A sexta jornada da Liga Portuguesa de basquetebol presenteou-nos o primeiro clássico da época. Se por um lado, o jogo foi «frio» e desalmado sem a presença de adeptos nas bancadas, por outro lado ambos os técnicos avivaram a partida com uma riqueza tática muito grande.

Neste força da tática, abordaremos os principais lances chave que garantiram aos dragões a primeira “grande” vitória neste campeonato.

É POR DENTRO QUE SE JOGA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Todavia o paradigma do basquetebol se tenha movimentado para o jogo exterior, nada confere a 100% que os jogos se ganhem somente através daquilo que os criativos e lançadores façam da linha dos três pontos. Aliás muito pelo contrário. À semelhança de outros desportos, o basquetebol é constituído nas mais variadas vertentes e até equipas de grande calibre ofensivo têm obrigatoriamente que serem consistentes defensivamente.

Apesar de algo rigoroso e convencional no modo de operar, a «turma» de Moncho López conseguiu fazer exatamente o que pretendia. Desde início, a exploração dos «homens grandes» foi uma constante, ao passo que Gordon e Anderson foram fulcrais na criação de espaços e desiquilíbrios em áreas próximas do cesto. Depois, na tomada de decisão, Max Landis teve a um nível elevadíssimo, não só nas ações individuais de 1vs1, como também na inclusão dos colegas nos seus movimentos de brilhantismo (executou 5 assistências e apenas 1 turnover). Um dos movimentos comuns, dos portistas, passou pela libertação dos jogadores exteriores. O movimento principiava na zona pintada e através de bloqueios indiretos dos jogadores interiores, o base/extremo era posteriormente libertado para um espaço onde conseguissem trabalhar melhor a bola e consecutivamente colocar um desfecho positivo na jogada. Tal, criou dinâmicas ofensivas muito interessantes e “chateou” muito os defensores diretos benfiquistas que tiveram de se preocupar constantemente (principalmente) com Landis e Tinsley, na medida em que eram autenticamente obrigados a «correr atrás do prejuízo».

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Do lado encarnado, foram notórias as dificuldades em segurar o jogo interior portista. As permutas posicionais e a procura excessiva, por vezes, de executar 2vs1 em jogadores de alta capacidade a responder em situações de pressão, criou buracos e cestos fáceis para o adversário. A nível ofensivo, apesar da qualidade de execução dos seus atletas, Carlos Lisboa não encontrou soluções efetivas para desobstuir a defensiva azul e branca. Mérito também para os jogadores do FC Porto, que juntaram à sua pressão constante, uma agressividade positiva que permitiu segurar atletas como o Caleb Walker (apenas marcou 6 pontos). O SL Benfica está recheado de talento e a tendência para cair em lançamentos exteriores foi notória, sem grandes planos alternativos que garantissem estabilidade ofensiva. De resto, ainda assim, de sublinhar a boa exibição do reforço Lindsley e a ambição de Betinho que, mesmo sendo um veterano, continua a dar provas do atleta que é e da importância que poderá consultar a uma equipa que luta pelo título.

Neste vídeo será possível ratificar alguns pontos abordados em cima, com destaque para a organização ofensiva e jogadas chave que desencadearam a vitória do FC Porto no primeiro grande clássico da temporada.

MVP

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Larry Gordon (FC Porto) – Chegou este ano aos dragões e apesar da importância que Purifoy acarretou na época transata, rapidamente foi visível o upgrade que Gordon seria nas pretensões de Moncho López. Defensivamente foi impecável, conseguindo para além das ações que não aparecem nas estatísticas assegurar 14 ressaltos, tendo 13 destes, sido defensivos. Ofensivamente, as suas percentagens são o reflexo do primor que o norte americano expôs ao longo da partida: 75% em lançamentos de campo (9/12), tendo destes 12 sido 2/2 da linha dos três pontos.

Para culminar a esta partida verdadeiramente sublime, Larry Gordon teve uma valorização de 38.5, refletindo no seu melhor jogo individual da temporada.

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

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