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Ricardo Quaresma arrasa exibições de Portugal no Mundial 2026: «A Seleção precisa de vir um treinador que entenda disto»

Ricardo Quaresma criticou a atitude e o rendimento da seleção no Mundial 2026. O antigo internacional pede um novo selecionador.

O antigo internacional português Ricardo Quaresma analisou a prestação da equipa das quinas no Mundial 2026, após a eliminação frente à Espanha, em declarações à LiveMode. O ex-jogador abordou o rendimento individual e coletivo da formação lusa durante a sua eliminação do torneio. Sobre a exibição de um dos elementos da defesa, o ex-atleta expressou a sua opinião através da seguinte afirmação:

«Renato Veiga faz um jogão a quê? A defender? Porque quando quer sair a jogar só faz é porcaria…».

A falta de iniciativa e de personalidade dos futebolistas dentro das quatro linhas mereceu fortes críticas por parte do antigo extremo. O ex-jogador apontou o dedo à atitude passiva do plantel:

«O grande problema aqui é que obviamente há um treinador, mas depois tens de assumir dentro de campo e tens de ser o treinador. (…) Estamos a falar de jogadores que estão num patamar muito elevado, são considerados os melhores do mundo. Eu não posso estar a olhar para o treinador à espera que ele me dê indicações a dizer para onde eu vou ou não vou».

O fraco rendimento dos vários setores da equipa e o comando técnico também não escaparam ao escrutínio do ex-futebolista. O antigo avançado avaliou a situação de Portugal:

«Um meio-campo muito, muito fraco. Um ataque fraco, uma defesa perdida… Eu não posso culpar só o Martínez porque os jogadores também não deram aquilo que tinham de dar».

Para o futuro, o ex-atleta deixou a seguinte exigência:

«A Seleção precisa de sentar, de ver o que está bem e está mal e de vir um treinador que entenda disto».

Luís Montenegro elogia prestação de Portugal no Mundial: «Estivemos ao nível dos melhores, acabámos por não vencer este jogo»

Luís Montenegro elogiou o percurso da seleção no Mundial. O primeiro-ministro falou também sobre Cristiano Ronaldo.

A seleção de Portugal despediu-se do Mundial 2026 após uma derrota por 0-1 frente à Espanha nos oitavos de final da competição. O Primeiro-ministro Luís Montenegro avaliou o percurso global da equipa das quinas através da seguinte declaração:

«O que registo com profundo sentimento de gratidão é que estes atletas demonstraram que estávamos ao nível dos melhores. Estivemos ao nível dos melhores, acabámos por não vencer este jogo, mas não significa que não tenhamos feito um percurso muito favorável e meritório».

O último encontro de Cristiano Ronaldo no torneio reacendeu o debate sobre o papel do capitão no próximo Mundial, a ser organizado por Portugal, Espanha e Marrocos. O governante sublinhou a importância do astro português:

«O Cristiano Ronaldo tem um grande papel a desempenhar para o futebol português, para o desporto português para Portugal. O Cristiano Ronaldo é hoje a maior referência de Portugal e da Portugalidade no Mundo. É um ativo que não podemos de maneira nenhuma desperdiçar na promoção da nossa capacidade e forma de estar no Mundo».

A esperança numa futura colaboração do avançado luso na promoção do país além-fronteiras ficou bem registada na intervenção do líder do Governo:

«Quer no âmbito desportivo e quer no geral, contamos que quando o Cristiano Ronaldo tiver essa disponibilidade, possa dar o seu contributo porque há uma coisa que é muito profunda. O sentimento de Portugal sente-se no Ronaldo, em tudo o que ele faz, no que se vê e no que não se vê. Sofre, sente e é um orgulho enorme de Portugal».

Uma derrota que começou muito antes do golo | Portugal 0-1 Espanha

Portugal caiu nos oitavos de final do Campeonato do Mundo de 2026, ao perder, por 0-1, diante da Espanha, num clássico ibérico decidido apenas aos 90+1 minutos, por Mikel Merino. A Seleção Nacional resistiu durante quase todo o encontro, teve momentos em que ameaçou discutir a eliminatória até ao prolongamento, mas acabou por sucumbir perante uma equipa espanhola que controlou grande parte da partida e encontrou o prémio já nos instantes finais. O desfecho ditou igualmente o fim da caminhada mundialista de Cristiano Ronaldo e encerrou o ciclo de Roberto Martínez à frente da equipa das quinas.

A eliminação de Portugal pertence a um contexto de uma equipa que jogou contra um adversário que foi melhor, mas também à ideia de que o futebol, por muito injusto que, por vezes, possa parecer, costuma castigar quem deixa de acreditar nas suas próprias ideias.

Neste sentido, a Espanha foi superior durante largos períodos, mostrou uma identidade de jogo reconhecível do primeiro ao último minuto e acabou por encontrar aquilo que procurou quase incessantemente. Portugal, em oposição, passou demasiado tempo à espera de que o relógio lhe resolvesse um problema que nunca quis enfrentar de frente.

Ora, perder diante daquela que me parecer ser a melhor equipa coletiva deste Mundial não constitui vergonha alguma. Ser eliminado por uma seleção que sabe exatamente o que quer fazer em cada momento do jogo não diminui ninguém. O problema está muito antes do resultado. Está na forma como Portugal chegou a este encontro, assim como na imagem deixada ao longo de cinco jogos e na sensação de que uma geração absolutamente extraordinária voltou a apresentar muito menos futebol do que aquele que o talento dos seus jogadores permite imaginar.

