O FC Barcelona, no passado Sábado, recebeu o Valência CF no primeiro jogo de um louco mês de Fevereiro. Nas próximas semanas, Ernesto Valverde vai ter pela frente Real Madrid CF (Para a Taça do Rey e La Liga), O Lyon (fora), Real Valladolid, Sevilla FC (fora) e Athletic Club (fora). Infelizmente, para a equipa Blaugrana, o começo não foi o esperado.

Nas asas de Rodrigo e nos pés de Parejo, Los Che rubricaram uma excelente exibição em Camp Nou, tiraram o máximo proveito das ausências de Busquets (castigado) e Jordi Alba (opção/poupança), conseguindo um empate a dois golos.

Quando Parejo fez o 0-2, aos 30 minutos da primeira parte, Camp Nou sentiu o impacto da desvantagem e ponderou a possibilidade da derrota, mas a parceria Messi & Alba revelou ser uma arma demasiado forte para o Valência.

Equipas Iniciais

Como já referi, Ernesto Valverde apresentou um onze inicial com algumas novidades. Com Lenglet e Alba no banco dos suplentes, Vermaelen e Sergi Roberto ocuparam as posições de central e lateral esquerdo, respetivamente, já para o lugar de Sergio Busquets entrou Carles Aleñá, fazendo o lugar de médio interior direito, com Rakitic a baixar para médio mais recuado. Tudo isto dentro do habitual 4-3-3:

Ter Stegen – Semedo, Pique, Vermaelen, Sergi – Vidal, Rakitić, Aleñá – Messi, Suarez, Coutinho.

Marcelino também realizou algumas alterações ao, também ele, habitual 4-4-2. Toni Lato, Gameiro e Daniel Wass foram as novidades na equipa Che, em detrimento de Gayá, Mina e Soler. Coquelin parece ter ganho definitivamente o lugar no onze inicial, ao lado de Parejo, relegando para o banco dos suplentes Kondogbia. Assim alinhou o Valência:

Neto – Piccini, Garay, Paulista, Lato – Wass, Coquelin, Parejo, Cheryshev – Rodrigo, Gameiro.

1ª Parte | Rodrigo e Risco

Desde o primeiro minuto foi evidente que o Barcelona ia ter pela frente um adversário organizado, compacto e coeso. Dentro do 4-4-2 de sempre, Wass e Cheryshev – médios ala – fechavam bem dentro, cedendo o mínimo espaço possível entre eles e o respetivo médio centro – Coquelin/Parejo. Para além desta preocupação com o espaço intralinhas, o Valência também procurava reduzir o espaço entrelinhas, em particular entre a linha média e a defensiva. Resumindo, era preciso desorganizar e quebrar o coeso bloco Che:

Fonte: BeIN Sports

Naturalmente que para desorganizar uma estrutura assim, é necessário assumir alguns riscos, sendo estes riscos maiores ou menores consoante a articulação e harmonia dessa mesma estrutura. Assim, Valverde não teve medo de assumir uma postura agressiva e de algum risco logo desde o apito inicial.

Fonte: BeIN Sports

Como vemos em cima, Semedo e S. Roberto (a amarelo) assumiam posições bastante agressivas na fase ofensiva, conferindo largura à equipa e ajudando na progressão pelos corredores. O espaço ilustrado a azul, entre o lateral esquerdo e o central do Valência, é criado pelo referido posicionamento de Nélson Semedo e posteriormente aproveitado por Aleñá, que atacava estes espaços recorrentemente. Assim, também os médios interiores Aleñá e Vidal (a vermelho) se posicionavam em zonas altas do campo, ora realizado movimentos de infiltração na linha defensiva ora mantendo-se no lado cego da linha média para a fixar e dar mais tempo-espaço a Messi e Coutinho, que desciam até ao exterior do bloco para tentar conectar aquele “passe-chave”.

Tudo isto, tinha o seu trade-off.

Com Messi, Suarez, Coutinho, Sergi Roberto, Nélson Semedo, Vidal e Aleñá, o Barcelona tinha constantemente sete jogadores à frente da linha da bola, ou seja, apenas três como opções imediatas para controlar os contra-ataques/transições ofensivas do Valência.

Aos 23 minutos, a matemática veio ao de cima:

Fonte: BEin Sports  via GIPHY

Notem como o Barcelona é incapaz de colocar qualquer tipo de pressão na bola, especialmente Rakitic, permitindo a Rodrigo avançar com bola, temporizar e soltar no momento certo para Gameiro. Um golo brutal, perfeito reconhecido da zona para a recuperação, clínico primeiro passe pós-recuperação e transição rápida e vertical, com a distância ótima entre os jogadores.

Camp Nou teve o privilégio de presenciar o melhor de Marcelino, não só no momento de transição ofensiva, como também no de organização ofensiva. Assim que a equipa tinha a bola, Wass e Cheryshev abriam nos corredores e posicionavam-se praticamente à mesma altura que Rodrigo e Gameiro.

Com este posicionamento, os médios ala podiam realizar vários movimentos de rotação com os dois avançados. Um dos mais recorrentes, era quando Wass baixava, alegadamente para receber um passe de Piccini ou Coquelin, arrastando consigo Sergi Roberto, o que abria espaço para Rodrigo (de dentro para fora) atacar a profundidade e receber dentro do último terço Blaugrana.

Vemos como o posicionamento dos médios ala (a amarelo) era largo e fixava os defesas laterais, deixando os dois centrais no 1vs1 com os dois avançados do Valência.

Fonte: BeIN Sports

2ª Parte | Rodrigo não matou e Messi não perdoou

Ao intervalo, apesar de Messi ter reduzido antes do final do primeiro tempo, Valverde sentia a necessidade de ajustar. Em desvantagem, lançou para o relvado o … lateral esquerdo.

Um segundo para refletir sobre isto.

Nélson Semedo deu o seu lugar a Jordi Alba, na esperança que os absurdos movimentos sem bola do internacional espanhol e a sua ligação a Messi, ajudasse a quebrar o coeso e organizado bloco Che.

Fonte: BEin Sports Via: Giphy

Uma nova ameaça para a equipa do Valência, que não deixou de agredir o Barcelona no contra-ataque, com Rodrigo a ter no pé por mais que uma vez o 1-3.

Após o empate de Messi, o Barcelona assumiu uma postura mais equilibrada, que lhe tirou também capacidade para desorganizar o Valência e chegar a uma possível vitória.

Resultado justo, com uma grande exibição do Valência.

Foto de Capa: FC Barcelona

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