Como será facilmente notado por todos vós, a minha pessoa não foi, nem nunca será, muito destas coisas. Porque para mim o essencial é o campo. O trabalho dos treinos. A dedicação e a garra que se demonstra a cada dia e em cada lance.

Poderão então estar a perguntar-se o porquê de estar a fazer uso destas teclas para transmitir algo que poderia fazer perfeitamente de uma outra forma, em qualquer conferência de imprensa ou em qualquer outro momento. Oportunidades não me faltariam.

Resolvi fazê-lo hoje, porque desde Domingo passado que sinto esta necessidade. Esta súbita necessidade de vos transmitir o que penso e sinto leva-me a estar aqui, sentado nesta cadeira, em frente desta secretária a quem costumo fazer pouca companhia e deste computador que serve, quase exclusivamente, para trabalho, mas não a horas tão tardias.

Depois do jogo de Domingo, depois da forma com que cada um dos nossos jogadores se bateu em campo, demonstrando a sua qualidade e o seu crer, quis, acima de tudo, transcrever por este teclado o que me vai bem cá dentro por forma a não me esquecer do essencial.

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Tozé tem sido, nas últimas jornadas, a principal arma no ataque da equipa de Moreira de Cónegos
Fonte: Moreirense FC

Aceitei voltar a este clube onde a época passada fui muito feliz, porque este clube é, sem dúvidas, um clube onde me revejo, onde encontro uma atmosfera em tudo idêntica ao que sou. Um clube de gente nobre, que sempre tem tratado dos seus com respeito e dedicação. Se há clube que cumpre as suas responsabilidades esse é o grande Moreirense FC.

Embora muitos possam não saber, este clube é um histórico. São 80 anos de história. Se é verdade que muitos deles foram passados nas humildes divisões secundárias, não é menos verdade que só um clube desta “dimensão” poderia, em anos consecutivos ser Campeão da (na altura) 2.ª Divisão e da 2.ª Liga, e ascender em dois anos à 1.ª Liga, nascendo assim, no início do novo século, para os olhares dos amantes do Futebol Português que muitas vezes apenas se restringem ao que se passa entre os maiores.

Fui, por algumas pessoas, ou até talvez um pouco mais que algumas, criticado por ter regressado a esta casa. “Não o quiseram e agora voltou. Se fosse comigo nunca mais. Só o chamaram porque ele é o bombeiro de serviço”. Estas e outras coisas foram por mim ouvidas, lidas, e até interiorizadas, sem que isso em algum momento tenha feito parte do que penso ou sinto.