Roberto Martínez Portugal
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

Deste modo, a diferença entre as duas seleções nunca esteve apenas nos pés dos jogadores. Esteve sobretudo naquilo que cada uma representa enquanto coletivo. A Espanha entra em campo com princípios inegociáveis, no sentido em que quer a bola, quer mandar no jogo e quer empurrar o adversário para trás. E mesmo quando não consegue criar ocasiões claras, continua fiel à mesma ideia, convencida de que será essa insistência a abrir espaços mais cedo ou mais tarde. Portugal fez precisamente o contrário, uma vez que começou equilibrado, organizado e competitivo, mas à medida que os minutos passaram foi aceitando um papel que nunca deveria ser o seu, na medida em que abdicou da iniciativa, entregou o comando ao adversário e passou amplos períodos a sobreviver em vez de competir verdadeiramente pelo jogo.

É exatamente aqui que começa a análise ao trabalho de Roberto Martínez. O espanhol termina o ciclo com uma Liga das Nações conquistada e com números, no geral, interessantes, mas o futebol nunca vive apenas das estatísticas. Vive daquilo que as equipas demonstram quando encontram adversários do mesmo nível. E, nesses momentos, Portugal raramente convenceu. Frente às seleções de maior dimensão competitiva, voltou sempre a existir receio, excesso de prudência e uma incapacidade preocupante para impor aquilo que deveria ser a identidade de uma equipa recheada de jogadores de classe mundial.

Por conseguinte, este Mundial acabou por ser apenas a confirmação de um problema que se vinha arrastando há muito. Portugal nunca conseguiu ser superior à soma das suas individualidades. Muito pelo contrário, em demasiados momentos pareceu exatamente o oposto. Jogadores que brilham semanalmente nos maiores clubes europeus apareceram presos, desconfortáveis e incapazes de transportar para a seleção aquilo que fazem durante toda a época.

É, por exemplo, difícil compreender como um meio-campo onde coexistem Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes consegue produzir tão pouco durante praticamente toda uma competição. Não aconteceu apenas contra a Espanha. Já tinha sucedido diante da República Democrática do Congo, da Colômbia e da Croácia. Quando tantos jogos consecutivos deixam exatamente a mesma sensação, deixa de ser um problema dos jogadores e passa, inevitavelmente, a ser um problema de quem os orienta.

Vitinha parecia constantemente afastado das zonas onde consegue acelerar o jogo. João Neves viu demasiadas vezes o seu raio de ação reduzido a tarefas de perseguição. Bruno Fernandes apareceu perdido entre corredores laterais, longe dos espaços onde verdadeiramente desequilibra. Em vez de potenciar três dos melhores médios da Europa, Roberto Martínez conseguiu torná-los praticamente invisíveis durante grande parte da competição. É um paradoxo difícil de explicar e ainda mais difícil de aceitar.

Enquanto isso, do outro lado, Rodri, Pedri, Dani Olmo e companhia ofereciam exatamente aquilo que um meio-campo deve proporcionar, isto é, mobilidade constante, aproximações curtas, permanentes trocas posicionais e capacidade para atrair adversários antes de acelerar, o que, diga-se, de passagem, não é nada de revolucionário. No fundo, são apenas jogadores colocados em funções que potenciam aquilo que fazem melhor, sendo que a diferença entre as duas equipas nunca esteve na qualidade individual. Esteve, acima de tudo, na organização coletiva que permitiu que essa qualidade aparecesse naturalmente.

Curiosamente, houve um jogador que conseguiu contrariar quase sozinho essa sensação de inferioridade coletiva. Diogo Costa realizou mais uma exibição monumental. Tal como frente à Colômbia e à Croácia, durante largos minutos, foi ele quem manteve Portugal vivo. Voltou a aparecer nos momentos decisivos, voltou a responder presente perante remates de enorme dificuldade e voltou a demonstrar que é, provavelmente, o melhor guarda-redes deste Campeonato do Mundo.

Desta forma, dizer que Portugal chegou aos ‘oitavos’ muito por culpa das suas intervenções não constitui qualquer exagero e, quem discordar, basta olhar para os cinco jogos realizados para perceber que a equipa viveu demasiadas vezes agarrada às mãos do seu guarda-redes. E quando o melhor jogador de uma seleção, repetidamente, é quem ocupa a baliza, isso diz quase tudo sobre a forma como essa equipa competiu.

De resto, também Nuno Mendes voltou a confirmar aquilo que este Mundial evidenciou desde o primeiro dia. Foi provavelmente o jogador português mais consistente da competição. Frente ao fenómeno chamado Lamine Yamal, voltou a ganhar praticamente todos os duelos até ser obrigado a abandonar o encontro por lesão. Não é coincidência que a Espanha tenha crescido claramente depois dessa saída, principalmente porque Portugal perdeu capacidade para controlar aquele corredor, perdendo, simultaneamente, uma das poucas armas capazes de transportar a equipa para a frente.

A reação de Roberto Martínez voltou a levantar muitas dúvidas. Não tanto pelas substituições em si, mas pelo efeito que tiveram na equipa. À medida que mexia no onze, Portugal ia perdendo referências, capacidade para ligar jogo e confiança para sair da pressão espanhola.

No papel, as alterações realizadas (além da entrada de Nélson Semedo para o lugar do lesionado Nuno Mendes, também foram a jogo Diogo Dalot, Rafael Leão, Bernardo Silva e Francisco Conceição) podiam fazer sentido, mas, dentro de campo, nenhuma delas alterou o rumo do encontro. Aliás, a equipa até foi recuando cada vez mais, entregando definitivamente a iniciativa à Espanha, quase como se aceitasse que o prolongamento era um objetivo suficientemente ambicioso.

É rigorosamente aí que aparece um dos maiores pecados deste ciclo. Portugal habituou-se a jogar em função do adversário. Em vez de obrigar os outros a adaptarem-se às suas qualidades, passou demasiado tempo preocupado em esconder os próprios defeitos. Uma seleção com esta quantidade de talento não pode viver permanentemente agarrada ao medo de sofrer. Tem qualidade para defender com bola, para controlar ritmos, para instalar-se no meio-campo contrário e obrigar os adversários a correr atrás dela.

