguma coisa. Defensivamente, Lisandro Martínez chegou onde conseguiu e limpou quase tudo. Brutal o nível defensivo que tem mostrado, para lá do que oferece com bola. A entrada de Leandro Paredes estabiliza a Argentina em vários momentos. Não resolve nada sozinho, mas com bola garante sentido às posses e é uma referência posicional importante no momento sem bola. Thiago Almada entrou bem vindo do banco como agitador. Não estava em grande, mas a forma como passou de titular a pouco utilizado é estranha. Por fim, Julián Álvarez. Apareceu finalmente, bem para lá do grande golo que marcou e que, na prática, decidiu o jogo. Também sabe fazer o trabalho sujo na pressão e na ocupação de espaços e na forma como procura gerar jogo a partir de muito pouco. Tinha dado muito pouco neste Mundial, mas apareceu no momento chave. A transferência para o Barcelona não se conquista sozinha.
Fonte: Federação Argentina de Futebol
A expulsão de Breel Embolo marca o jogo da Suíça. Não retirou capacidade de competir, mas tornou as condições completamente diferentes. De resto, não há qualquer defesa que se possa fazer ao avançado ou qualquer crítica ao trabalho do VAR ou do árbitro João Pinheiro. Corrigiu o erro e o segundo amarelo expulsou o avançado. Numa era da tecnologia, simulações destas são um pedido para ver um cartão. Não estava a fazer um jogo de grande definição ofensiva, mas nenhum dos golos falhados tem comparação possível com a forma como deixou a Suíça com menos um jogador de forma escusada. No futebol, as decisões têm um período temporal bem abaixo do segundo. Esta, foi a pior que o avançado podia ter tomado. E, se os remates, passes, desmarcações, têm sempre compreensão, uma simulação descarada deixa de a ter.
Até lá, superioridade clara da formação helvética. Só mesmo tamanha ineficácia e falta de acerto na definição impediram que o golo do empate surgisse mais cedo. Quando Dan Ndoye abraçou a simplicidade e as tabelas, esse primeiro reduto do futebol das academias e reduto predilecto do futebol das ruas, foi feliz. Já Fabian Rieder por dentro e Djibril Sow tinham provocado problemas com a pressão, já a Suíça tinha sido capaz de se implementar no meio-campo ofensivo e já Granit Xhaka – sempre uma dúvida para a Argentina perceber se devia pressioná-lo individualmente (Enzo Fernández) deixando espaço para o passe ou abdicar da pressão, mas abrindo o campo – tinha desfilado. Dá aulas de liderança através do passe. Com Johan Manzambi e Ruben Vargas nas melhores condições, a história poderia ter sido outra.
No momento da resistência, houve dedo de Murat Yakin. Rapidamente colocou Djibril Sow como ala esquerdo para garantir o preenchimento da área em 5-3-1. Refrescou os corredores, meteu Denis Zakaria por dentro para preencher a área e, quando a Argentina se começou a desequilibrar, lançou Jashari para tentar acionar Zeki Amdouni. Só o pacto da Argentina (com Deus ou o Diabo, ambas ou nenhuma poderão estar certas) e o tempo de ataque descomunal, natural dadas as circunstâncias, levaram a um desfecho diferente. Até lá, Gregor Kobel apareceu por todo o lado. Se não é o melhor guarda-redes do Mundial, pelo menos a chegar a uma fase tão adiantada, não andará muito longe.
A FIFA separou os quatro países mais bem classificados no Ranking e teve o caminho definido. Meias-finais do Mundial 2026 cumprem a lógica dos mais fortes.
Já estão definidas as meias-finais do Mundial 2026. França x Espanha e Inglaterra x Argentina têm encontro marcado no último passo antes da final da prova… uma definição que vai de encontro com o regulamento da FIFA.
No sorteio da fase de grupos, a FIFA determinou que, no cruzamento dos grupos na fase a eliminar, as quatro seleções mais bem classificadas no Ranking FIFA, só se poderiam defrontar nesta fase caso terminassem os grupos, como seria de esperar, na primeira posição.
Foi precisamente isso que se sucedeu com todas as envolvidas: terminaram a fase de grupos no 1.º lugar e ultrapassaram três fases a eliminar antes de chegar às meias-finais. Aí, jogarão as quatro melhores seleções de acordo com o Ranking FIFA.