Eduardo Camavinga não quer deixar o Real Madrid no mercado de transferências, apesar de José Mourinho não o ter em conta para o projeto.
Eduardo Camavinga não está nos planos de José Mourinho para a próxima temporada, mas o francês acredita que pode manter-se no plantel e lutar por um lugar nas ideias do treinador português. A informação está a ser avançada pelo Sport, que indica que com esta atitude pode ser complicado vender o gaulês.
O médio pode abandonar o Bernabéu se chegarem ofertas por 60 milhões de euros, mas os interessados já sabem que terão de convencer Eduardo Camavinga a mudar de planos. O francês de 23 anos tem um contrato válido até ao verão de 2029 e uma cláusula de rescisão de 1000 milhões de euros.
O Real Madrid foi comprado ao Rennes em 2021 quando ainda era uma jovem promessa. Na última época fez 42 encontros, com dois golos marcados e uma assistência.
O Barcelona deve perder Dani Rodríguez neste mercado de transferências de verão, já que o jovem quer sair.
Dani Rodríguez pode abandonar o Barcelona no mercado de transferências de verão, já que procura uma nova aventura na sua carreira. A informação está a ser avançada pelo Mundo Deportivo, que indica que o jogador interessa ao Dínamo Zagreb, que terá de apresentar uma oferta.
O jovem extremo de 20 anos sempre foi visto como uma grande promessa da La Masia, conseguindo-se estrear pela equipa principal, somando uma partida, apesar de ter sido convocado por Hansi Flick em mais ocasiões. Dani Rodríguez pisa os mesmos terrenos que Lamine Yamal, o que pode ter dificultado o seu desenvolvimento.
O jogador tem contrato até 2027 e na última temporada somou 20 encontros, com três golos marcados e seis assistências. Tem um valor de mercado de um milhão de euros, de acordo com o Transfermarkt.
A União de Leiria confirmou durante este domingo que Stefan renovou o seu contrato até 2031 e passa a ter uma cláusula de 50 milhões de euros.
A União de Leiria confirmou durante este domingo que Stefan renovou o seu contrato com o conjunto do Lis até ao verão de 2031. A equipa da Segunda Liga informou igualmente que a jovem promessa passa a estar salvaguardada com uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros, batendo um recorde da instituição.
Os emblemas europeus estão cada vez mais atentos às jovens promessas e a União de Leiria decidiu jogar pelo seguro com um jogador que pode vir a ter chances de se estrear no plantel principal durante a próxima temporada.
Stefan tem apenas 17 anos e atua como extremo e ponta de lança. A União de Leiria recebeu o jogador em 2025 proveniente do Seixal e o moçambicano atuou pelo Sub-19 e pelos Sub-23, deixando uma boa imagem. No total, realizou 38 encontros, com 16 golos marcados e uma assistência.
A Espanha respondeu às críticas e desconfiança com um jogo perfeito. Contra a Arábia Saudita, goleada na segunda jornada do Mundial 2026.
Depois do empate contra Cabo Verde na estreia no Mundial 2026, a Espanha respondeu com o regresso à melhor versão. Diante da Arábia Saudita, goleada por 4-0 na segunda jornada.
Lamine Yamal (11′) e Mikel Oyarzabal (21′ e 24′) deram volume a uma superioridade clara espanhola, que entre a força própria e os erros sauditas, construiu uma vantagem considerável.
Na segunda parte, e já depois de algumas mexidas, novo golo. Hassan Al-Tambatki (49′) marcou na própria baliza na sequência de um canto e aumentou a diferença entre as duas seleções. Até ao fim, Ferran Torres ainda viu um golo anulado por fora de jogo e o resultado não mais se alterou.
Com este resultado, a Espanha assume a liderança do Grupo H do Mundial 2026 com quatro pontos. A Arábia Saudita continua com um, os mesmos pontos de Cabo Verde e Uruguai que se defrontam esta noite.
Nilton Varela passou grande parte da carreira em Portugal e vive agora a sua primeira experiência no estrangeiro. Depois da B SAD, FC Porto B e Estrela da Amadora, o lateral de 25 anos joga agora pelo Beerschot VA (Bélgica). Com o Bola na Rede, conversou sobre a sua carreira, forma de ver o futebol e as expetativas para o Mundial 2026.
«Tenho feito bons minutos, boas exibições e tenho vindo a crescer cada vez mais»
Bola na Rede: Bem-vindo, Nilton. Estamos aqui no Bola na Rede. Vamos começar com um bate-bola, um jogo rápido de cinco perguntas. Lateral esquerda ou direita?
Nilton Varela: Esquerda.
Bola na Rede: Marcar no último minuto ou fazer um corte em cima da linha?
Nilton Varela: Marcar no último minuto.
Bola na Rede: Um treinador mais rígido ou mais “carinhoso”?
Nilton Varela: Rígido.
Bola na Rede: Ganhar o Mundial ou ganhar a Champions League?
Nilton Varela: Difícil, mas o Mundial.
Bola na Rede: E agora também um tema do momento. Fazer a caderneta ou não fazer a caderneta?
Nilton Varela: Fazer a caderneta. Desde pequenino, desde pequenino.
Bola na Rede: Estás a fazer?