No entanto, a imagem que ficou foi notoriamente a oposta. Contra a Espanha, como já tinha acontecido frente à Colômbia, a equipa foi baixando linhas, oferecendo metros e acreditando que resistir seria suficiente. Nunca é, sobretudo diante de uma seleção que vive justamente da paciência, da circulação e da inteligência posicional.

Assim sendo, a jogada do golo resume quase tudo aquilo que aconteceu ao longo destes quatro anos. Não foi um lance caótico, nem um ressalto infeliz, nem um golpe de sorte. Foi uma jogada preparada, pensada e executada por uma equipa que continuou a acreditar na sua identidade até ao último segundo.

De facto, a Espanha bateu rapidamente um livre curto, aproveitou a desorganização portuguesa, explorou um movimento que já tinha repetido várias vezes durante o encontro e encontrou Merino a aparecer vindo de trás, exatamente no espaço criado pelos movimentos dos homens da frente.

Vitinha Portugal Roberto Martínez
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Esse lance desmonta também a teoria tantas vezes repetida por Roberto Martínez de que o futebol vive apenas de detalhes ou de momentos de sorte. Claro que o futebol tem uma componente imprevisível e sempre terá, mas reduzir esta eliminação a um simples acaso é ignorar tudo aquilo que os 90 minutos mostraram.

Repare-se que a Espanha procurou constantemente aquele tipo de movimentos entre linhas, aquelas diagonais dos homens que vinham de trás e aquelas combinações rápidas em espaços curtos. Portugal, por seu lado, limitou-se a reagir durante quase todo o encontro, pelo que, quando uma equipa insiste sucessivamente na mesma ideia e acaba por ser premiada através dela, dificilmente se pode falar apenas em sorte.

Também por isso custa aceitar algumas das explicações dadas ao longo deste Mundial. Houve uma enorme diferença entre aquilo que todos viam dentro de campo e aquilo que o selecionador nacional descrevia nas conferências de imprensa. A realidade parecia quase paralela. Enquanto o rendimento coletivo levantava dúvidas evidentes, o discurso insistia numa seleção comprometida, em crescimento constante e próxima da excelência. O problema é que esse crescimento nunca apareceu quando realmente importava. Nem frente à Colômbia, nem frente à Croácia durante extensos períodos, nem agora frente à Espanha.

Há ainda uma questão impossível de contornar: Cristiano Ronaldo. Seria profundamente injusto reduzir a carreira mais extraordinária da história do futebol português a este Mundial ou até aos últimos anos. Ronaldo continua, como é óbvio, a ocupar um lugar que ninguém alguma vez lhe retirará. Mudou para sempre a dimensão internacional de Portugal, conquistou títulos que pareciam impossíveis e elevou a exigência competitiva da seleção para patamares nunca antes imaginados, por isso nada do que aconteceu no continente norte-americano altera esse legado.

Mas principalmente por respeito a essa carreira, torna-se impossível ignorar a realidade competitiva. Aos 41 anos, Ronaldo voltou a ser praticamente intocável. Jogou praticamente todos os minutos dos cinco encontros disputados. Terminou a competição com números que ajudam a perceber a dimensão do problema.

Nos últimos quinze jogos em fases finais de grandes competições, marcou apenas quatro golos, sendo dois deles de penálti e outros dois diante do Uzbequistão. Apesar de, mesmo no auge, nunca terem sido os seus principais atributos, a influência sem bola diminuiu, a capacidade para pressionar deixou de ser a mesma e o contributo para o funcionamento coletivo tornou-se cada vez mais reduzido. A verdade é que o problema nunca foi Cristiano Ronaldo querer continuar a jogar, até porque isso é algo natural da sua essência, do “animal competitivo” que é. O problema foi, antes, ninguém ter tido coragem para tomar decisões difíceis quando elas se tornaram necessárias.

Quando a gratidão passa a ocupar o lugar do mérito desportivo, o futebol deixa, inevitavelmente, de premiar quem mais qualidade tem para jogar naquele momento. Essa lógica raramente produz bons resultados. Acontece no futebol, como acontece em muitas outras áreas da vida. O passado merece respeito, claro. Nunca deve, porém, condicionar o presente. E, de facto, Portugal pareceu demasiadas vezes preso às memórias, aos estatutos e às hierarquias, esquecendo que um Campeonato do Mundo se ganha com rendimento atual e não com aquilo que cada jogador representou há cinco ou dez anos.

E, se houve alguém que simbolizou na perfeição essa incapacidade para romper com o passado, esse alguém foi Gonçalo Ramos. É difícil encontrar uma gestão mais contraditória do que aquela que o avançado viveu durante este ciclo. Foi decisivo quando Portugal mais precisou dele. Tinha sido o herói frente à Suíça, nos oitavos de final do Mundial de 2022. Foi titular diante de Marrocos e, como todos os outros, teve um jogo menos conseguido.

Depois, no EURO 2024, em cinco jogos realizados pela equipa das quinas, é utilizado em apenas um, frente à Geórgia, na terceira e última jornada da fase de grupos, altura em que Portugal até já estava apurado para a fase seguinte, jogando, ainda por cima, apenas 25 minutos (entrou aos 65’) nessa partida.

Agora, voltou a aparecer neste Mundial diante da Croácia, marcando o golo que colocou Portugal nos oitavos de final. Quatro dias depois, no jogo mais importante da competição, ficou 90 minutos sentado no banco. Assim, no balanço do seu contributo pessoal nesta edição do Campeonato do Mundo, jogou pouco mais de 35 minutos regulamentares, distribuídos por dois jogos (sete minutos contra a RD Congo e 28 contra Croácia), sendo que, nesta contagem, não está incluído o tempo de compensação jogado nas duas partidas. Andará, por isso, ali próximo dos 60’, no total, até porque os descontos frente aos croatas foram muito largos.

