A vitória esteve na tática

Na segunda final da história da Liga das Nações, a França bateu a Espanha por 2-1 e sucedeu a Portugal como vencedor da mais caçula prova da UEFA.

No estádio que é partilhado por AC Milan e Inter Milão estiveram em confronto dois estilos totalmente diferentes. No final sorriu o pragmatismo, a verticalidade, a força, a velocidade e também o imenso talento individual.

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Nota de destaque, ainda assim, para dois espanhóis. Primeiro Luis Enrique, que tem apresentado alguns resultados interessantes com um conjunto de jogadores que não será tão afamado como os de 2008, 2010 e 2012, e depois para o capitão Busquets. Tremenda classe do «6» espanhol, que, com bola, continua a ser dos melhores do mundo no meio-campo, seja através do passe, da gestão da posse, ou da forma engenhosa como ludibria os adversários com a orientação do seu corpo.

Quanto ao jogo dentro das quatro linhas, quando falamos de tática, a França entrou no seu sistema de 3x4x1x2 com Griezmann no apoio a Mbappé e Benzema e com dois alas totalmente distintos. Theo Hernández deu muito mais profundidade pela esquerda que o seu homólogo Pavard (fruto das características individuais de cada um) e isso materializou-se num posicionamento extremamente raro de Ferrán Torres em ação defensiva. Nesse momento, o 4x3x3 espanhol desdobrava-se numa espécie de 4x4x2 assimétrico, com o extremo do City a acompanhar Theo para onde ele fosse.

Ofensivamente a Espanha procurava ter os extremos em largura máxima, com Oyarzabal a deambular pelo corredor central à procura doe espaço entrelinhas.

O jogo foi muito morno até final da primeira parte e as equipas procuraram encaixar-se uma na outra sem oportunidades para nenhuma e com a Espanha a controlar a posse.

Na etapa complementar as duas equipas aumentaram o ritmo, pressionaram mais alto e as oportunidades e os golos apareceram.

Espanha França
A Espanha fixava 3×3 nos defesas gauleses e ainda subia Gavi e Rodri para pressionar Pogba e Tchouameni. A solução passou por bater longo

E foi aqui mesmo que esteve a chave do encontro: na forma como os gauleses saíram da pressão alta espanhola com muita qualidade. A tática da França a resultar muito bem. Muito subida no terreno, a turma de Luis Enrique partiu a equipa em dois blocos, deixando muito espaço entre médios e defesas, e sobretudo nas costas dos últimos.

Aproveitou a França, através da velocidade de Mbappé, da criatividade de Pogba, mas sobretudo da inteligente ocupação de espaços de Griezmann, que conseguiu receber com muita qualidade entrelinhas, aumentando ainda mais o fosso entre os dois blocos espanhóis.

No vídeo seguem algumas explicações da tática para o sucesso dos ataques rápidos que levaram a Liga das Nações para território de campeões mundiais.

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