Nilton Varela: Estou a fazer, estou a fazer.
Bola na Rede: Vamos então para a entrevista. Quero começar a falar-te sobre a tua experiência na Bélgica. Como é que está a ser?
Nilton Varela: Está a ser boa. Está a ser a minha primeira experiência fora de Portugal, no estrangeiro. Cheguei no meio do ano. Também não foi assim tão fácil, porque vinha numa paragem de seis meses, sem competição. Mas fui recebido muito bem. O contexto também foi bom para mim. Encontrei um bom clube, um clube histórico, que está a lutar para subir. Infelizmente não o conseguimos, mas foi até ao fim e gostei muito. Estou a adaptar-me bem e está a correr como esperava. Claro que gostava sempre de jogar mais jogos, mas está a correr bem, está a correr bem. Tenho feito bons minutos, boas exibições e tenho vindo a crescer cada vez mais.
Bola na Rede: E a nível pessoal, que é a tua primeira experiência fora do país, como é que foi a adaptação?
Nilton Varela: Os primeiros tempos, não vou mentir, tive saudades de Portugal, normal. Tinha tudo rotinado aqui. Estava na minha zona de conforto. Acabei por ir primeiro sozinho. Depois foi a minha namorada e a minha filha, que fui pai recentemente. Fui pai em janeiro.
Bola na Rede: Parabéns!
Nilton Varela: Obrigado. Tive só uma semana com ela e depois fui sozinho. Não foi tão fácil como esperava, mas depois elas foram ter comigo e já se tornou mais fácil também. Tendo o apoio delas, é sempre mais fácil chegar em casa e ter alguém ali para poder falar um bocadinho e ter companhia.
Bola na Rede: E quais são as maiores diferenças no futebol comparado com Portugal?
Nilton Varela: Posso falar mais relativamente à Segunda Liga. O que senti muito mais é que na Bélgica há mais espaço. Muito mais espaço. As equipas não trabalham tão bem defensivamente como Portugal. Nós trabalhamos muito bem defensivamente e a preparação do adversário, analisar o adversário. Os pormenores aqui em Portugal são levados a um nível mais rigoroso do que na Bélgica. Eu senti bastante isso, mas é um bom campeonato na Bélgica para os jovens que estão a começar. Mais velhos também, mas que querem destacar muito ofensivamente na Bélgica. Pode ser muito interessante por isso. Por haver muito mais espaço. Não haver aquele cuidado do resultado. Estamos no jogo já. Ganhar um zero e fechar a loja. Não, é para continuar. Estás a ganhar um zero, dois zeros. Não interessa. É para ir atacar e defender. Está sempre aberto e há uma grande diferença nesse sentido.
Bola na Rede: Em que aspetos sentes que mudou o teu jogo, como influenciou a nível de crescimento como jogador?
Nilton Varela: Acho que me deu muito mais confiança, por ter mais ocasiões também. Ofensivamente nos duelos. Ofensivos de um para um. A desequilibrar. Chegar às zonas de cruzamento. Porque também estou numa equipa que joga para ganhar. É diferente estar a jogar numa equipa que joga para ganhar e numa equipa que joga para não perder. É diferente. E estar a jogar numa equipa que está para ganhar e que assume o jogo e que tem bola também me fez crescer enquanto jogador. E a destacar-me mais também.
Bola na Rede: E agora na Bélgica, quais são os teus próximos objetivos? A curto prazo, médio prazo, se quiseres também longo?
Nilton Varela: A curto prazo é, para já, vingar-me, ganhar a titularidade absoluta e poder ajudar a equipa a conquistar a subida para a Primeira Liga. E é continuar a fazer o meu crescimento, jogo a jogo, para poder dar o salto e fazer a minha carreira mais alto. Ao nível mais alto.
Fonte: Pedro Barrelas / Bola na Rede
Bola na Rede: Abordando agora a passagem por Portugal, como foi a experiência no Estrela da Amadora?
Nilton Varela: O Estrela foi um clube que tenho a agradecer porque foi um clube que fui feliz, fiz bastantes jogos. Infelizmente não acabou da maneira que queria, mas isso foi resolvido com a ajuda do sindicato, resolvemos a situação. E fui muito bem recebido lá. Não tenho nada a apontar-lhes, é seguir caminho.
Bola na Rede: Sentes que foi o clube onde mais cresceste enquanto jogador, como pessoa?
Nilton Varela: Posso dizer que o FC Porto B também me tornou muito melhor jogador e pessoa. Mas o Estrela foi onde consegui se calhar vingar-me mais, ter mais o meu nome. Ter mais regularidade em termos de jogos, fui um dos jogadores com mais minutos do campeonato, salvo erro, do Estrela. Consegui-me afirmar bastante na primeira liga. Mas poderia dizer que o FC Porto B foi onde cresci mais.
Bola na Rede: No Estrela da Amadora, jogaste com jogadores de renome, como por exemplo o Nani. Como foi partilhar balneário com ele?
Nilton Varela: É incrível, estamos habituados a vê-lo só ali na televisão, na Playstation e está ali ao teu lado. Foi muito bom porque é o profissionalismo em pessoa. De cima a baixo, aí vê-se a diferença dos jogadores que estão no nível de elite. Que é os pormenores, o cuidado físico que ele tem, o tempo que ele fica depois do treino, o antes do treino. É diferente, é diferenciado. Por isso é que chegou ao nível que chegou e nós temos de olhar para ele como um exemplo e tirar as coisas boas. Porque é uma pessoa que também gosta de falar, de ajudar, de transmitir.
