Quando recebemos visitas na nossa casa, independentemente do tamanho da ocasião, todos gostamos de criar um ambiente agradável. Adicionalmente, quando o evento tem uma magnitude mais elevada, é natural que os nossos esforços se multipliquem para potencializar uma noite memorável.

Na última noite, o Wolverhampton Wanderers FC recebeu o Manchester United FC, num evento de gala que o Molineux Stadium não presenciava há mais de 20 anos. Os Red Devils viajaram até Waterloo Road de “White Tie”, como a ocasião prometia, mas, ao entrarem na festa, aperceberam-se que o “dress code” era outro.

Diogo Jota desarrumou a casa, partiu a louça, mandou Shaw ao chão (literalmente) e não pediu desculpas a ninguém. Foi o líder da alcateia.

Brutal a sua consciência corporal, a forma como usa o corpo para ganhar o duelo e depois como define a finalização.

Diogo Jota não é apenas mais um talento nacional a explodir no panorama do futebol europeu. O “novo pupilo” de Fernando Santos apresenta um conjunto de características diferenciadoras, desde a sua compostura com bola e invulgar capacidade para jogar sobre pressão, à qualidade técnica, até à habilidade que tem para se movimentar sem bola, sem esquecer o faro que tem para o golo.

Sob a orientação de Nuno Espírito Santo, o ex-Club Atlético de Madrid encontrou o contexto ideal para crescer e escrever a história de sucesso que nos tinha prometido quando surgiu em Paços de Ferreira.

Como temos visto nos últimos meses, não só ontem, cada intervenção de Diogo Jota acrescenta algo de valor ao jogo da equipa, independentemente do momento do jogo, mas particularmente na fase ofensiva.

Inserido num coletivo muito organizado sem bola e com transições ofensivas letais, a sua capacidade para, desde avançado-centro, baixar, receber entre os sectores adversários e girar sobre pressão, transforma uma simples recuperação de bola numa oportunidade de golo para a sua equipa. Tudo isto executado não só a uma velocidade inacreditável, como no timing certo, usando muitas vezes a velocidade do próprio adversário em seu benefício.

Depois (como se ainda não fosse suficiente) tem uma qualidade técnica invulgar. Ontem testada por Herrera, que cometeu o erro de não ligar os médios e entrou no túnel.

Sabe como e quando se deve associar com os colegas, seja com o seu novo melhor amigo (Jiménez) ou com qualquer outro, porque com todos eles acontece o mesmo: a bola é bem tratada. A bola pode chegar-lhe um melão e sai salada de fruta, não só porque deixa os seus pés redonda, mas também porque leva sempre mais valor.

Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Depois, a sua capacidade de decisão. Não fica a dever nada a outros grandes talentos nacionais, como é o caso de João Félix. A forma como conduz e como atrai para depois soltar parece ser imune à aleatoriedade do jogo, na medida em que nada sai ao acaso.

Tudo isto “e mais um par de botas” num miúdo que ainda tem o descaramento de finalizar como poucos. Não só pela frieza no momento de encarar o guarda-redes, como na forma como o seu primeiro toque o enquadra para que a sua próxima ação (neste caso, o remate à baliza) o coloque mais próximo do sucesso.

Com um jovem assim, é impossível para Nuno Espírito Santo receber bem as visitas lá em casa.

Foto de capa: Wolverhampton Wanderers FC

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