Meus caros:

Vamos regressar a casa. Mais de um mês depois. Parece que fomos de viagem para bem longe. Mas finalmente regressamos. E como é bom estar entre os nossos. Entre aqueles que nos amam. Entre aqueles que nos aconchegam. E o Marcolino de Castro é como o nosso lar que nos aguarda, que não nos foge, que nos abraça aconteça o que acontecer. E não vos falo de paredes ou divisões, mas sim da verdadeira essência do lar: das pessoas e das emoções que nos são entregues com a paixão e a dedicação de quem nada mais pede, senão uma total entrega e dedicação.

Vamos jogar com o CS Marítimo pela terceira vez esta época. E como não há duas sem três, espero tão somente uma nova vitória. Não será fácil! Não fiquem ‘deslumbrados’ por recebermos uma equipa que não sabe o que é ganhar há demasiado tempo. Não pensem que será pêra doce. A equipa tem qualidade e já sabem como são as equipas do Petit.

Teremos de amolecer esta pêra, que estará bem dura de roer. Se temos dentes para isso? Para isso e muito mais. Mas teremos de ser insistentes. Teremos de estar concentrados do primeiro ao último minuto. Teremos de correr mais do que eles, para que a pêra se ponha a jeito e se deixe finalmente morder. Teremos de ser mais inteligentes e mais fugazes. E, por fim, teremos de dar dentadas de forma certeira. E é aí que vai entrar o nosso roedor nato.

Mais de um mês depois, o CD Feirense poderá voltar a comemorar golos no seu lar
Fonte: CD Feirense

Sim, João. Estou a falar de ti. Tu serás o nosso matador. Terceiro jogo contra o Marítimo e, acredito, terceiro bis. Serás o homem que desferirá os golpes fatais.

Este é o teu ano, João! Acredito nisso desde o primeiro momento, ainda na pré-época. Mesmo quando aguardavas (impacientemente) pela entrada em campo. Mesmo quando o banco de suplentes tinha ‘picos’. O mundo é teu, João. Basta que o abraces. Estás na idade perfeita. Na idade de dar o salto. E como podes saltar bem alto… Tão alto que apanharás a pêra que está bem no alto da árvore, onde só os grandes chegam.

Para todos, as minhas palavras finais são de enorme afecto e de energia positiva. Se não conseguirem ouvir as minhas palavras durante o jogo, ou se não as ‘entenderem’, lembrem-se daquilo que é realmente importante: responsabilidade, sentido coletivo, ambição, concentração, criatividade e capacidade de adaptação a cada momento do jogo.

E se porventura as coisas não estiverem a correr bem, inspirem-se no vosso lar, que vos dará um abraço de conforto para que levantem a cabeça e no fim possamos todos abraçar este que é o nosso azul.

Todos juntos, a caminho de mais três pontos conquistados na nossa verdadeira manta protectora.

Nuno Manta Santos

Foto de Capa: Liga Portugal

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