Bola na Rede: Ajudou-te na adaptação?
NiltonVarela: Muito, muito, muito. Estava sempre a dar conselhos também, porque já jogávamos muitas vezes no mesmo corredor e ele aconselhava-me as decisões que tinha que tomar, tudo que pudesse acrescentar. E eu tentava também absorver tudo do sumo que ela dava. Porque é uma pessoa que quer chegar a um nível alto no futebol e ter o convívio com essas pessoas. É muito bom, muito bom mesmo.
Bola na Rede: No teu setor, gostava de falar aqui sobre dois jogadores: Tiago Gabriel, que vai à seleção e muitos falam no seu crescimento, e Diogo Travassos, lateral que foi confirmado no Braga.
Nilton Varela: O Tiago veio da formação do Estrela. Muito humilde, muito trabalhador, sempre soube ouvir, muito importante. Sempre teve paciência, via-se que tinha qualidade. Personalidade a jogar, via-se que tinha tudo. Faltava ali o crescimento normal da adaptação. Ele estava a jogar no Campeonato de Portugal e estava a jogar na Primeira Liga de um momento para o outro muito rápido, mas correspondeu muito bem às expectativas. Trabalho, quando se trabalha bem como ele trabalha, isto está a ser consequência do fruto do trabalho dele. Está a ser incrível, não vai parar por aqui, porque de certeza que agora vai para os voos mais altos e merece isso. Merece isso porque é um miúdo fantástico e humilde, muito humilde. Vai construir carreira, vai fazer carreira muito boa pelo futebol.
Bola na Rede: E o Diogo Travassos?
Nilton Varela: Os primeiros treinos já vês que é diferente. Joga com os dois pés, joga na esquerda, joga na direita. Muita intensidade, muita personalidade. Ele chegou ao Estrela muito jovem e já vês que era diferente, que tinha personalidade. Quando tens personalidade e chegas aos jogos e assumes assim, sem nunca ter jogado na Primeira Liga, acho que nunca tinha jogado na Primeira Liga. Jogava no Sporting B. Tinha o Danilo na altura como concorrente e era uma guerra ali os dois, era muito bom. Essa concorrência é saudável e leva a que os dois cresçam. Os dois cresceram. Um para a Itália, o outro agora para o Braga.
Bola na Rede: E tu, como lateral, tens alguma referência no futebol atual?
Nilton Varela: É impossível não falar do Nuno Mendes, porque acho que temos características muito idênticas. Defende bem, ataca bem. Ele faz tudo, vai e vem, não cansa. Não tem como não ser uma referência para qualquer jogador, para qualquer lateral que veja futebol e que goste e queira crescer. Tenho que tê-lo como referência, porque está a fazer coisas extraordinárias no mundo do futebol.
Fonte: Cláudia Figueiredo / Bola na Rede
«Gostava de vingar mais em Portugal, de chegar a um grande mesmo»
Bola na Rede: Indo à tua passagem pelo FC Porto B, que disseste que te moldou como pessoa, quais é que foram as maiores aprendizagens nesta passagem?
Nilton Varela: Sinceramente, tive um gostinho de sentir o que é que é ser jogador de equipa grande. É diferente, é muito bom. É uma coisa boa. Custa. Dá trabalho. Vê-se a maneira como trabalham, o quanto são rigorosos, o fora de campo, o controlo, porque o FC Porto é uma equipa que não é só o campo. Tens de viver o FC Porto dentro e fora de campo. Se o FC Porto não ganha, não podes sair à rua no dia seguinte. Quem é jogador à FC Porto e quem joga no FC Porto tem de sentir o FC Porto. E isso é uma das coisas que, uma coisa eu é dizer-te aqui, tu vais dizer, ok, é isso. Mas outra coisa é estar lá dentro. E tu viveres o dia-a-dia deles, veres o que eles trabalham, o que as pessoas sentem. É bom. Eu gosto disso. Gosto de trabalhar forte, de ser rigoroso, de sentir. Não gosto de, perdermos ou empatarmos, e é como se tivéssemos mais um dia normal. Temos de sentir, temos de ver. Temos de pôr a mão na ferida, o dedo na ferida. E gostei desse sentimento. E por isso é que ainda hoje quero voltar a Portugal, porque sinto que ainda tenho algo a dizer aqui em Portugal. Gostava de vingar mais em Portugal, de chegar a um grande mesmo. Aquilo que tive no FC Porto B, cheguei a ter contacto com a equipa principal.
Bola na Rede: O que achas deste FC Porto?
Nilton Varela: Voltou a ter a identidade do que é o FC Porto. O correr, o sentir. Às vezes as coisas não correm tão bem, porque há dias em que a qualidade não está lá, mas a vontade de vencer tem de estar sempre presente. Até o árbitro apitar tem de continuar. E neste FC Porto de Farioli, vimos isto. Vimos uma união, fora e dentro de campo. Isso é que fez a diferença. O FC Porto foi a equipa mais regular, porque tinha um balneário muito forte. Tinha uma equipa. Realmente tinha uma família lá dentro. E isso depois notou-se em campo.
