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João Aroso e as referências na carreira: «Há um antes e depois de José Mourinho»

João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico destacou o papel de José Mourinho.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico falou em referências e destacou o papel de José Mourinho.

«Falando do treino, em primeiro lugar é imperioso falar de José Mourinho. Quando comecei, coincidiu com ele. Também fazer uma referência a Carlos Queiroz. Quando comecei, era mais Carlos Queiroz. Isto no meu início mesmo. José Mourinho tem um contributo enorme para aquilo que é o desenvolvimento da qualidade do treino no futebol, o desenvolvimento da forma como se olha para o jogo, o desenvolvimento da qualidade do jogo… não falo somente em Portugal. O impacto dele foi transversal e que se estendeu a muitos países. Ele ter estado em várias ligas, nas mais importantes, ajudou. A evolução começou logo aí, foi uma evolução muito clara. Há um antes e depois de José Mourinho. Há outros nomes. O Guardiola tem um impacto muito grande. Ele aparece em 2008 e como treinador principal do Barcelona, onde introduz uma marca fortíssima. É evidente que já havia Rinus Michels antes, eu sei. Mas dentro daquilo que eu já conseguia acompanhar, acho que estes dois treinadores foram marcantes no desenvolvimento do treino e do jogo. A partir daí foi um beber da parte de muitos treinadores, com outras influências. Estes dois foram marcantes. Hoje em dia, cada vez mais, olha-se para o treino em função (ainda que não seja de agora) de como queremos jogar. Olhamos cada vez mais assim para isto. Quanto mais nós conseguirmos reproduzir no treino a forma como queremos jogar, naquilo que é de facto a parte fundamental do treino, mais nós estaremos a treinar com qualidade e a ser efetivos naquilo que fazemos, na minha opinião. Existe também uma intervenção do sports science, nomeadamente no âmbito da prevenção de lesão, da potenciação, que, desde que não haja inversão de prioridades, desde que seja muito claro que a prioridade tem que ser pensar no treinar futebol, no preparar a equipa para jogar o jogo que nós queremos e preparar o jogador, mesmo com trabalho individual do ponto de vista técnico-tático para melhorar as suas capacidades, para jogar, para desempenhar a sua função dentro do jogo que nós queremos jogar, desde que esteja estabelecido que a prioridade é essa, passa a existir um espaço importante de auxílio, desde que não induza um ruído, mas traga uma informação relevante, são obviamente bem vindos e acrescentam ao que é a preparação de uma equipa», explicou

toda a entrevista de João Aroso.

João Aroso recorda passagem pelo Vitória SC e revela: «Estive muito perto de ir trabalhar para o Leicester City»

João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico português falou no papel do Vitória SC e revelou um convite do Leicester City.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico recordou a passagem pelo Vitória SC e falou nos convites que recebeu.

