Força da Tática: Como jogas, menino Félix!

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A retoma da Liga Espanhola não trouxe novidades para os lados do Club Atlético de Madrid e, especificamente, para o menino dos colchoneros, João Félix. Após eliminarem o campeão europeu e agora campeão de Inglaterra, o Liverpool FC, da Liga dos Campeões, e com uma atuação de alto nível de João Félix, eis que no regresso à competição, o craque português voltou a deliciar os apaixonados do jogo com duas exibições de qualidade. No primeiro jogo marcou dois golos, no entanto foi no segundo jogo que mostrou toda a sua categoria enquanto jogador.

Quase sempre posicionado entre a linha média e a linha defensiva adversária, João mostra pormenores que são verdadeiros “pormaiores” na forma como eleva a fluidez do jogo dos colchoneros.


João joga com uma liberdade e leveza completamente anormal no mundo do futebol, ainda para mais num jogador com apenas 20 anos. Cognitivamente, é um jogador do mais elevado patamar! Identifica constantemente o meio que o envolve através de “fotografias” que tira por cima do ombro, procura por soluções, busca o espaço livre e antes de receber já tomou a decisão da ação seguinte.

Quando recebe fá-lo como poucos! É raro encontrar jogadores com a noção de receção orientada tão bem vincada como o avançado português. Seja para acelerar, seja para pausar, a receção tem sempre uma intencionalidade e um propósito. Até em momentos em que a receção é de dificuldade máxima, João faz parecer fácil e mantém a posse em condições que seriam impossíveis para outros.

Após receber, tem um critério e uma criatividade com bola do mais alto nível. Em espaços curtos inventa as suas próprias linhas de passe, as suas próprias jogadas e simplifica as ações para os colegas. A cada toque, a cada receção, a cada passe cria condições para que a equipa e colegas tenham sucesso. Escrevi à uns tempos um artigo onde falava do “passe que fala”, o passe que induz ao colega a próxima ação; João faz isso parecer fácil. Uma naturalidade em cada gesto!

Em transição ofensiva é também diferenciado, mostrou isso, por exemplo em Anfield. Pela sua capacidade de definição, destreza motora e pelos argumentos técnicos absurdos, consegue encontrar sempre soluções para dar continuidade ao contra-ataque.

A forma como se move e procura os buracos da linha média para receber entre-linhas, a sua habilidade motora que lhe permite enquadrar de frente, virar-se, mudar de direção, rodar…, é impressionante, e tudo isso num intervalo de tempo limitadíssimo,

Depois a aparecer em zonas de finalização é também superlativo, seja em remates a médias e curtas distâncias ou mesmo na frente do guarda-redes. Mesmo assim, a finalização é um aspeto a melhorar, nomeadamente nas movimentações dentro da área e no jogo aéreo.

Vê antes de todos os outros e executa melhor que os restantes, um verdadeiro diamante…, só de pensar que o seu atual rendimento ainda não se aproxima do real potencial, faz-me acreditar que estará aqui mais um Bola de Ouro português no período pós-Ronaldo.

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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