Olá, Ronaldo

Eu sou o Rui. Tenho doze anos e pedi ao meu pai para me ajudar a escrever esta carta porque eu ainda não sei usar o email. O meu pai perguntou-me logo porque queria escrever para ti e eu disse que era por tu seres o melhor de todos. Por seres o meu ídolo.

Sabes que eu já tenho uma camisola tua da Juventus? O meu pai deu-me essa prenda quando eu fiz doze anos no mês passado. Sei que ele e a minha mãe andaram a guardar dinheiro para me dar. E eu fiquei muito feliz. Foi a melhor prenda que já tive.

Eu também tenho uma camisola tua do Real Madrid. Dantes eu pedia ao meu pai, às vezes, para ir com ele ao café ver os teus jogos. É que eu não tenho aquele canal onde passam os jogos estrangeiros porque é muito caro. Mas agora já não vou. Já não gosto do Real Madrid. Tu nunca devias ter saído. Eu nunca mais vou usar a tua camisola do Real. Então, o meu pai deu-me esta. E agora às vezes vou com ele ver a Juventus. E levo sempre a tua camisola.

No outro dia, quando perdeste o prémio eu fiquei muito triste. Eu pensava que ias ganhar. Ainda por cima não estava lá o Messi. Eu não gosto do Messi mas o meu pai gosta. Diz que ele foi muito importante para tu seres tão bom, porque fez-te esforçar ainda mais para seres melhor que ele. E que ele é muito bom e então tiveste de te esforçar muito.

Mas o que queria dizer é que eu não sei porque não ganhaste. Tu foste o que marcou mais golos e ganhaste a Liga dos Campeões. O que ganhou quase não marcou golos. E eu sei que ele era da tua equipa. Então eu não percebo. Porque na minha escola quase ninguém conhece o Modric. Eu conheço porque, como disse, o meu pai levava-me a ver o Real Madrid e eu sei que era aquele que tem uma cara estranha e o cabelo engraçado. Mas ele quase nunca marca. Cá em casa dizem que foi por já não jogares em Espanha. Mas eu não sei nada disso, porque acho que os prémios não são sempre para quem joga em Espanha. Pois não?

Ronaldo faz sonhar milhões de crianças que procuram ser como ele
Fonte: UEFA

Sabes que eu também jogo futebol? Jogo num clube aqui da zona onde vivo (o meu pai disse para eu não dizer qual era, não sei bem a razão mas pronto). O meu pai mostrou-me um programa sobre ti de quando eras da minha idade e do quanto foi difícil vires para Portugal Continental e deixares a tua família. Deves ter chorado muito. Eu não ia querer ficar longe do meu pai, do meu mano mais novo e da minha mãe.

Por isso, eu acho que percebi uma coisa. Tu quando eras pequeno choravas de tristeza quando estavas longe da tua família e quando eras um menino da minha idade longe de casa, sozinho. Isso deve ser muito triste. Mas não desististe. Em vez disso, treinaste muito mais tempo que os outros para seres o melhor do mundo. Então, eu acho que tu agora quando choras (no outro dia vi-te a chorar por teres sido expulso) é só de raiva e não de tristeza. Porque tu queres ser sempre ainda melhor e ficas irritado quando alguma coisa corre menos bem.

O meu pai está sempre a dizer isso: para eu me esforçar muito. Que tu és o melhor de todos porque trabalhaste muito e sofreste. E que, para além de eu gostar muito de ti, devo também seguir o teu exemplo e dar o máximo. Esforçar-me para ser muito bom. Não importa se é no futebol ou noutra coisa que eu vou fazer quando for grande. Ele diz que o que importa é estar de consciência tranquila, que demos o nosso melhor naquilo que seremos. Ele diz que tu se tivesses decidido ser corredor também serias o melhor. Ou se quisesses ser ciclista ou canalizador ou informático. Porque tu trabalhas muito para ser o melhor.

Agora vou terminar porque se calhar já deves querer ir treinar outra vez e eu tenho de ir jantar.

Espero que recebas o que escrevi. Não precisas de responder, porque eu já fico muito contente de ter escrito para ti. Amanhã vou contar a todos os meus amigos que te escrevi e eles não vão acreditar. Mas escrevi mesmo… ao melhor do mundo!

 

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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