Frente à Espanha, a decisão torna-se ainda mais difícil de compreender quando se olha para aquilo que o jogo estava a pedir. O avançado recentemente transferido do PSG para o AC Milan, que oferece mobilidade, capacidade de pressão, profundidade e presença constante na área, permaneceu, contudo, como mero espetador.

Também João Félix acaba por representar outra das incoerências deste Portugal. Diante da Espanha, voltou a ser um dos jogadores mais disponíveis para o trabalho defensivo, baixou no terreno, ajudou Nuno Mendes a controlar Yamal, procurou ligar jogo e foi dos poucos capazes de encontrar espaços entre linhas quando Portugal conseguia sair da pressão. No entanto, continuou inserido num contexto onde quase ninguém parecia beneficiar das suas características. Roberto Martínez foi capaz de alterar funções de médios, retirar protagonismo a Bruno Fernandes e condicionar João Neves apenas para criar conforto posicional a Félix, mas nunca encontrou forma de potenciar verdadeiramente aquilo que o jogador oferece quando tem liberdade para aparecer entre setores. Acabou, portanto, por ser mais um talento encaixado numa estrutura que nunca o valorizou verdadeiramente.

Aliás, talvez esta seja a principal marca deste Mundial português. Nunca existiu verdadeira sintonia entre os setores da equipa. O meio-campo pareceu desligado do ataque e os homens da frente raramente receberam bolas em condições favoráveis. Cristiano Ronaldo baixava demasiadas vezes sem critério para tentar participar na construção, deixando vazia pontualmente a zona onde ainda podia fazer diferença. Bruno Fernandes aparecia sucessivamente em corredores laterais à procura da bola porque não a encontrava nas zonas centrais. Pedro Neto procurava acelerar transições quase sempre sozinho, sem apoios próximos. Rafael Leão entrou para oferecer velocidade, mas também encontrou uma equipa demasiado distante para potenciar essa arma. O resultado foi um ataque previsível, sem profundidade consistente e incapaz de criar desequilíbrios continuados contra seleções bem organizadas.

Há, entre outras, uma imagem que ficará provavelmente como a fotografia mais fiel deste encontro. Durante largos períodos da segunda parte, Portugal parecia confortável por ver o relógio avançar. Cada minuto sem sofrer aproximava a equipa do prolongamento. O problema é que a Espanha nunca demonstrou essa preocupação. Continuou a circular, continuou a procurar espaços e continuou, acima de tudo, a acreditar que o golo apareceria. Existe uma diferença enorme entre resistir porque o adversário obriga a isso e resistir porque se acredita que sobreviver já é suficiente. Portugal entrou perigosamente na segunda categoria e foi, consequentemente, castigado exatamente por essa escolha.

No fim do jogo, Bruno Fernandes acabou por o admitir de forma muito mais lúcida do que qualquer discurso oficial. A equipa baixou demasiado as linhas, entregou o jogo à Espanha e passou a fazer tudo aquilo que não deveria ter feito. É difícil encontrar melhor resumo para os últimos 30 minutos da Seleção Nacional, visto que, quando uma equipa abdica voluntariamente da bola perante um adversário cuja maior virtude é precisamente saber utilizá-la, está praticamente a aceitar jogar nas condições preferidas do rival. E a Espanha, sem precisar de acelerar constantemente, foi acumulando aproximações, desgastando física e mentalmente Portugal até encontrar o momento decisivo.

Refira-se ainda que, também fora das quatro linhas, houve demasiados sinais preocupantes ao longo deste Mundial. Isoladamente, muitos deles poderiam parecer irrelevantes. No conjunto, ajudam a explicar uma cultura competitiva que dificilmente se compatibiliza com a ambição de conquistar um Campeonato do Mundo.

A preparação levantou dúvidas desde o início. Portugal optou por permanecer em território nacional praticamente até ao arranque da competição, chegando aos Estados Unidos já com o torneio em andamento. Poucos dias depois, surgiam imagens dos jogadores na praia. O problema nunca foi a adaptação ao calor, a tal descontração e o descanso, já que qualquer equipa precisa dele. Muita gente não percebeu, mas a questão esteve sempre apenas e só na perceção transmitida. Se havia tempo para momentos de relaxamento, talvez tivesse sido mais inteligente chegar mais cedo, adaptar-se às condições locais e só depois permitir esses momentos. A gestão da imagem também faz parte do alto rendimento.

Ao longo da competição, houve ainda episódios difíceis de compreender. Algumas conferências de imprensa, por parte de certos jogadores, transmitiram uma confiança excessiva quando o rendimento em campo dizia precisamente o contrário. Existiram declarações que passaram uma sensação de arrogância completamente desnecessária. Houve tentativas de construir determinadas narrativas públicas que dificilmente resistiram ao confronto com a realidade desportiva. E tudo isso foi alimentando uma distância crescente entre aquilo que a equipa dizia ser e aquilo que verdadeiramente demonstrava dentro das quatro linhas. Só se iludiu quem ignorou os sinais que se acumulavam desde muito antes do apito inicial deste Mundial e até no decorrer do mesmo.

A sensação com que a maioria das pessoas fica é a de uma oportunidade desperdiçada. Não apenas pela eliminação nos oitavos de final, mas porque dificilmente Portugal voltará a encontrar, nos próximos anos, um conjunto de jogadores com esta combinação de qualidade, maturidade e experiência. Para além de Ronaldo ter feito o último Mundial, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rúben Dias e João Cancelo, por exemplo, chegarão a 2030 com uma idade muito diferente, pelo que custa tanto olhar para trás e perceber que a melhor oportunidade dos últimos tempos terminou sem que a equipa tivesse conseguido mostrar o melhor de si.

Além disso, o mais frustrante é que esta geração nunca deu a sensação de ter atingido o teto do seu potencial. Pelo contrário, ficou sempre a ideia de que existia muito mais para explorar.