Bola na Rede: Mudaram por completo o plantel, mudaram o treinador.
Nilton Varela: Às vezes não é fácil. Haver grandes mudanças, muitas mudanças. Não sei qual foi o segredo dele, mas conseguiu juntar ali e criar laços. Criou uma família logo nos primeiros treinos. Viu-se os vídeos que saíram cá para fora da apresentação dele aos jogadores. E viu-se que o discurso já começava a unir as pessoas. Agora nas celebrações, um ponto que foi muito importante foi o Vasco, o Vasquinho de Sousa. Também um craque. Tenho pena do que ele está a passar, porque ele merece tudo de bom e de melhor, porque é um profissional de elite. Não falha nada. Alimentação, trabalho, ginásio, extra-campo, tudo. E tem muita qualidade. E tenho a certeza que vai ser muito feliz, porque Deus só dá a grandes batalhas a grandes lutadores, grandes guerreiros. Ele é um grande guerreiro e vai ser muito feliz. E um dos pormenores que eu estava a dizer era a celebração do campeonato. Ele estava emprestado. Não sei se ele chegou a fazer minutos na equipa principal neste ano.
Bola na Rede: Neste ano, não.
Nilton Varela: Estava a celebrar lá no relvado. Vê-se o que é uma família. Isso é uma família, porque ele é jogador do FC Porto. Ele é do Porto e as pessoas sabem o que é que ele passou, o que é que é o FC Porto. E ele é um jogador à FC Porto, realmente. E o facto de ele estar lá a festejar no campo também, porque é e também merece, vê-se a diferença.
Bola na Rede: Sentes é mesmo das coisas mais importantes é ter o balneário unido?
Nilton Varela: Está no top um, dois.
Bola na Rede: Porque às vezes, dizem também que claro, o balneário é unido, mas que há grupinhos.
Nilton Varela: Exatamente. E se acabares por eliminar esses grupinhos, é mais fácil. Muito mais fácil, porque, dentro de campo, vais notar isso.
Bola na Rede: Grupinhos não quer dizer que seja uma coisa má. Simplesmente, são grupos de pessoas que se dão mais umas que as outras, mas há balneários que são mais juntos no geral.
Nilton Varela: Isso vai acabar por haver em todos os balneários. Acredito também no FC Porto, que é uma grande família e está a ser, como noutro vai ser igual. Há sempre aquelas pessoas que se dão melhor, é normal. Identificam-se mais, são do mesmo país, da mesma cultura. Isso é inevitável. Mas não só fecharem-se ali nesse grupinho, mas também falarem com todos e abrirem-se com todos também é importante. No campo também vai-se notar e no treino também ajuda.
Bola na Rede: E como sentes que foi o balneário quando estavas no FC Porto?
Nilton Varela: Ah, era muito bom. Fizemos uma grande época. Tínhamos um balneário muito unido. Tínhamos o Zé Pedro, jogadores com experiência, o Wendell, o Marcos que está na Estrela, o Pinheiro, que está agora no Famalicão e também está a explodir, o João Mendes. Por exemplo, eu e o João Mendes estávamos na mesma posição. Na altura até jogava à frente, jogava a extremo-esquerdo e ele a lateral. Ajudávamos um ao outro imenso, eu ajudava-lhe a defender, porque era lateral e sabia o que o lateral precisava para defender, porque às vezes o lateral do extremo vem de dois para um e aí precisava de ajuda para defender, e ele a atacar era igual. Ajudávamos, complementávamos um ao outro e aí só ajudava a equipa a fluir, porque se ele sabe o que é que eu sou bom e eu sei o que é que ele é bom, e ele sabe o que é que eu sou menos bom, e eu sei o que é que ele é menos bom, e se juntarmos tudo e ajudarmos, a equipa só ganha com isso.
Bola na Rede: Sentes que isso também ajudou no teu crescimento: jogares a extremo-esquerdo, jogares a lateral?
Nilton Varela: Muito. Pelo conforto, conforto com bola, jogar de costas. Eu era um jogador que só tinha jogado da lateral, de frente para trás era o comboio, e aí eu estava muito confortável. E extremo, em equipa grande, em que às vezes o Folha pedia para eu jogar por dentro e tudo, para às vezes deixar o corredor para o lateral, muitas vezes surgiam-me situações de jogar de costas para a baliza, e eu não estava tão habituado. Isso ajudou-me muito, porque às vezes conseguia desenvolver as minhas capacidades de jogar entre linhas, rodar, combinar, e conseguia explorar a profundidade também, porque é uma das minhas características mais fortes: atacar a profundidade.
Fonte: Estrela da Amadora
Bola na Rede: Hoje em dia, o lateral pode ter uma posição diferente. Joga mais interior e antes talvez era muito mais encostado à ala. Sentes que há essa evolução na lateral e que é mesmo importante?