«Posso dizer, a esta distância, estive muito perto de ir trabalhar para o Leicester City. Era um contexto de direção técnica de academia, fiz entrevista. Fui o candidato eleito, numa situação ainda antes do Brexit, em 2019. Incrivelmente, por decisão do futebol do clube, fiquei sem o lugar, já que ele achou que devia ser um britânico e não trazer alguém de fora. Eu tinha siso o eleito num processo de várias entrevistas. Houve outras situações. Estive perto de treinar a seleção olímpica da Austrália, igualmente por entrevista. Também estive próximo, mais do que uma vez, de ter treinado uma equipa B de um grande clube português. Esteve para acontecer por duas ou três vezes. Gostava que tivesse acontecido, mas não vou referir qual o clube. Estas coisas foram acontecendo e isso fazia com que eu evitasse dar outros passos que eram menos interessantes, pelo menos para mim. No entanto, senti que tinha de voltar a treinar e o Moreno convidou-me diretamente para trabalhar com ele como adjunto, naquela configuração especial que se vivia. O Moreno não tinha as habilitações da UEFA Pro e eu tinha. Essa foi a razão que me fez recusar o convite umas 10 vezes. Eu não me revia num contexto em que poderia sequer pensar-se que eu estava a fazer um papel burocrático. Recusei de forma clara e convicta. Eu agradeço ao Moreno, já que foi um gosto enorme trabalhar no Vitória SC. Fico contente por ele não ter desistido e ter-me feito acreditar que queria a minha colaboração para muito mais. Foi isso que me fez aceitar, foi ele ter-me feito perceber que queria muito a minha colaboração de uma forma muito abrangente. Foi isso que fez com que rumasse ao Vitória SC. Tudo isto associado ao clube que é. Foi uma experiência muito boa. Gostei muito de trabalhar naquela instituição. Fico muito contente porque quando vou lá sou muito bem recebido, inclusivamente pelo adjunto. Acabei também, por fazer as declarações na flash interview, por ter um mediatismo um bocadinho maior para um treinador adjunto. Foi um período muito enriquecedor para mim também e que me fez crescer muito. O Vitória SC é um clube de uma exigência enorme, também ao nível interno. Era uma fase difícil, como todos se recordarão. O objetivo do Vitória SC para aquela época não tem a ver com as ambições que geralmente existem, estava um patamar baixo. Isto era fruto da condição financeira dramática em que a equipa se encontrava. Levou a uma aposta que me fez lembrar os tempos de Sporting. Havia necessidade, mas também qualidade, e por isso apostou-se na formação. Saíram miúdos de grande qualidade, como o André Amaro, o Bamba, o Dani Silva, o Tomás Handel, ainda que mais tarde devido a lesão. Eu não queria esquecer nenhum, mas estes acabaram por ser aqueles jogadores que se conseguiram afirmar mais. Isto é importante: havia uma estrutura de jogadores mais velhos que deu suporte aos mais jovens, para que eles pudessem emergir. Gostei muito de trabalhar no Vitória SC», destacou João Aroso.

toda a entrevista de João Aroso.

Bodo/Glimt vence antes da receção ao Sporting e segue para os quartos de final da Taça da Noruega

O Bodo/Glimt regressou aos jogos locais na Noruega com uma vitória. Triunfo sobre o Molde na Taça da Noruega antes da receção ao Sporting.

Depois da pausa para o inverno, bem rígido nos países do Norte da Europa, voltou a competição local à Noruega e ao Bodo/Glimt. Nos oitavos de final da Taça da Noruega, o próximo adversário do Sporting na Champions League venceu o Molde por 2-1.

Sondre Auklend (32′ e 73′) é habitual suplente, mas alinhou de início e justificou a aposta. Emil Breivik (69′) ainda chegou a empatar o jogo, mas não foi suficiente para o Molde bater os campeões noruegueses.

Com este resultado, o Bodo/Glimt é a primeira equipa a garantir o apuramento para os quartos de final da Taça da Noruega. Os noruegueses vão receber o Sporting já na próxima quarta-feira, dia 11 de março, na primeira mão dos oitavos de final da Champions League.

João Aroso faz balanço do Euro 2012 e do Mundial 2014 com Portugal: «Depois de 2016 não é fácil valorizar tanto o que nós fizemos em 2012»

João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico estava na equipa técnica de Portugal em 2012 e 2014 e recordou campanhas.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico olhou para o Euro 2012, onde Portugal só perdeu com a Espanha nas meias-finais, e para o Mundial 2014, onde a seleção foi eliminada na fase de grupos.

«Eu lembro-me que a Espanha cilindrou a Itália por 4-0 na final. Isto diz tudo. Nós jogamos contra a grande Espanha, que tinha vencido o Mundial 2010. Era uma das melhores equipas de sempre, seguramente. Jogámos olhos nos olhos contra eles. Não tínhamos a quantidade em qualidade. Isso existe agora. Claro que tínhamos boa equipa, mas não tínhamos uma extensão de plantel. Eventualmente por isso no prolongamento não conseguimos o que estávamos a fazer nos 90 minutos. Aí a Espanha esteve por cima. Ainda assim, acredito que podíamos ter vencido esse Europeu, se tivéssemos vencido a Espanha. Conseguiríamos ter vencido o Euro quatro anos antes. Recordo-me no aeroporto ouvir o João Pinto dizer ‘ainda não estou em mim, não estava preparado para isto’. Ele acreditava que íamos ganhar à Espanha. Claro que depois de 2016, não é fácil valorizar tanto o que nós fizemos em 2012. Mas ainda assim acho que fizemos uma prova muito boa e recordo-me, também com emoção, da chegada a Lisboa e das centenas, para não dizer milhares, de adeptos portugueses que estavam lá para nos receber. Foi um momento fantástico também», destacou o treinador sobre o Euro 2012.

