Carta Aberta ao: Treinador Português

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PARABÉNS!

Meus caros estandartes da nação, qualquer outra palavra seria ingrata para começar esta carta. Seria inadequado iniciá-la sem vos parabenizar pela excelente imagem de competência que vão espalhando pelos bancos e balneários deste mundo que é o Futebol. Obrigado!

Esta é uma carta aberta e, para fazer jus a esse facto, é endereçada a todos os rostos nacionais que simbolizam a essência de um treinador. Trata-se de uma congratulação através de uma carta sem identificação de rosto, porque, para que alguns hoje estejam no auge da pirâmide, lembramos que alguns outros se aventuraram e abriram caminho por mares desconhecidos. Ainda outros, de igual imensidão de talento, permanecem no anonimato dos holofotes dos media, ou quando muito chegam a ter os seus “15 minutos de fama”. Só que também não podem ser esquecidos. Muitos deles continuam ‘lutando’ por amor à camisola na formação de futuros campeões, ou, no mínimo, dos profissionais de amanhã!

É notável referir que o ‘PEQUENO’ Portugal, o lindo país da periferia, abriu a época da Liga dos Campeões de 2015/16 com o maior contingente de treinadores de um país. Eram cinco no total, representando: o Benfica, o Chelsea, o Zenit, o Olympiacos e o Valência. E teriam sido mais se o Sporting e o Monaco se tivessem apurado na última eliminatória de acesso. Não vou enunciar nomes porque a vitória é de todos, e para quem ama o Futebol e não sabe quem são: procure informar-se, pois é um pecado não saber!

Entre muitos outros espalhados pelo Mundo fica para a história que recentemente fomos CAMPEÕES em Portugal, Inglaterra, Espanha, Suíça, Grécia, Israel, Rússia, Hungria, México, Angola, Irão, Egito, Vietname e futuramente seremos na Turquia, em Moçambique, nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar, na China, no Japão, nos Estados Unidos e até na América do Sul se quisermos. Que fique registado, em alto e bom som: o treinador Português é o CAMALEÃO DA BOLA! Creio que juntos teremos mais títulos conquistados do que qualquer outro país.

Todo este contributo positivo no ‘mundo da bola’ é um feito notável e imensurável quando comparado com a dimensão de PORTUGAL, terra de audazes descobridores, nação brava que se lançou em oceanos enfrentando de peito as ‘ondas dos demónios’ e de pé o ‘precipício do horizonte’. Sempre com fé! Coragem, competência e qualidade caminham lado a lado com adaptabilidade e versatilidade, características que nos fazem vencer mais do que outros.

Atualmente, grandes nações brincam com o tempo do nosso auge na era dos descobrimentos. Dizem que as nossas embarcações erraram nos cálculos ou simplesmente navegaram ao sabor dos ventos ou em prol das tempestades. O certo é que NÓS estivemos lá, primeiro que os outros, e colocámos o nome Lusitano nas bocas do Mundo. Julgam-nos mortos ou adormecidos, mas acontece que hoje fazemos o mesmo no Futebol. Da subestimação nasce a surpresa! NÓS somos a prova viva, de várias gerações – desde os tempos em que Portugal era apenas Guimarães – de que não precisamos de ser muitos. Orgulhosamente singramos na vida, sabendo que, podemos ser poucos, mas somos bons! O português personifica bem a mensagem do filósofo espanhol José Ortega y Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância”.

Seguimos a nossa DINASTIA evocando o provérbio: Os cães ladram e a caravana passa”.

Paulo Sousa
Paulo Sousahttp://www.bolanarede.pt
Um português residente no Brasil. Vive com intensidade e aprendeu a não ter medo de escolher. Ama e trabalha com o Futebol, que colide com alguns dos seus valores morais. Futebolísticamente interessa-se por assuntos polémicos e desmistificar ideias não sustentadas em fatos. Inconformado, contagia-se pelos porquês que o levam a amadurecer.                                                                                                                                                 O Paulo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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