Nilton Varela: É importante em todos os jogadores. Acho que, no futebol moderno, todos os jogadores têm de saber jogar em várias posições ou, pelo menos, entender várias posições. E o lateral não foge à regra. Vais apanhar treinadores que querem o lateral por fora, a dar profundidade. Há outros que querem mobilidade, que jogue por dentro. E, se estiveres preparado para fazer todas as funções, mais facilmente poderás jogar. E quanto mais jogos fizeres, mais vais ser visto. Quanto mais fores visto, mais vais crescer e melhor carreira vais fazer. Porque o futebol hoje em dia é assim: temos de nos adaptar ao contexto atual.
Bola na Rede: Ainda no FC Porto, quem mais te impressionou?
Nilton Varela: Um jogador que não me surpreendeu, mas aquilo que eu vi dele nos treinos foi incrível. Até hoje não sei dizer porquê, se calhar, não vingou no FC Porto. Teve oportunidades, mas talvez as coisas não lhe tenham corrido tão bem como esperava, não sei. Mas o Romário Baró… incrível. Uma qualidade incrível. Vi-o fazer coisas nos treinos, vírgulas, cuecas, e tu ficavas a pensar: “O que é isto?”. Não, realmente, o que é isto? Nunca tinha visto nada assim. Um jogador incrível. Temos também o Toni Martínez. Gosto muito dele. É um excelente finalizador e, como pessoa, também é muito humilde, tranquilo. Gosto muito dele.
Bola na Rede: E ainda manténs contacto?
Nilton Varela: Não, agora já não. Também não sou um jogador muito de ficar a falar assim. Não gosto muito de chatear. Sou mais de estar no meu cantinho, mais tranquilo. Se os vir na rua, claro que falo e mantemos contacto.
Bola na Rede: Digo, manténs contacto com alguém do FC Porto ou mesmo do Estrela da Amadora?
Nilton Varela: Do Estrela, ainda vou mantendo contacto com alguns, até porque foi mais recente. No FC Porto, se os vir, falo, mas não sou muito de estar em contacto ou a trocar mensagens regularmente. Sou mais tranquilo nesse aspeto.
Bola na Rede: Mas disseste que ainda tens o objetivo de voltar a Portugal?
Nilton Varela: Sim, gostava de voltar a Portugal. Porque é o que eu digo: acho que ainda tenho uma palavra a dizer aqui. Pelas minhas características e qualidade, acho que posso vingar em Portugal. Sinto que ainda não vinguei o que eu queria, o que sinto. Quando tens aquela vozinha dentro de ti a dizer que ainda tens algo por fazer aqui, acabas por acreditar nisso.
Bola na Rede: Esse é um dos teus sonhos. Tens mais algum?
Nilton Varela: Dentro do futebol, tenho de dizer que ser campeão em Portugal. Ser campeão em Portugal é um sonho que tenho desde pequenino. Posso ir lá fora lá fora, mas acho que ser campeão em Portugal… esse é o sonho de base. Próximos tempos? Nunca se sabe. O futebol hoje em dia é um bocadinho complicado estar a prever algo que seja, mas sim, a curto e médio prazo, via-me a regressar a Portugal, se me abrirem porta para fazer aquilo que tenho a fazer aqui ainda.
Fonte: Pedro Figueira / Bola na Rede
«Cabo Verde pode ser uma surpresa no MUndial. Portugal? Tem de estar no lote dos favoritos»
Bola na Rede: Podemos falar um pouco sobre o Mundial. Qual é a tua expetativa de Cabo Verde?(*entrevista realizada antes do início do Mundial)
Nilton Varela: Estou muito ansioso e curioso para saber, porque é muito diferente. É uma competição que vai exigir algo diferente, porque a pressão será outra, o contexto é outro, noutro país, e vai ser tudo novidade para Cabo Verde. Mas é uma seleção com jogadores de muita qualidade, uma equipa jovem que tem vindo a crescer.
Bola na Rede: Por exemplo, partilhaste balneário com o Jovane Cabral.
Nilton Varela. Exato. O Telmo Arcanjo também. Têm muita qualidade, e sei que vão lá e vão representar da melhor maneira o Cabo Verde, e acho que pode ser uma surpresa no Mundial. Estou convencido que pode ser uma surpresa no Mundial, porque são também um balneário muito unido, têm jogadores, como disse, muito jovens. Wagner Pina fez uma excelente temporada na Turquia, o Hélio Varela está em Israel, está muito bem, o Sidny Lopes Cabral também, incrível, incrível. Têm uma seleção que podia estar aqui a continuar. O Telmo também é incrível, muita qualidade, e como eu disse, também são muito unidos. Eu estava a partilhar balneário com o Jovane e, às vezes, ficava no quarto com o Jovane e via-o a fazer chamadas com os jogadores de Cabo Verde, como disse, o Wagner e tudo mais. E, entre eles, a fazerem as chamadas, vê-se a diferença, o contacto que mantêm, a ligação que mantêm, e isso vai ver-se dentro de campo, tenho a certeza. Porque, quando as coisas ficarem mais complicadas, eles vão-se unir como uma família. E aí vai fazer a diferença.
Bola na Rede: Lembras-te onde é que estavas quando eles se qualificaram? Como é que viste essa qualificação?
Nilton Varela: Estava a ver em casa, porque foi na altura em que fiquei seis meses em casa por causa da situação do Estrela, e acompanhei tudo. Festejei muito. Eu e a minha namorada também estávamos a festejar, porque é Cabo Verde, é a minha origem, e fiquei muito contente por se terem apurado. Foi histórico.