«Foi uma frustração mesmo muito grande. Na altura eu via a possibilidade de Portugal fazer um bom Mundial por todas as razões. O Brasil é o país do futebol e naquela altura ainda olhava para nós como um país menor em termos de futebol. Eu olhava para aquele momento como decisivo de afirmação. Há várias razões, a que referi insere nas razões históricas. Havia relatos de que o Brasil de 1966, vi coisas sobre isso. Na altura diziam que em Portugal a bola era quadrada. Nesse Mundial de Inglaterra houve um Portugal x Brasil. Eu via este Mundial como uma oportunidade fantástica de mostrarmos a nossa qualidade. Também poderiam surgir oportunidades para treinadores portugueses. Nessa altura, não havia. Depois aconteceram mais tarde, por razões que se sabem. As portas foram-se abrindo. Naquela altura, nem por isso. Foi uma frustração também por aí. Nunca há apenas uma razão, há várias. Hoje a esta distância temporal digo de uma forma mais natural, houve questão relacionadas com a nossa aclimatização, que deveriam ter sido feitas de forma diferente. Tínhamos o primeiro jogo em Salvador às 13 horas. O clima era extremamente quente e húmido. Os jogadores portugueses não estão habituados a isso. Estão sim, a temperaturas altas. Mas a esta conjuntura não, e é muito difícil. O segundo jogo era em Manaus, que estava previsto ser às 15 horas, mas passou para as 18 horas, menos mal. Não foi pela dificuldade enorme de jogar naquelas condições, mas ao que soube esteve relacionado com questão de transmissão televisiva. Enfim, coisas mais importantes. Digo isto com ironia, naturalmente. Só o terceiro jogo era em Brasília, num clima ameno e seco. Nós deveríamos ter feito estágio e a aclimatação ao calor e à humidade. Portugal neste Mundial vai ficar em Miami porque tem o terceiro jogo nesse tipo de condições. Fica em Miami e fica muito bem. Na altura tive a oportunidade de transmitir a minha opinião, mas as coisas aconteceram de uma forma diferente. Não foi esta a única razão, há sempre várias que contribuem para que as coisas não tenham corrido bem. Mas tenho para mim, de uma forma clara, que esta foi muito determinante. Eu recordo-me bem da sensação dos jogadores no treino oficial antes do primeiro jogo com a Alemanha. Eles sentiram dificuldades logo ali. Durante o jogo sentiram dificuldades, falaram disso nos jogos. Não estavam preparados para jogar naquelas condições. Não estavam ambientados nem adaptados a esse clima, de todo. Fizemos o estágio em Campinas, interior de São Paulo, com um clima ameno, com uma humidade relativa baixa. A título de exemplo, a Alemanha, que venceu a prova, construiu um hotel na Bahia e teve todas as preocupações em detalhe para se ambientarem ao clima difícil. Eu vejo isto como determinante para o insucesso que tivemos. Mas perguntam-me se ‘não contribuiu um penálti contra nós aos 5’, contra a Alemanha e expulsão do Pepe?’ Eu tenho de dizer que sim. Isso ajudou, mas havia falta de capacidade da nossa parte, de darmos uma resposta melhor por causa da questão da não adaptação climática», vincou a respeito do Mundial 2014.

toda a entrevista de João Aroso.

João Aroso : «João Moutinho tem mesmo tudo para vir a ser um excelente treinador»

João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico elogiou João Moutinho e adivinhou um futuro como treinador ao médio.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico falou de João Moutinho, médio do Braga que orientou no Sporting, e preconizou-lhe um futuro como treinador.