Em síntese, a Seleção Nacional nunca foi superior à soma das suas individualidades. Raramente conseguiu sequer igualá-la. Viveu demasiado tempo dependente da inspiração pontual de um ou outro jogador, sem criar um coletivo suficientemente forte para suportar as inevitáveis dificuldades que surgem num Campeonato do Mundo.

É justamente nesse contexto que termina também o ciclo de Roberto Martínez. O espanhol chegou com simpatia, com um discurso agregador e com resultados muito positivos nos primeiros meses. Falava português quase sem sotaque, conquistou rapidamente a confiança de muitos adeptos e parecia reunir condições para aproveitar uma geração excecional.

Contudo, o entusiasmo inicial foi desaparecendo à medida que os grandes desafios surgiam. Nos momentos decisivos, a equipa revelou quase sempre as mesmas limitações. Houve uma cultura de mínimos que se foi instalando silenciosamente. Bastava ganhar, mesmo sem convencer. Bastava passar, mesmo jogando pouco. Bastava esperar que o talento individual resolvesse aquilo que o coletivo não conseguia construir.

Essa filosofia acaba, inexoravelmente, por cobrar a sua fatura. Contra adversários inferiores, muitas vezes chega. Contra seleções como Espanha, França ou Argentina, normalmente não chega. O futebol de elite exige coragem, personalidade e capacidade para assumir riscos e a realidade é que Portugal teve quase sempre receio de os correr.

Ruben Dias Vitinha João Neves Portugail
Fonte: FIFA

Enfim, agora começa outro caminho. Um caminho que terá obrigatoriamente de abandonar receios antigos, estatutos inquestionáveis e ideias gastas. Portugal continua a possuir uma das melhores gerações da sua história. Isso não desapareceu com uma derrota. O talento continua lá. Vitinha continua a ser um dos melhores médios da Europa. João Neves continuará a crescer. Bruno Fernandes mantém qualidade para decidir jogos. Gonçalo Ramos deve ter, finalmente, um papel compatível com aquilo que oferece. Diogo Costa e Nuno Mendes podem perfeitamente tornar-se as novas referências da equipa. Há matéria-prima mais do que suficiente para voltar a acreditar.

Efetivamente, o problema nunca foi a qualidade dos jogadores. Foi aquilo que se fez, ou melhor, aquilo que não se fez com eles.

Perder frente à Espanha pode acontecer. A seleção espanhola foi melhor, teve uma identidade coletiva muito mais consolidada e acabou merecidamente apurada. O que não pode voltar a acontecer é Portugal apresentar-se sucessivamente perante as grandes seleções como quem já parte convencido de que terá de sofrer durante 90 minutos para sobreviver. Enquanto existir essa desconfiança perante os melhores, Portugal continuará a ser tratado como uma seleção de segundo plano, independentemente da qualidade extraordinária dos futebolistas que tiver à disposição.

Este Mundial termina, por isso, com uma certeza difícil de ignorar. Não foi o azar que eliminou Portugal. Não foram apenas os detalhes. Não foi um simples lance aos 90+1’. Foi um conjunto de opções, de decisões, de mensagens e de escolhas acumuladas durante demasiado tempo. A Espanha limitou-se a confirmar em campo aquilo que a competição inteira já vinha a anunciar.

O sonho acabou no Texas. Oxalá a lição permaneça muito para lá dele, porque o verdadeiro fracasso não é perder um jogo de futebol, mas, neste caso, possuir uma geração capaz de conquistar o mundo e, pelas mais variadas razões, nunca lhe dar verdadeiramente a oportunidade de a tentar.

Nélson Semedo e eliminação frente a Espanha: «Se calhar podíamos fazer um pouco mais, mas num balanço geral acho que estivemos bem»

Nélson Semedo analisou a eliminação de Portugal frente à Espanha no Mundial. O lateral deixou também um agradecimento a Roberto Martínez.

A seleção portuguesa despediu-se do Campeonato do Mundo de 2026 após uma derrota por 1-0 frente à congénere de Espanha nos oitavos de final da competição. O lateral direito Nélson Semedo iniciou o embate ibérico no banco de suplentes e entrou no relvado aos 56 minutos. O atleta de 32 anos marcou presença na zona mista do estádio para analisar a prestação coletiva da equipa das quinas.

O defesa luso considerou o duelo contra a formação espanhola bastante equilibrado e elogiou a entrega de todos os companheiros de equipa. O internacional português avaliou a campanha global do plantel:

«Temos uma grande seleção, temos todos muita qualidade e sabemos que se calhar podíamos fazer um pouco mais, mas num balanço geral acho que estivemos bem».

Sobre o encontro, o lateral acrescentou ainda a seguinte observação:

«Jogámos taco a taco com eles, no final da partida acabámos por sofrer um golo».

A saída confirmada de Roberto Martínez do comando técnico da seleção nacional mereceu uma atenção especial por parte do futebolista. O jogador aproveitou o momento para recordar o sucesso passado do grupo e enaltecer o trabalho desenvolvido pelo técnico espanhol durante o seu mandato. O atleta deixou uma mensagem de despedida ao treinador:

«Agradecer este tempo que ele esteve na seleção, não só nós jogadores temos de agradecer mas também todo o povo português».

As 6 razões para o insucesso de Portugal – Diário do Mundial 2026 #26

Lê também os outros capítulos do Diário do Mundial 2026. 

Deu tudo menos Portugal |  Portugal 1-0 Espanha

Aymeric Laporte Rúben Dias Portugal Espanha
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

Portugal foi eliminado do Mundial 2026 pela Espanha. O roteiro de 2010 surge com um enredo muito próximo, com duas grandes diferenças: desta vez, o golo espanhol é 100% legal e, desta vez, a seleção nacional tinha obrigação de fazer uma competição de nível bem mais elevado. O nível da geração portuguesa assim o exigia, mas em nenhum momento, excetuando a exibição diante do Uzbequestão, uma seleção mais modesta, tal foi realidade. A derrota diante da Espanha obriga Portugal a fazer as malas três jogos mais cedo que o grande objetivo e deixa espelhados todos os sinais preocupantes que já se iam notando. 