Bola na Rede: Sentes que é a melhor geração do Cabo Verde?
Nilton Varela: É diferente, sim, é diferente. É um bocadinho injusto porque, como é que hei de te explicar? As seleções africanas sempre tiveram grandes jogadores. Só que esses grandes jogadores acabam por vir para a Europa e naturalizam-se pelo país onde estão, França, Portugal, Espanha talvez também, ou outro país europeu. E esses países africanos acabam por perder um bocadinho as suas maiores qualidades, os seus melhores jogadores.
Bola na Rede: Temos por exemplo o caso do Nico Williams e do Iñaki Williams, que um joga por Espanha e o outro joga em África.
Nilton Varela: Exatamente. É um bocadinho injusto pegar por aí, mas hoje em dia já se começa a ver as coisas de maneira diferente. Os jogadores mais jovens começam cada vez mais a representar os países de origem. E isso vai fazer com que as seleções africanas cresçam muito mais nos próximos anos. Mas, respondendo à pergunta, acredito que sim. Acho que esta pode ser a melhor geração que Cabo Verde já teve.
Bola na Rede: É um dos debates que também se vê é: acreditas que ainda vamos ver uma seleção africana a ganhar o Mundial?
Nilton Varela: Com certeza que sim. Hoje em dia, como eu disse, os jogadores bastante jovens já começam a naturalizar-se pelos países de origem. Acho que também há o caso de um jogador, penso que do PSG, mas de uma equipa grande, que tinha a oportunidade de jogar pela França e acabou por optar pela sua seleção de origem.
Bola na Rede: Temos também o caso do Brahim Díaz, por exemplo, que joga no Real Madrid, vai por Marrocos.
Nilton Varela: Há muito mais. Hoje em dia, há cada vez mais. Acredito que sim. Não sei daqui a quantos anos. Ainda não acredito que seja neste Mundial, mas num futuro próximo acredito que sim, porque África tem muita qualidade. Se formos ver, uma das seleções favoritas a ganhar o Mundial, para mim, é a França. E, se formos analisar, 90% deles, se calhar, têm origem africana. São franceses, naturalmente, mas têm raízes africanas. Por isso, acredito que num futuro próximo poderemos ter, com toda a certeza, uma seleção africana a ganhar um Mundial.
Bola na Rede: Um dos jogadores de Cabo Verde, Stopira. Viste?
Nilton Varela: Incrível. Fico muito contente por ele.
Bola na Rede: Conheces pessoalmente?
Nilton Varela: Não o conheço pessoalmente. Acompanho-o pelo nome que é para Cabo Verde, pelo que representa e também profissionalismo que tem. É um lutador nato. E só consegue atingir tudo isto quem nunca deitou a toalha ao chão e trabalhou sempre muito. Está a ser um ano de sonho. Ninguém lhe tira isso. Desejo que ele seja feliz. Que seja ainda mais feliz, é isso que me interessa. Porque merece, sem dúvida.
Bola na Rede: Falaste de França, pergunto-te se achas que Portugal está também no lote de candidatos?
Nilton Varela: Portugal, claramente, tem de estar no lote dos favoritos. Porque, se formos olhar para os nomes individualmente, são dos melhores do mundo. Diogo Costa, um dos melhores guarda-redes do mundo. Nuno Mendes, um dos melhores laterais-esquerdos do mundo. Rúben Dias, Vitinha, João Neves… Posso continuar aqui a enumerar nomes. Portugal tem de estar entre os favoritos. É o que eu digo: acho que agora o que vai fazer a diferença vai ser o quão família eles são, ou não. Eu não estou lá dentro, não sei como funciona, mas acredito que tenham uma grande ligação. Já ouvi, por exemplo, entrevistas do Bernardo Silva, do Rúben Dias, se não me engano, ou do Vitinha, em que falavam de coisas simples, como o facto de, depois das refeições, se juntarem todos para jogar. E isso parece que não faz diferença, mas faz. Porque hoje em dia, em quase todas as equipas, cada um faz a sua refeição, vai para o quarto, pega no telemóvel e fecha-se ali. E haver esse convívio…
Bola na Rede: Pode ser um fator diferenciador.
Nilton Varela: Exatamente, porque tu inevitavelmente não estás ali só a jogar. Acabas por falar de outras coisas com os teus colegas, partilhas momentos da tua família, partilhas histórias, e acabas por criar uma ligação. Uma das coisas de que agora me lembrei foi do Zé Faria. Quando entrou para o comando técnico do Estrela, fez uma coisa: em todos os treinos, dois ou três jogadores contavam a sua história de vida ao plantel, à frente de toda a gente. E ele tinha razão. Porque nós jogávamos com jogadores que, na verdade, não conhecíamos. Eu sabia quem era, por exemplo, o Tiago Gabriel, mas não sabia o que estava por trás dele. Não conhecia a família dele. Não sabia que ele tinha uma filha, e ele já tinha uma filha de dois anos. Eu só soube disso ali.Há vezes que eu posso não estar tão bem, os meus colegas e eu perceber o contexto que vive e está pode fazer a diferença. Hoje pode não estar tão bem, porque se calhar tem a mãe doente. Então vou fazer mais, porque sei que não está a passar uma boa fase. Enquanto, se não souber o que está a passar, pode ser diferente. Somos seres humanos e o futebol é um desporto coletivo. Se sabermos grande parte do que se passa, é mais fácil eu dar a vida por ti, sabendo quem tu és, o que estás a passar, em vez de um desconhecido. Só sei o nome. Faz a diferença.