«O João Moutinho, além de ser um excelente jogador, é um excelente profissional. Eu quero vincar isto. Houve algumas dúvidas na história da ‘maçã podre’. Eu não sei o que se passou, não estava lá. Mas o João Moutinho é um dos melhores profissionais com quem trabalhei e uma excelente pessoa. Porém, ele não é fácil para o treinador no treino. Ele consegue contornar as regras do exercício pela ‘ratice’, de maneira a ganhar (risos). Quando lhe dizemos que não pode fazer X, ele diz que nós não dissemos nada, que não dissemos que havia tal regra. E ele é de uma inteligência e de uma esperteza que consegue por vezes matar-nos um exercício. Coloca-nos dificuldades na orientação do exercício, porque ele joga com as regras, respeitando-as, mas contornando-as. É muito inteligente e isso é visível como ele joga. Ele tem tudo para ser treinador, acredito que ele vai querer. Percebe tudo do jogo. Também se relaciona muito bem, as pessoas gostam dele. Tem mesmo tudo para vir a ser um excelente treinador», elogiou João Aroso.

toda a entrevista de João Aroso.

Franjo Ivanovic perde espaço no Benfica e vai gerar discussão sobre o seu futuro no verão

Franjo Ivanovic tem vindo a espaço nas opções de Jose Mourinho. A falta de utilização coloca o avançado em sério risco de falhar o Mundial 2026.

Franjo Ivanovic chegou, neste mercado de verão, ao Benfica a troco de 22,8 milhões de euros proveninete do Union St. Gilloise, mas tarde em afirmar-se de águia ao peito.

O avançado croata não marca desde 17 de dezembro, na vitória sobre o Farense para a Taça de Portugal, data em que foi titular pela última vez. A perda de espaço ficou ainda mais evidente no recente embate frente ao Gil Vicente, no qual o jogador acabou relegado para a bancada, cedendo assim a sua vaga no banco de suplentes ao jovem de apenas 18 anos, Anísio Cabral.

A pouca utilização explica-se, em grande parte, pela afirmação de Vangelis Pavlidis como titular indiscutível na frente de ataque dos encarnados. Ivanovic, quando é utilizado, tem sido testado ocasionalmente como ala esquerda, uma zona que o próprio admite não ser o seu habitat ideal, embora tente dar uma resposta positiva. O reflexo desta dificuldade de adaptação tática espelha-se na sua pouca utilização, somando apenas 25 minutos nos últimos sete jogos.

A contínua falta de utilização pode custar ao avançado croata a presença nos convocados da Croácia para o Mundial 2026. O selecionador Zlatko Dalic já admitiu publicamente as dificuldades em chamar Franjo Ivanovic pelo facto de este «mal jogar no Benfica», ponderando dar a vaga a Dion Drena Beljo, que leva 20 golos pelo Dinamo Zagreb.

Perante este cenário de instabilidade e com uma modesta média de cerca de 22 minutos por desafio na presente temporada, o futuro do avançado será alvo de uma discussão por parte da direção do Benfica no verão de 2026, segundo avança o jornal A Bola.

Franjo Ivanovicno jogo entre Benfica e Estrela da Amadora
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Ex-diretor desportivo do Sevilha revela bastidores da contratação de Lopetegui: «Onze em cada dez não te querem, mas…»

Monchi recordou a polémica contratação de Julen Lopetegui para o Sevilha em 2019. A revelação foi feita pelo antigo dirigente desportivo numa entrevista aos canais oficiais da La Liga.

Monchi, antigo diretor desportivo do Sevilha, revelou numa entrevista aos canais oficiais da La Liga, que a escolha de Julen Lopetegui gerou uma onda de contestação sem precedentes por parte dos adeptos do clube da Andaluzia. Quando a notícia se tornou pública, Monchi, viu-se obrigado a desligar o telemóvel para não se deixar influenciar pelo autêntico massacre de que estava a ser alvo nas redes sociais. Apesar da pressão externa para recuar na operação, a direção manteve a convicção, muito graças ao apoio decisivo do então presidente, José Castro, e do subdiretor-geral, Jesús Arroyo.

«A decisão de trazer Julen foi a mais difícil, pois originou muita polémica. Quando o chamei, disse-lhe: Onze em cada dez não te querem. Mas se estiveres disposto e com vontade, vamos em frente», atirou Monchi.