Do Mundial, há muito pouco de positivo a retirar. Quando Diogo Costa é o melhor jogador de Portugal, de forma praticamente unânime e inequívoca, está tudo dito, não sobre o nível do guarda-redes, esse incontestável, mas sobre o processo que o leva a ser o grande destaque. Nuno Mendes voltou a apresentar-se a um nível sublime, Renato Veiga surpreendeu pela regularidade nas exibições e houve lampejos de alguns jogadores, João Félix e Gonçalo Ramos acima dos demais. Para lá disso, foi um torneio muito curto. E há razões que o explicam. Seis, um dos números associados a este Mundial. A numerologia, quando o campo dita o contrário, dificilmente será uma aliada por si só. 

A utilização e priorização do meio-campo foi secundária. É certo que Vitinha e Bruno Fernandes fizeram um Mundial bastante apagado, mas há razões que enquadram o desaparecimento individual e atenuam o pouco que os dois principais jogadores portugueses no panorama europeu conseguiram criar. Mesmo João Neves passou longe das grandes exibições, mas o maior dinamismo foi uma atenuante que aproximou o médio de um nível aceitável. Vitinha é um gestor de posses, capaz de prolongar o tempo de Portugal com bola e de aproximar a equipa através do passe. Quando a seleção jogou à apanhada contra a Colômbia ou quando viu a Espanha superiorizar-se e garantir para si a posse, deixou de estar em campo e é natural que assim seja. Rodri veio de uma época terrível e a um ritmo bem inferior ao que tinha há dois anos e fez o que fez. A matemática, por vezes, é simples. A ideia tática por detrás do papel de Bruno Fernandes, praticamente a jogar como segundo avançado, ainda está por ser descoberta. Andou o Mundial a compensar os movimentos de Cristiano Ronaldo e longe da bola. Contra a Espanha, para João Félix andar por dentro, nessas zonas, passou a jogar sobre o corredor esquerdo. É certo que o médio pode funcionar em zonas de criação, de definição ou, idealmente, entre as duas. Andando longe de ambas, o impacto será sempre reduzido.

Bruno Fernandes Rodri Portugal Espanha
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

Ao longo do Mundial 2026, Pedro Neto foi titular em todos os jogos. Não há aqui qualquer tipo de crítica ou insinuação à qualidade do extremo, muito menos ao perfil, praticamente obrigatório na convocatória. O problema está quando a capacidade de oferecer produto final, de acelerar e procurar jogar sempre para o cruzamento e para o esticar jogo se substituem ao pensamento estruturado, à gestão dos timings e à capacidade e variabilidade criativas. Se Portugal não jogou com o meio-campo, também jogou sempre com extremos e corredores de constante aceleração, precipitando ataques e levando a um jogo com mais transições que organizações. Francisco Trincão andou perdido pelo banco nesta ideia. 

Como consequência quase natural, Portugal nunca foi capaz de se defender com bola, ficando sujeito a transições e a ataques rápidos dos adversários. É certo que, individualmente, quer Renato Veiga quer Rúben Dias – ligado ao golo de Mikel Merino – estiveram bem no Mundial. Ainda assim, o peso defensivo, bem evidente no jogo contra a Colômbia, onde a baliza a zeros está na conta de Diogo Costa, na forma como a RD Congo conseguiu chegar à frente ou na forma como Mikel Merino, aos 90 minutos, apareceu solto na área, mostram que, para lá das exibições defensivas bem conseguidas no cômputo geral, havia outro mundo de possibilidades para explorar.

Dentro dessas possibilidades a explorar, é possível olhar para o plantel como desaproveitado. Por mais que tenham entrado em campo 21 jogadores nos três primeiros jogos, há uma diferença considerável entre somar minutos e, de facto, entrar nas contas. Matheus Nunes, Samu Costa, Gonçalo Guedes, Francisco Trincão ou Gonçalo Ramos foram praticamente residuais nas escolhas de Roberto Martínez. Não que fosse obrigatório serem titulares ou entrarem em todos os jogos, mas houve cenários em que poderiam ter dado mais. A gestão do plantel e o subaproveitamento do grupo não deixaram Portugal continuar a sonhar.

Cristiano Ronaldo Portugal
Fonte: FIFA

Não há um elefante na sala no assunto Cristiano Ronaldo. O ciclo para pensar no futuro do capitão português na seleção abre-se agora, como se abriu em 2024 ou em 2022. Sendo assumida a decisão, por ambas as partes, de continuar o percurso lado a lado, o tema passou a ser a gestão de Cristiano Ronaldo. Quando foi feita, Portugal venceu a Croácia. Podia ser um abrir de perspetivas e de novas possibilidades, entendendo que a gestão só não era uma possibilidade, como era bem-vinda. Depois da derrota contra a Espanha, Roberto Martínez voltou a deixar claro que, precisando de um golo, Cristiano Ronaldo continuaria sempre em campo, esquecendo, porventura, que para o avançado marcar, é preciso que a bola lá chegue em condições. A discussão em torno de CR7 tem sido adulterada. Neste momento, não se deve discutir o que Cristiano Ronaldo pode oferecer à seleção. Isso é indiscutível, não há qualquer maneira de rebater que continua a ter um peso espiritual sobre colegas e adversários e que, dentro da área, continua a movimentar-se e a procurar a baliza com o instinto matador a que nos habituou, com a ressalva que 41 anos obrigariam sempre. A discussão tem antes de se centrar se, para isso, vale a pena abdicar do exercício da pressão alta, da capacidade associativa ou da exploração da profundidade, mediante o perfil que se queira. Gonçalo Ramos deixou a dica de forma bem clara, mas não entrou nos minutos finais contra a Espanha. Gonçalo Guedes, com um perfil distinto, mas valorizado nas palavras de Roberto Martínez, não entrou em campo. 