Bola na Rede: Para fechar, gostava que definisses a tua carreira numa palavra. E onde é que te vês daqui a 10 anos?
Nilton Varela: Superação. Acho que a minha carreira é de superação, nem sempre foi fácil. Estreei-me cedo e fiz uma grande época. Talvez estava no meu melhor momento que passei até hoje. Tive uma lesão no cruzado e infelizmente tive de recomeçar o processo. Cheguei a estar no FC Porto B, queria ter vingado na equipa principal, não consegui e fui ao Estrela. No Estrela, consegui vingar-me – digamos assim – na Primeira Liga. Infelizmente as coisas não correram bem na minha saída. Sempre a superar. O melhor está para vir. Daqui a 10 anos, com 35, espero já estar aqui em Portugal, perto da minha família. Já estou em final de carreira, espero ter troféus no currículo, ter vingado em Portugal. Espero não, vou ter de vingar em Portugal. E deixar a minha família e a mim próprio orgulhoso e chegar aos 35 e dizer: ‘Dei tudo o que tinha’. Posso não ter conseguido o que te estou a dizer hoje, mas dei tudo. Não ficou nada para dar e isso é o melhor que se pode ter, ficar de consciência tranquila.
Bola na Rede: Obrigado, Nilton. Muito obrigado pelo tempo, por estares aqui com o Bola na Rede e boa sorte também.
Em entrevista à imprensa turca, Mário Branco revelou que há vários jogadores da Liga Turca no radar do Benfica para o mercado de transferências.
Orkun Kokcu e Kerem Akturkoglu são dois exemplos de reforços do Benfica provenientes do futebol turco nos últimos anos. Em entrevista ao canal de Youtube de Yagiz Sabuncuoglu, Mário Branco afirmou que esta tendência pode continuar a existir, revelando que há vários jogadores da Liga Turca no radar dos encarnados:
«Há muitos jogadores da Liga turca de quem gosto muito. Estamos a controlar o mercado. Nunca sabemos se esta época poderemos ter algum alvo da liga turca. (…) Gosto muito da liga turca por razões óbvias. Primeiro, porque conheço muito bem o mercado. Segundo, porque é um mercado muito bom. (…) Não vou revelar nomes, porque se contar o preço vai aumentar e será mais difícil para o Benfica».
De seguida, o diretor-geral do Benfica abordou as diferenças na capacidade financeira dos clubes entre os dois países:
«A Turquia tem a habilidade de garantir jogadores que normalmente uma equipa portuguesa não consegue. (…) Todos os países do top-5 da Europa controlam muito este mercado. Em Portugal não temos a mesma habilidade financeira, mas estamos sempre atentos a oportunidades».
Por fim, Mário Branco relembrou os recentes negócios do Benfica com o mercado turco:
«Esta temporada vim aqui (Turquia) para concluir o Rafa e levá-lo para o Benfica. Acabámos também de fechar, há alguns dias, a transferência de Lopes Cabral para o Trabzonspor. (…) Os últimos jogadores turcos que estiveram no Benfica estiveram muito bem, o Orkun (Kokçu) e o Kerem (Aktürkoglu), por isso é um mercado que observamos com atenção».
A mesma fonte revela que o emblema alemão não tem qualquer intenção de vender o médio de 25 anos, a não ser que receba uma proposta astronómica. Contudo, a partir de 2027, o contrato do internacional alemão passa a ter uma cláusula de rescisão de 70 milhões de euros.
Depois de uma temporada em que acumulou cinco golos e três assistências em 42 jogos, Felix Nmecha tem sido um dos destaques da seleção alemã no Mundial 2026, apontando o golo inaugural da goleada sobre Curaçau e assistindo o golo da vitória frente à Costa do Marfim.
🚨 Real Madrid have made an enquiry for Borussia Dortmund midfielder Felix Nmecha at the request of José Mourinho.
The German international has emerged as a midfield target for Los Blancos, while Manchester United and Manchester City are also tracking his situation.
«Não têm qualquer fundamento (rumores). Ele (Pavlidis) tem contrato connosco até 2029, estamos muito felizes com ele. (…) De repente, ouvi falar de propostas da Turquia, mas ninguém falou com o Benfica. Não temos ofertas nem contactos. São apenas rumores».
O diretor-geral do Benfica destacou ainda a importância de Vangelis Pavlidis para os planos da próxima temporada, assegurando a sua continuidade:
«Marcou mais de 50 golos nas últimas duas épocas pelo Benfica. É um jogador importante para nós e queremos mantê-lo. Ele quer ficar no Benfica e vai ficar».
Nuno Borges venceu o francês Adrian Mannarino por 6-2 e 6-2 e garantiu a passagem à segunda ronda do ATP 250 de Maiorca.