Esta aposta de alto risco acabou por dar frutos, visto que, Julen Lopetegui conquistou uma liga Europa ao serviço do Sevilha, na época 2019/20.

«Conseguimos títulos, Champions… Foi uma decisão difícil que teve a sua recompensa», relatou Monchi.

O antigo treinador do FC Porto, que orientou os dragões nas épocas de 2014/15 e 2015/16, comandou os destinos da formação do sul de Espanha entre as temporadas de 2019/20 e 2021/22, antes de rumar aos ingleses do Wolverhampton.

Monchi Sevilla FC
Fonte: Sevilha FC

Imprensa inglesa avança: Nuno Espírito Santo processa Nottingham Forest

Nuno Espírito Santo avançou com um processo judicial contra o Nottingham Forest devido ao seu polémico despedimento, segundo revela a imprensa internacional.

A notícia avançada pelo The Athletic, foca-se na forma controversa como a direção do Nottingham Forest conduziu a demissão de Nuno Espírito Santo logo no arranque da temporada.

O português, atual treinador do West Ham, já contratou uma equipa de advogados para lidar com este dossiê, descrito por fontes anónimas como «amargo».

A quebra total de relações ganha contornos complexos devido ao histórico contratual do técnico de 52 anos. Nuno Espírito Santo tinha assinado um novo vínculo de três anos a 20 de junho, como prémio pelo apuramento para a Liga Europa, mas acabou despedido apenas 75 dias depois. O afastamento prematuro foi motivado por desentendimentos com o novo diretor global de futebol, Edu, e com o proprietário Evangelos Marinakis.

Ao leme dos Hammers, o técnico português, tem a difícil missão de garantir a sobrevivência na Premier League, estando em igualdade pontual com o 17º classificado que é, curiosamente, o Nottingham Forest.

João Aroso e a passagem pelo Sporting com muitos jovens lançados: «O Paulo Bento tinha essa coragem e os jogadores também mostraram rendimento»

João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico recordou a passagem pelo Sporting e os jovens treinados.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico recordou a passagem pelo Sporting no início do século e destacou vários jogadores que orientou nos leões.

«Eu lembro-me do Liedson. No início não se imaginava o que poderia vir a ser, nos primeiros treinos. Tinha aquela figura, não é? Muito franzino e levezinho. Inimaginável a história que ele veio a ter, tendo em conta aqueles primeiros tempos. Mas a primeira equipa que eu encontro no Sporting era muito madura, com muitos jogadores mais velhos que eu, outros de idade semelhante. Pedro Barbosa ou Paulo Bento, com quem tive outro enquadramento. Havia o Rui Jorge, o Rui Bento, o Sá Pinto… jogadores com muitos anos de Sporting e que tinham à volta dos 30 anos ou mais. Era uma equipa muito experiente. Mais à frente trabalho com José Peseiro e Paulo Bento. Aí houve uma aposta maior, por necessidade, em jogadores jovens, vindos da Academia. Eu centrava nesses um grande crescimento. Ainda assim, no primeiro ano com o Fernando Santos, lançou-se o Custódio, o Miguel García e o Paíto, de uma forma menos regular, e pouco se fala disto. O Custódio acabou por vir a afirmar-se como um jogador importante no Sporting. Houve o Nani. Mas é importante dizer isto: eu falei de todos estes jogadores, mas é interessante que eu ainda trabalho com o Cristiano Ronaldo durante sensivelmente um mês, até ao jogo com o Manchester United. Ainda trabalho com o Cristiano no contexto Sporting. Dizia anteriormente que houve o Nani e outros jogadores que chegaram a um patamar importante no futebol português. Porém, eu tenho que salientar o João Moutinho. Foi um dos melhores jogadores com quem trabalhei em todos estes anos. Um dos melhores médios de sempre do futebol português. Foi alguém, que com 18 anos, começou a jogar na equipa principal e depois ano após ano, particularmente no período de Paulo Bento, foi talvez o jogador mais importante da equipa. Ele nunca se lesionava, felizmente. Era muito difícil de imaginar aquela equipa sem o João Moutinho. Se me pedes para destacar um em termos de crescimento e desenvolvimento, foi o João Moutinho», enalteceu João Aroso, que falou ainda na aposta na formação.