A preparação do ciclo do Mundial, como um todo, é o último ponto a apontar à seleção nacional. Desde 2024, Portugal foi reciclando problemas e procurando 1.001 soluções para os combater. Se a estratégia da adaptação ao adversário é perfeitamente válida, também é certo que encaixa bem melhor em seleções com menos recursos técnicos e criativos. Com os jogadores de Portugal, tudo o que não seja impor e estabelecer um jogo comum, com nuances naturais a cada adversário e plano definido, é colocar a seleção um passo mais distante do sucesso. Antes do Mundial, as exibições contra a Dinamarca, a Hungria ou a Irlanda deixaram expostas vulnerabilidades, escondidas entre garantias da perfeição.

A Espanha conseguiu superiorizar-se a Portugal, particularmente na segunda parte, quando assumiu o controlo da bola e se aproximou da área adversária, com Dani Olmo em destaque. De médio de toque de bola e ligação a um toque, dado o espaço reduzido que existia, ganhou espaço para rodar entrelinhas e aproximar a equipa do último terço. Quando Luis de la Fuente percecionou esse espaço, lançou Fabián Ruiz e Mikel Merino, um dos melhores médios do mundo a ler e atacar espaços. Garante golos. Foi a melhor exibição de Rodri por longos tempos como médio de definição de saídas e fluidez. É impressionante como a Espanha continua, ao fim de cinco jogos, sem sofrer golos. E Lamine Yamal e Nuno Mendes é um dos duelos dos tempos modernos. Felizmente, continuará a sê-lo por longos anos. 

Justiça poética | EUA 1-4 Bélgica

Romelu Lukaku Bélgica
Fonte: Federação Belga de Futebol

Poucas vezes a palavra justiça é bem empregue no futebol, sendo reduzida à sorte, fado ou destino da bola que entra ou sai como se, nesse cenário, houvesse algo de justo ou injusto. A justiça não mede a aleatoriedade da bola que entra ou que sai nem nunca medirá. Ainda assim, o facto de ser uma palavra mal empregue, não significa que tenha de ser apagada do dicionário do futebolês. E, a goleada da Bélgica diante dos EUA é a coisa mais justa deste Mundial.

Que tudo o que envolve a organização estadunidense da maior competição do mundo está rodeado de uma cobertura de mentiras, jogos de bastidores e falcatruas já todos sabíamos. Tem sido esse o modus operandis da FIFA nos últimos largos anos, um procedimento reforçado desde que Gianni Infantino assumiu os destinos da organização. Em 2022, o presidente da FIFA acordou gay, catari, trabalhador e sem noção, todos em simultâneo. Em 2026, acordou agarradinho a Donald Trump, num sono em conchinha tão reconfortante que duas personalidades diferentes se aproximaram e envolveram tanto que viraram apenas uma.

É absurda a decisão de suspender, fazendo uso de um regulamento mal explicado, um cartão vermelho. Poderia ser compreensível se não houvesse VAR e se tratasse de um erro clamoroso da arbitragem. Havendo VAR e sendo um vermelho óbvio e evidente, ainda se torna mais preocupante. Talvez o Laranja não seja o melhor prisma para entender as cores. O que se seguiu foi uma das faces mais negras da história dos Mundiais. Que a interferência iria surgir nos bastidores era óbvio. Vê-la a acontecer em frente a todo o mundo e apresentá-la de forma orgulhosa é descarado, repugnante e revoltante. Não há, no mundo, tantas personagens tão lastimáveis como Donald Trump ou Gianni Infantino. Os tipos maus não andam nas ruas, camuflados entre a população e atuando de forma desviante. Vestem fato e gravata, andam de jato privado – quantas árvores serão necessárias para que Gianni Infantino, mais do que ver futebol, se bajule em frente a uma câmara – e sorriem para a câmara. Mais vazios que os sorrisos, só os princípios.

EUA Bélgica Mundial 2026
Fonte: Federação Norte-Americana de Futebol

Folarin Balogun não tem culpa, evidentemente, mas ficará com uma mancha pesada num Mundial onde até estava a ser protagonista. A Mauricio Pochettino e aos EUA, não havia pior maneira de sair da competição. Estavam envolvidos numa aura positiva de bom futebol, atratividade para os adeptos estrangeiros e convencimento, aparente, para os locais. Saem totalmente vergados do Mundial, com uma derrota pesada e os anticorpos de todos os que gostam do futebol. Pior que tudo isso, saem do Mundial com a sensação de que, não fosse todo o circo montado em torno desta questão, e o jogo teria sido bem diferente.

Há mérito à Bélgica no plano e nos ajustes estratégicos, mas, acima de tudo, na forma como entrou em campo com sede de vingança. O único vermelho foi o do sangue nos olhos dos Diabos… Vermelhos. Talvez os EUA tenham mesmo um problema com vermelhos e, desta feita, não é sobre Bernie Sanders. Até se poderia dizer que o problema de Donald Trump com vermelhos não teria qualquer conotação política, mas tudo o que envolve a mais alta patente – não inteligência – dos EUA é político. Político e repugnante. Quem sorriu foi mesmo a Bélgica. Primeiro porque a exibição da equipa da casa foi totalmente anticompetitiva, da defesa da área, à atuação do guarda-redes ou à total ausência de capacidade de envolvimento ofensivo, numa imagem, também futebolisticamente falando, muito pobre. Depois, porque, aproveitando essa vontade de vingar uma injustiça, a Bélgica conseguiu fazer uma das melhores exibições dos últimos largos anos.  