Nuno Borges entrou da melhor forma no ATP 250 de Maiorca ao garantir, este domingo, a qualificação para a segunda ronda da competição. O número um nacional venceu o francês Adrian Mannarino, oitavo cabeça de série, com um expressivo duplo 6-2.
Em relva e num duelo que durou cerca de 1h18, o tenista luso, atualmente 54.º do ranking ATP, impôs ritmo desde cedo e não deu grandes hipóteses ao experiente adversário francês. Nuno Borges confirmou o bom momento de forma e voltou a levar a melhor sobre Mannarino, ampliando o registo favorável no confronto direto.
Na próxima ronda, Nuno Borges vai defrontar o vencedor do embate entre o espanhol Martín Landaluce e o alemão Jan-Lennard Struff, numa fase do torneio que serve de preparação para Wimbledon, que inicia no final do mês de junho.
André Villas-Boas deixou fortes críticas ao Conselho de Arbitragem, sugerindo reformas no vídeoárbitro e maior consistência nos critérios.
Numa longa entrevista com O Jogo, TSF e JN, André Villas-Boas apontou uma série de falhas na arbitragem nacional e no CA, deixando várias sugestões para reformas estruturais. O presidente do FC Porto começou por falar sobre a integração de nova tecnologia no VAR:
«É necessário mudar o licenciamento e as exigências que tem. Essa é uma preocupação que existe, também muito por via do que aconteceu com o FC Porto B na época passada. A uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios portugueses é premente, esse é o primeiro passo. Mas antes de passarmos ao passo tecnológico, é precisa uma uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios. As mesmas câmaras, a mesma qualidade, o mesmo número de câmaras. E depois a melhoria da tecnologia e das ferramentas. Portanto, desde logo, linha de golo e foras de jogo que sejam semiautomáticos. Ultrapassadas essas problemáticas, o produto do futebol português também melhora, há menos casos nos nossos jogos, melhores decisões de arbitragem. A tecnologia ao serviço da verdade desportiva. E não ter casos, como tivemos o ano passado, no FC Porto B, em que um fora de jogo evidente não foi decidido por conta da exposição à luz solar e ao posicionamento da câmara e das colunas dos estádios. É algo patético que temos de combater».
André Villas-Boas acrescentou:
«Nós fizemos muito barulho o ano passado, agora temos a Federação finalmente connosco, porque, em sede da Liga Portugal, o presidente Pedro Proença foi muito recetor deste nosso movimento e agora quer passar para essa obrigatoriedade como promotor de uma melhoria. As câmaras utilizadas na Premier League para decidir foras de jogo são capazes de dar 60 frames por segundo. Já as câmaras portuguesas estão entre os cinco e os dez frames para tomar uma decisão sobre um fora de jogo. Portanto, é a diferença entre a bola estar colada ao pé ou estar ligeiramente afastada cinco centímetros. A partir daí, é muito mais difícil para quem opera a tecnologia VAR tomar decisões que sejam coerentes. Portanto, há uma parte que está relacionada com a tecnologia e há outra parte que está relacionada com a informação e a educação dos próprios árbitros, que tem a ver com o Conselho de Arbitragem, com o próprio desenvolvimento dos árbitros e a forma como são penalizados ou recompensados. Já vimos árbitros que passam de apitar um jogo na II Liga 2 promovidos para um clássico e não vimos uma regularidade que compense relativamente os melhores»
De seguida, afirmou que existe uma falta de consistência nos critérios da arbitragem, falando sobre alguns dos problemas atuais na arbitragem nacional:
«A uniformização de critérios de decisão é uma das grandes problemáticas do futebol europeu ou mundial, digamos assim. Há uma tentativa imediata de uniformizar critérios, esse é o ponto que considero fundamental. O que é que aconteceu este ano desde a tomada de posse do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença? Aconteceu uma liderança bicéfala do Conselho de Arbitragem que não funcionou, mais uma exposição pública e mediática dos árbitros, com diferentes identificações do critério em situações que, no nosso entender, parecem similares e que acabaram por confundir também os próprios árbitros e levaram a uma deterioração evidente da qualidade de arbitragem e dos critérios em determinados lances. Todos lutamos para uma uniformização clara dos critérios de arbitragem: o que é um penálti, o que é uma mão, e o que é uma falta, uma falta para amarelo, o que é uma falta para cartão vermelho. No fundo, as grandes decisões do jogo. O presidente da Federação de Portuguesa de Futebol pede tempo para o seu Conselho de Arbitragem funcionar na plenitude. Esta primeira época foi um falhanço evidente. Houve, da parte dos próprios, um recuar relativamente à posição dos árbitros que eu acho que foi positivo».
Por fim, abordou o papel da Comunicação Social no tema:
«Vamos ver na próxima época que tipo de posicionamento vai ter esta liderança bicéfala do Conselho de Arbitragem relativamente ao que aconteceu nesta época. Não foi positiva, foi difícil. Agora, também me parece evidente que determinados grupos de Comunicação Social vivem mediaticamente das más decisões de arbitragem para criar programas e conteúdos que atraem pessoas. Não estou a dizer que é o vosso [grupo], mas há também da parte da Comunicação Social um empolamento destas decisões, porque causam, evidentemente, controvérsia, causam caos, trazem atenção e chamam atenção. E trazem, no fundo, receitas».