No último fim-de-semana o FC Barcelona recebeu o Real Bétis Balompié, naquele que era o jogo de regresso de Lionel Messi, depois da lesão no braço. Campo Nou, acabou mesmo por assistir a um encontro histórico, mas não (para fugir à rotina) por mérito de Messi.

O artista, responsável pela noite inesquecível do dia 11 de Novembro, dá pelo nome de Quique Setién. O treinador espanhol, que já tive oportunidade de falar aqui no BnR, conduziu os seus comandados à conquista da primeira vitória forasteira no Camp Nou nos últimos dois anos.

Mais do que uma vitória, foi a afirmação de uma ideia, de uma filosofia de jogo e de uma forma de ver o futebol. Nesse artigo que tive a oportunidade de escrever, no dia 29 de Setembro, assumi que: “William e Lo Celso, vão ser duas peças muito importantes no tabuleiro de Quique Setién. “e não podia ter sido mais preciso, já que foram absolutamente vitais nesta vitória, como vamos ver.

Equipas Iniciais

O Barcelona, apesar do regresso de Leo, não podia contar com Coutinho, assim foi a primeira oportunidade de Malcom, no onze inicial de Ernesto Valverde. Estruturalmente, não houve alterações no 4-3-3 ofensivo com que a equipa têm alinhado.

Os visitantes, como descrevo no título, acabaram por usar uma estrutura similar aquela que o Real Madrid CF utilizou na segunda parte, na pesada derrota em Camp Nou. Foi um 3-4-1-2, montado para jogar à bola! Apresentado uma proposta corajosa, assumindo riscos (como sair a jogar desde trás sobre intensa pressão), um futebol positivo.

William Carvalho e Guardado, ocupavam as posições centrais no meio campo, com Junior Firpo (pela esquerda) e Tello (direita) a completarem a linha de quatro. Na frente desta linha de quatro, e no apoio à dupla atacante Joaquin-Loren, estava Lo Celso.  Na linha de três defensiva alinharam Sidnei (Ex-Benfica), Bartra (que rubricou um jogo monstro) e Mandi.

 

Outra vez, Xadrez | Dos 20 min de Lopetegui aos 90 de Setién

O treinador espanhol é um confesso apaixonado por Xadrez, portanto não é surpreendente que grande parte das suas abordagens aos jogos, passam pela tentativa de controlar o corredor central.

Sem a bola, o Betis pressionou o Barcelona em zonas altas, subiu a linha defensiva e assumiu uma marcação homem a homem, não só no meio campo, como na defesa. No limite do risco, sem medo, os defesas Verdiblancos, assumiram o 1vs1 com Messi, Suarez e Malcom. William e Guardado não deixavam Arthur e Rakitic respirar, com a mesma intensidade com que Lo Celso pressionava Busquets, estes comportamentos agressivos sem bola tinham o objetivo de nunca deixarem os médios do Barcelona receberem de frente para a baliza do Bétis, sempre de costas.

Vemos, nos dois exemplos em baixo, como o Bétis pressionou o Barcelona alto, assumindo os duelos individuais. Objetivo: Nunca deixar rodar, só podem receber de costas!

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Fonte: BeIN Sports

Neste primeiro, reparem como o defesa central do Betis acompanha Messi até ao limite, nunca o deixando rodar.

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Pressão agressiva dos alas laterais, sempre em zonas altas.

O papel dos alas laterais foi importante, Tello e Junior Firpo, nos corredores também quando a equipa tinha a posse, garantido a largura a todo o instante, para esticar horizontalmente a equipa do Barcelona, criando separação entre os jogadores, o que permitia a William e Guardado realizar passes de penetração para Lo Celso, que explorava constantemente as costas da linha média adversária.

Para Lo Celso poder trabalhar nesses espaços, era também necessário esticar a equipa adversária verticalmente, ou por outras palavras, afastar a linha média da defensiva. Foi aí que emergiu o eterno Joaquin, que tinha a missão de fixar os centrais, afastando-os dos médios.

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Em cima, vemos como Joaquin era o jogador mais adiantado, e como criava também espaço para Loren, para este baixar, receber o passe vertical e jogar no apoio frontal dos médios, que ao receberem a bola, ficavam de frente para o jogo.

FC Barcelona | Problemas na primeira parte

Como vimos nos Gifs em cima, o Betis pressionou o Barcelona em zonas altas, assumindo marcações homem a homem. Esta postura, levou Marc-Andre ter Stegen, com o avançar do tempo, a recorrer mais a bolas longas para ultrapassar as primeiras linhas de pressão do Betis, fazendo a bola chegar a Suarez-Messi-Malcom dessa forma.

Apesar da qualidade de Suarez em jogar de costas para a baliza e dar a bola a Messi no apoio frontal, o Betis começou também a adaptar-se a estas situações, também porque a distância entre os médios do Barcelona e os avançados aumentava, o que tornava impossível ao Barcelona ganhar segundas bolas fruto dos intensos duelos Suarez-Bartra. Busquets e Arthur, como vemos em baixo, baixavam muito para ajudar a defesa e o guarda redes a tentar ultrapassar a pressão do Betis.

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Na segunda parte Vidal entrou para o lugar de Arthur, e o Barcelona melhorou imenso com a introdução do box-to-box chileno, no meio-campo. Ele trouxe a agressividade que faltava ao Barcelona no centro do terreno, afinal o Betis estava a apostar no 1vs1 e se há algo que Vidal sabe ganhar, são duelos.

Sem bola, o Barcelona (pela ausência de Messi na fase defensiva) organizava-se em 4-4-2, com Rakitic a descair sobre o corredor direito, levando a fazer missões defensivas (cobrir os espaços de Messi) que acabavam por impactar negativamente as ofensivas. Este posicionamento adiantado de Messi, sempre em zonas centrais, até criou alguns momentos preocupantes para o Betis, que não resultaram em golo.

Já sentia falta de o ver jogar dentro de uma cabine telefónica:

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A transição para a vitória

A capacidade do Bétis, ou melhor a incapacidade do Barcelona para ganhar as segundas bolas, de que falei, foi fundamental nos golos que os visitantes marcaram. Com a bola a cair nos pés de William e Guardado, e com o meio campo do Barcelona demasiado longe para os pressionar, estes podiam encontrar várias opções de passe dentro da estrutura blaugrana, entre linhas e/ou nas costas dos laterais.

Emergiu aí Junior Firpo, que solicitava sempre bolas para encarar Sergi Roberto no 1vs1.

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Particularmente os dois golos do Bétis na primeira parte, acabaram por ter um contributo importante da dificuldade que os médios do Barcelona tinham em fazer a transição defensiva, já que eram apanhados entre duas missões. Ou seja:  Iniciar a construção em zonas muito baixas, depois tinham de subir para pressionar os médios do Bétis, mas como chegavam sempre tarde acabavam a correr na direção da sua baliza, tentando dar apoio à sua linha defensiva … chegando, mais uma vez, tarde.

Foto de capa: Real Bétis Balompié

 

 

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