Caros companheiros de balneário

Decidi escrever estas palavras, para que elas não caiam em “saco roto”. Porque, como se costuma dizer: “palavras leva-as o vento”. Assim sendo, pretendo que cada uma destas palavras fiquem bem frescas na vossa memória. Mais: pretendo que estas linhas estejam bem inscritas no nosso balneário para que não se esqueçam nunca do que vos pretendo transmitir.

Eu sei. Eu sei que estava a chover imenso no passado Sábado. Eu sei que os gajos entraram cheios de força e que nunca seria fácil ir ganhar lá porque era um jogo de capital importância para eles. Sei que cada jogo se torna a partir de agora uma batalha dura e complicada de ser dominada ao longo de 90 minutos.  Mas mesmo assim…  O que é que foi aquilo???

Passes e passinhos? Um ou outro lance bem conseguido. E depois? Toca de cometer erros. Onde é que estava a garra do Boavistão? Onde estava o futebol fluído e de qualidade que temos demonstrado em muitos momentos? E depois vejo as vossas caras de tranquilidade após o jogo ou no dia seguinte. Onde está a vossa revolta e o vosso desejo por alcançar sempre mais? Caramba! Isto irrita-me solenemente. Muito mesmo. Acho que vos vou dar treino físico durante mais de uma hora para poderem “reflectir” um bocadinho convosco mesmos.

O Boavista FC foi surpreendentemente goleado na visita à Feira no passado Sábado
Fonte: CD Feirense

Sabem o que eu acho? Acho que vos faltou acima de tudo concentração. Porque em circunstâncias normais teríamos vindo no mínimo com um empate. Era o mínimo que podia aceitar. Afinal andamos aqui, entre muros e em burburinhos a acreditar no sonho Europeu, no Boavista que paulatinamente se vai transformando no novo Boavistão para quê? Para levarmos três de um clube que não marca três golos a ninguém?

Isto era para pontuar pessoal. Como vos disse no balneário, nos minutos antes de entrarmos em campo, este jogo era fulcral. Par demonstrarmos a nossa força e ficarmos numa posição “agradável” na luta pela Europa.

Porra pá! O que é que me falta para conseguir tirar, sobretudo nos jogos fora de portas, o melhor de cada um de vós?  Temos nove pontos fora. O Rio Ave FC tem 14. O GD Chaves 19 (!!!). Até o Moreirense FC (que luta por não descer) e o Guimarães que não joga nadinha, têm mais pontos fora de casa do que nós. Expliquem-me! Onde é que estou a errar? Tão fortes em casa e tão fracos fora?

Pois bem meus caríssimos: temos nove finais para jogar. Cinco delas em casa e somente quatro fora. Não há jogos fáceis, mas parece-me perfeitamente possível que consigamos fazer um brilharete em casa e fazer o pleno em casa. Temos equipas que lutam por não descer que se irão fechar e tentar a transição rápida, mas a isso já estamos habituados. E teremos o Chaves, mas também me parece que jogando como sabemos conseguiremos os três pontos.

O surpreendente Yusupha será uma das principais armas do Boavista FC no ataque à Europa
Fonte: Boavista FC

Fora de portas quatro jogos: FC Porto, Moreirense FC, Sporting CP e SC Braga, por esta ordem. Tremendo! Difícil sem dúvida. Ainda assim, não vejo porque não haveremos de conseguir alguns pontinhos. Sinceramente, parece-me possível pontuar até mesmo em Alvalade, Braga ou no Dragão.

Já vejo a festa no Bessa contra aquele clube que diz ser o 4.º grande. Mostrarmos quem o é afinal. E para isso vocês terão de ser grandes. Toca a correr rapazes. Correr e saber correr. Toca a jogar com qualidade, com humildade. Têm de dar tudo em campo. Ninguém vos pedirá muito mais que isso. Fizemos das nossas dificuldades forças e não vamos agora quebrar. Não vamos e eu não o deixarei. Este é o meu compromisso. E que cada um de vós tenha para com o restante grupo este mesmo compromisso. Para que juntos tenhamos um Estádio do Bessa completamente lotado e a festejar o regresso às noites europeias. Porque estes adeptos, este clube e este povo merecem esta alegria.

Todos juntos, sem excepção. Só assim conseguiremos atingir tudo aquilo a que nos propomos. Com o sonho bem vivo e acima de tudo com a força de tornar esse sonho uma realidade.

Um abraço a cada um de vós,

O vosso “mister” Jorge Simão

 

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

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