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Caro Jorge.

É com agrado que te escrevo estas breves linhas, prometendo-te que não me irei alongar muito.

Quero primeiro que nada dar-te os parabéns pala vitória de sábado passado. Depois quero só fazer uma ou outra ressalva que senti necessidade de te transmitir após ter ouvido, atentamente, as tuas palavras após o jogo.

Ainda te lembras do que é treinar clubes com o poderio económico do Vitória FC? Ainda te lembras do que é bater o pé a clubes grandes quando se tem um clube igualmente grande nas mãos, mas não tão grande quer em número de adeptos quer em orçamento?

Sei que quando vencemos as palavras saem mais facilmente. Que uma ou outra coisa pode ser dita sem ser demasiado pensada. Venceste, logo tu é que és o maior neste momento. O mundo da bola é assim. E se tu sabes encarnar algum papel, esse é o de vencedor. O fato foi feito à tua medida, porque quando o vestes ele fica melhor em ti que em qualquer outro. Ou pelo menos tu queres acreditar que sim. Mas se calhar ganhar ao Vitória “desta forma” não foi digno do maior dos vencedores que te julgas ser.

José Couceiro, parece ter ganho a confiança dos adeptos, após estes terem pedido a sua demissão  Fonte: Vitória FC
José Couceiro, parece ter ganho a confiança dos adeptos, após estes terem pedido a sua demissão
Fonte: Vitória FC

Se calhar o estádio estava todo verdinho, como tu disseste, mas esse verdinho também era dos nossos maravilhosos adeptos.

Se calhar levaram um banho de futebol na primeira parte que nunca pensaste ser possível.

Se calhar essa de termos entrado melhor no jogo porque tivemos um dia a mais é uma grande tanga. Influenciou a agressividade e frescura? Querem lá ver que vocês na primeira parte andaram a poupar-se para na segunda darem o máximo. Andaram a gerir o esforço? Mesmo que isso tivesse significado que poderiam, por mais de uma vez, ter sofrido o 2-0?

Se calhar vocês, tal como toda a imprensa, acreditaram que já estava mais que ganho. Por vezes é incrível a forma como nós, clubes pequenos, somos desvalorizados. É preciso fazer algo histórico para ter a atenção mediática. Ou então, e esses são os preferidos da comunicação social, acontecer algo de nefasto para que nos “caiam em cima”.

Se calhar era o vosso dia de sorte. Ou talvez o dia de azar do Tomás Podstawski. Ou talvez eu que tenha sido muito burro em pôr o rapaz a marcar a grande penalidade depois de ele ter feito aquela “defesa” que era de todo evitável. Que me perdoem todos os Setubalenses. Perdoa-me, Tomás!

Podstawski foi sem dúvida o homem da final de Braga: provocou a grande penalidade que deu o empate ao Sporting CP e ainda foi o único a falhar no desempate das grandes penalidades Fonte: Vitória FC

Se calhar conquistar Taças da Liga, ao serviço dos grandes, é um bocadinho mais fácil que conquistar uma ao serviço do Moreirense, do Setúbal e até mesmo do Braga, quando esta Taça está toda alinhada para que os grandes cheguem à final, quando têm dois jogos em casa na fase de grupo, que é tão somente a fase em que vocês entram nesta mesma competição.

O futebol não é justo e isso já o sei há muito tempo. Se fosse justo essa Taça seria nossa e teríamos dado essa enorme alegria a este clube que muito tem sofrido nos últimos tempos. Este clube histórico, estes sócios e adeptos mereciam isso e muito mais. Se fosse justo o Vasco teria feito o segundo golo, ou o Gonçalo, ou a bola que foi a barra teria entrado caprichosamente, e o Trigueira teria apanhado a grande penalidade do Bruno Fernandes. Mas não!

Isto tudo para te dizer que sim, é verdade: vocês ganharam e não importa como, porque o que fica é o vencedor. Portanto, no final de contas, o que tenho a fazer é dar-vos os parabéns. Parabéns para ti e para esse enorme clube.

Com isto tudo termino, enviando-te um abraço e votos de felicidades pessoais e desportivas e que nunca esqueças que esse clube, por onde também eu já andei, é e será sempre maior que qualquer pessoa ou que qualquer grupo de pessoas que possam estar a “comandá-lo”.

Um abraço

José Couceiro

Foto de Capa: Vitória FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

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