Última horaEm Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)
Publicidade

Força da Tática: Como jogas, menino Félix!

Rui Pedro Cipriano · 2 min

joão félix na Liga Espanhola
Foto: Club Atlético Madrid

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A retoma da Liga Espanhola não trouxe novidades para os lados do Club Atlético de Madrid e, especificamente, para o menino dos colchoneros, João Félix. Após eliminarem o campeão europeu e agora campeão de Inglaterra, o Liverpool FC, da Liga dos Campeões, e com uma atuação de alto nível de João Félix, eis que no regresso à competição, o craque português voltou a deliciar os apaixonados do jogo com duas exibições de qualidade. No primeiro jogo marcou dois golos, no entanto foi no segundo jogo que mostrou toda a sua categoria enquanto jogador.

Quase sempre posicionado entre a linha média e a linha defensiva adversária, João mostra pormenores que são verdadeiros “pormaiores” na forma como eleva a fluidez do jogo dos colchoneros.


João joga com uma liberdade e leveza completamente anormal no mundo do futebol, ainda para mais num jogador com apenas 20 anos. Cognitivamente, é um jogador do mais elevado patamar! Identifica constantemente o meio que o envolve através de “fotografias” que tira por cima do ombro, procura por soluções, busca o espaço livre e antes de receber já tomou a decisão da ação seguinte.

Quando recebe fá-lo como poucos! É raro encontrar jogadores com a noção de receção orientada tão bem vincada como o avançado português. Seja para acelerar, seja para pausar, a receção tem sempre uma intencionalidade e um propósito. Até em momentos em que a receção é de dificuldade máxima, João faz parecer fácil e mantém a posse em condições que seriam impossíveis para outros.

Após receber, tem um critério e uma criatividade com bola do mais alto nível. Em espaços curtos inventa as suas próprias linhas de passe, as suas próprias jogadas e simplifica as ações para os colegas. A cada toque, a cada receção, a cada passe cria condições para que a equipa e colegas tenham sucesso. Escrevi à uns tempos um artigo onde falava do “passe que fala”, o passe que induz ao colega a próxima ação; João faz isso parecer fácil. Uma naturalidade em cada gesto!

Em transição ofensiva é também diferenciado, mostrou isso, por exemplo em Anfield. Pela sua capacidade de definição, destreza motora e pelos argumentos técnicos absurdos, consegue encontrar sempre soluções para dar continuidade ao contra-ataque.

A forma como se move e procura os buracos da linha média para receber entre-linhas, a sua habilidade motora que lhe permite enquadrar de frente, virar-se, mudar de direção, rodar…, é impressionante, e tudo isso num intervalo de tempo limitadíssimo,

Depois a aparecer em zonas de finalização é também superlativo, seja em remates a médias e curtas distâncias ou mesmo na frente do guarda-redes. Mesmo assim, a finalização é um aspeto a melhorar, nomeadamente nas movimentações dentro da área e no jogo aéreo.

Vê antes de todos os outros e executa melhor que os restantes, um verdadeiro diamante…, só de pensar que o seu atual rendimento ainda não se aproxima do real potencial, faz-me acreditar que estará aqui mais um Bola de Ouro português no período pós-Ronaldo.

Rui Pedro Cipriano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.