«Havia qualidade na Academia e havia necessidade. Eles jogavam porque eram melhores que as outras opções que era possível ao clube ir buscar. Quando assim é, e existe a coragem do treinador, neste caso o Paulo Bento, para fazer essas apostas… até poderia haver qualidade e necessidade, mas não haver a tal coragem de aposta em jogadores tão jovens. O Paulo Bento tinha essa coragem. Vinha de treinar os Sub-19, sabia da qualidade que existia e confiava nos jogadores. Proporcionou-se tudo e os jogadores também mostraram rendimento», destacou ainda João Aroso.

O treinador adjunto analisou ainda a passagem a nível de títulos e realçou as conquistas das Taças.

«Conquistámos duas Taças de Portugal e duas Supertaças. Estivemos mesmo muito perto de ser campeões. Até mesmo na primeira época. O FC Porto era treinado pelo Co Adriaanse. Perdemos em casa por 1-0, com um golo do Jorginho e isso matou a possibilidade de conseguirmos ser campeões. Também me lembro de uma outra época. Ao intervalo, o FC Porto que jogava com o Aves em casa, estava empatado. Nós ao intervalo éramos campeões porque era a última jornada. O FC Porto acabou por ganhar ao Aves. Foi uma outra época bastante boa da nossa parte. Mas sentimos que os meios eram desiguais, em termos de orçamentos. O FC Porto durante todos esses anos mostrou-se uma equipa competente. A primeira época com o Adriaanse e depois com o Jesualdo Ferreira. Eram estáveis, competentes. Ficámos sempre em segundo e ganhávamos algumas taças», considerou o técnico.

toda a entrevista de João Aroso.

João Aroso e a situação do Boavista: «É fruto de má gestão, de gente que deveria ser punida criminalmente»

João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico comentou a situação do Boavista.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico recordou o Boavista que se sagrou campeão no início do século e lamentou a situação do clube.

«Era uma equipa que me lembro bem. Vi vários jogos. Para o clube foi muito importante. Trabalhando eu lá, obviamente que vivi com muito gosto tudo o que aconteceu. Era uma equipa que tinha muito mérito. Não era um futebol que me encantava, mas reconheço que se fosse de outra forma se calhar não tinha sido possível. Tinha bons jogadores, mas depois contava com aquele registo que ficou marcado. Aquela agressividade no bom sentido, era uma equipa muito intensa, muito aguerrida e competitiva. Se não fosse assim, não seria possível ficar à frente dos chamados grandes. Obviamente, estes tinham mais qualidade», destacou João Aroso na viagem ao passado, antes de se focar no presente.

«Tenho mesmo muita pena. O Boavista é um clube especial para mim, trabalhei lá cinco anos. Curiosamente, e acho que nunca disse isto publicamente, no mesmo momento em que tenho o convite para ir para o Sporting, também tenho o convite para ir para a equipa sénior do Boavista. Sobre essa questão, lamento muito particularmente pelo Boavista. Ganhei afetividade pelo clube, é um histórico. Tem uma massa adepta que realmente gosta do Boavista, é ferrenha. Fala-se muito dos adeptos do Vitória SC, outro clube com quem eu tenho muita afetividade, que vivem o clube com muita intensidade. No Boavista isto também acontece. Portanto, por tudo isso, é uma pena muito grande. É muito mau para o futebol português não ter o Boavista na Primeira Liga, um Boavista em condições de poder dar continuidade no que é a sua história. Mas eu juntava aqui outros clubes. Não há nenhum clube da dimensão do Boavista em situação semelhante, mas há outros clubes que também já estiveram na Primeira Liga muitos anos e hoje praticamente desapareceram. Tenho pena por todos. Obviamente, isto é fruto de má gestão, de gente que deveria ser punida criminalmente. No Boavista, isto foi muito evidente por várias pessoas que dirigiram o clube. Se um dia vamos voltar a ver a equipa na Primeira Liga? Tenho esperança que sim, mas sei que a situação é extremamente complicada pelas dívidas envolvidas. Era muito importante que o Boavista regressasse à ribalta do futebol português», considerou

toda a entrevista de João Aroso.