Rudi Garcia, depois de complicar as coisas, acabou por olhar mais para o futebol e menos para os estatutos. Deixou, de uma assentada, Jeremy Doku, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku no banco e deu um melhor envolvimento à equipa, com Leandro Trossard à esquerda e Dodi Lukebakio à direita, mas também um meio-campo mais completo e influente no jogo. Foi Charles De Ketelaere quem se superiorizou na área, mas foi Leandro Trossard quem, antes disso, conseguiu criar situações de cruzamento. Exibição impressionante do extremo, um dos mais capazes de dosear o risco e a segurança no jogo. Complementado, no outro lado da balança, por Dodi Lukebakio, que trouxe coisas positivas ao jogo. Nicolas Raskin faz bem à Bélgica, Youri Tielemans – que rende bem mais de trás para a frente que ao contrário – continua em destaque e Hans Vanaken tem sempre golo e remate. Estrategicamente, a aposta em Nathan Ngoy para controlar as diagonais e influência de Balogun no espaço, foi crucial. A imperfeição deu lugar a um jogo quase perfeito para a Bélgica e para o futebol. Dentro de campo, só a lesão de Amadou Onana, que seria fundamental no embate diante da Espanha, retira o foco do positivo. Dentro de tamanho sofrimento, um respiro de alívio. 

Já são conhecidos 3 jogos dos quartos de final do Mundial 2026

Já são conhecidos três dos quatro jogos dos quartos de final do Mundial 2026. Espanha e Bélgica juntam-se ao chaveamento já conhecido.

Ao fim de três dias de oitavos de final, passam a ser conhecidos três jogos dos quartos de final do Mundial 2026. Espanha e Bélgica têm encontro marcado na próxima fase.

Para lá chegar, a Espanha derrotou Portugal por 1-0 e vingou-se da derrota na final da Liga das Nações. Mais tarde, a Bélgica completou a eliminação dos anfitriões e venceu os EUA por 4-1.

As duas seleções vão defrontar-se no próximo dia 10 de julho em Los Angeles, na segunda partida dos quartos de final da prova.

Eis os jogos já definidos dos quartos de final do Mundial 2026:

  • França x Marrocos
  • Espanha x Bélgica
  • Noruega x Inglaterra
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Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Donald Trump vai ter de arranjar novas artimanhas: Bélgica vinga-se com goleada e elimina EUA do Mundial 2026

Depois de toda a polémica, nada funcionou aos EUA. A Bélgica superiorizou-se em campo e venceu a seleção anfitriã para seguir para os quartos de final do Mundial 2026.

Folarin Balogun foi mesmo a jogo, depois de ver vermelho, para sorriso de Donald Trump, Mauricio Pochettino e da FIFA. Ainda assim, a justiça fez-se dentro de campo e a Bélgica venceu o EUA por 3-1.

Charles De Ketelaere (9′ e 33′), Hans Vanaken (57′) e Romelu Lukaku (90+3′) anotaram os golos do triunfo, apenas minimizado por Malik Tillman (31′) que contou com um desvio para celebrar um livre direto.

Contas feitas, todo o esforço foi em vão para os estadunidenses, que viram a vingança belga chegar pela via certa: dentro de campo. Nos quartos de final, a adversária belga será a Espanha, que eliminou Portugal com uma vitória por 1-0.

Todas as transmissões televisivas: onde ver os jogos dos oitavos de final do Mundial 2026 esta terça-feira, 7 de julho?

Vão ser jogados os últimos jogos dos oitavos de final do Mundial 2026. Sabe onde ver os jogos da noite desta terça-feira, 7 de julho.

Vão ser disputados os últimos jogos dos oitavos de final do Mundial 2026. Nesta terça-feira,7 de julho há espaço a dois jogos desta fase da prova, a segunda das rondas a eliminar.

Eis o calendário das transmissões televisivas:

  • Argentina x Egito (7 de julho, 17h): LiveMode TV e Sport TV 1/5
  • Suíça x Colômbia (7 de julho, 21h): Sport TV 5

Recorda o quadro dos oitavos de final do Mundial. Acompanha também todo a competição nas redes sociais do Bola na Rede.

Mundial 2026 Casa Branca Troféu
Fonte: FPF

Seleção chega a Portugal de madrugada depois da eliminação precoce do Mundial 2026: eis os horários do regresso da comitiva

Já são conhecidos os horários do regresso da seleção a Portugal. Comitiva lusa pernoitará nos EUA e depois voltará a solo nacional.

Portugal foi eliminado do Mundial 2026 com uma derrota por 1-0 diante da Espanha. Frustração consumada, também já é conhecido o plano para o regresso dos jogadores, equipa técnica e restante comitiva a solo nacional.

A seleção pernoitará em Dallas, nos EUA, e fará depois a viagem para Portugal, já esta terça-feira, dia 7. Às 13h locais, 19h em Portugal Continental, está agendada a viagem para o aeroporto com o vôo previsto para as 14h55 locais, 20h55 em Lisboa, onde a seleção só aterrará no dia seguinte.

A chegada ao Aeroporto Humberto Delgado, na capital portuguesa, está prevista para as 6h10, na madrugada de terça para quarta-feira, já dia 8 de julho nas horas portuguesas.

Portugal Jogadores
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

Imprensa internacional: Sérgio Conceição também está na lista de potenciais sucessores a Roberto Martínez

Nicolò Schira avança que Jorge Jesus é o favorito a suceder Roberto Martínez na seleção de Portugal, numa lista que também conta com Sérgio Conceição.

Logo após a derrota de Portugal e consequente eliminação nos oitavos de final do Mundial 2026, Roberto Martínez anunciou que está de saída do cargo de selecionador. Segundo Nicolò Schira, Jorge Jesus é o favorito a assumir a posição, tal como a imprensa nacional já tinha adiantado.

Contudo, o jornalista italiano avança ainda que Sérgio Conceição é o ‘plano B’ da Federação Portuguesa de Futebol, caso não seja capaz de fechar um acordo com o antigo treinador do Al Nassr.

Sérgio Conceição está livre no mercado desde a saída do Al Ittihad, anunciada a 1 de junho, depois de falhar os objetivos estabelecidos no início da temporada, terminando a época no quinto lugar da Liga Saudita, a 31 pontos do líder Al Nassr.