Querido capitão de todos nós

É na ressaca do jogo desta tarde de quarta-feira, 20 de Junho, que escrevo estas linhas, prometendo que serão curtas. Alguém como o melhor do mundo não tem de ser o melhor do mundo também a aturar os ‘devaneios’ de um quase septuagenário.

Acompanhar-vos tem sido um gosto, um prazer e em alguns momentos mesmo uma honra. Ao contrário do que possamos pensar, só conhecemos as pessoas quando interagimos com as mesmas, e é dessa forma que eu mais gosto de viver: junto dos meus semelhantes, de sentir as suas alegrias e as suas tristezas, de partilhar essas mesmas emoções e fazer delas também minhas. E as vossas vivências são, em parte, e desculpa a audácia, também minhas.

Meu querido Cristiano: o mundo é teu! Lembra-te sempre que tens um país não no teu colo mas um país que te quer dar colo. Acredito, ou melhor, sei, que em cada português está um colo capaz de te fazer ultrapassar as dificuldades que enfrentarás.

Terás o colo de mais de 10 milhões quando estiveres desiludido e com os olhos no céu pela golo que não marcaste. Terás o nosso colo quando a bola, eventualmente, se aninhar nas redes do nosso grande Rui e sentires que o mundo desabou sobre os teus ombros. Terás o nosso colo mesmo quando te sentires perdido por entre os defesas adversários, ou quando caíres no relvado por uma entrada mais ríspida.

Terás o nosso colo mesmo que no rosto do melhor do mundo corram as lágrimas de um anónimo português que, por instantes, se torna num comum lusitano incapaz de guardar dentro de si a tristeza e o desânimo. Sim, porque também o melhor do mundo pode desanimar, desacreditar e chorar. Porque também o melhor do mundo precisa de colo.

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