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Força da Tática: A reconstrução da parede amarela foi adjudicada ao Monsieur Favre

João Mateus · 5 min

Foto: BVB Dortmund

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Em 2008 um génio vindo de Mainz, começou a idealizar e a erguer algo magnifico, no mínimo, na cidade de Dortmund. O 13º lugar na época anterior à sua chegada acabava por ser bom, depois do medo que pairou no Signal-Iduna Park de uma possível falência, nos anos anteriores. Agora, como sabemos, o bom é o maior inimigo do ótimo.

Quando Jürgen Norbert Klopp abandonou a Alemanha, a herança que deixou era enorme. Para assumir a responsabilidade por essa herança veio, também de Mainz, Thomas Tuchel. Tendo em conta o poder que o FC Bayern Munique exercia, Tuchel fez um bom trabalho.

No último ano a aposta recaiu em Peter Bosz, mas não poderia ter corrido pior. Tanto a nível desportivo, como a nível de contrações, o muro alemão estava fraco e fácil de ultrapassar por qualquer equipa. Era necessário reconstruir o gigante muro preto e amarelo.

A quem foi adjudicada esta obra?

Lucien Favre, de criador do “Borussia Barcelona” a “domador “de Balotelli

O treinador suíço já conhece muito bem a Bundesliga, depois de passagens por Hertha BSC e Borussia Mönchengladbach. Foi no Gladbach que Favre apaixonou os amantes de futebol, transformou um tal de Marco Reus no jogador do ano em 2011/12, e lançou para a baliza um miúdo de 18 anos, de seu nome Marc-Andre ter Stegen. Depois de levar o Gladbach à Liga dos Campeões, pela primeira vez em 37 anos, Favre foi até à Côte d’Azur.

Em França, ao comando do OGC Nice, conseguiu aquilo que Mancini e Klopp não alcançaram: dominar Mario Balotelli. O internacional italiano apresentou o seu melhor futebol, em muitos anos, sob o comando de Favre, contribuindo para o terceiro lugar e apuramento para a Liga dos Campeões.

Este é o homem encarregue da obra.

Equipa e estrutura

Quando escreve estas linhas, o Borussia Dortmund ocupa o primeiro lugar da Bundesliga, com mais três pontos que um vasto grupo perseguidor de quatro equipas. Ainda sem derrotas, contabilizando a Liga dos Campeões onde venceu os dois jogos, Die Schwarzgelben apresentam um futebol ofensivo do melhor que se pode encontrar na Europa.

Pela presença na Liga dos Campeões, pela qualidade e competitividade que existe dentro do plantel, o Borussia varia muito os jogadores dentro da habitual estrutura 4-2-3-1, que acaba por ser um 4-1-4-1 pelo posicionamento de Alex Witsel mais recuado no meio campo.

Para se ter um ideia, e falando apenas da Bundesliga, Favre já deu utilizou 21 jogadores nas sete partidas disputas até agora. Os suiços Burki, na baliza, e Akanji, no centro da defesa, são os únicos totalistas na prova. O Central suiço têm normalmente a companhia de Abdou Diallo, com as laterais da responsabilidade de Schmelzer e Piszczek, onde Hakimi e o próprio Diallo são alternativas viáveis. Quando Diallo joga na lateral esquerda, entra Zagadou para o centro da defesa.

No meio campo Alex Witsel pegou de estaca, sendo nesta altura um jogador indiscutível. Perto do belga joga um outro reforço, o dinamarquês Thomas Delaney. Dahoud, Pulisic e Reus são as apostas mais recorrentes para apoiar Maximilian Philipp, o homem mais azarado da equipa. Não pelas lesões, mas por com 0 golos em 450 minutos estar em vias de perder a titularidade para Paco Alcacer, que em 80 minutos têm 6 golos. Uma média assutadora de um golo a cada … 13,3 minutos.

Jacob Larsen, Marius Wolf e Jadon Sancho são outras alternativas, jovens e com um potencial tremendo.

Fase defensiva

Longe vão os tempos de Klopp e do famoso gegenpressing. Como um bom Suiço, Favre opta por uma abordagem mais estruturada e estável, com um bloco médio procurando apenas pressionar o adversário em momentos previamente estabelecidos. Organização e controlo são as palavras de ordem em uma organização defensiva onde o objetivo passa por minimizar o espaço disponível quando o adversário têm a bola. Uma estratégia que é super efetiva na Bundesliga, pela dificuldade que a grande maioria das equipas sente quando é obrigada a jogar em espaços curtos.

Fonte: Borussia Dortmund Youtube

Reparem com a linha defensiva está pronta, com os apoios bem colocados,  para controlar a profundidade.


Fonte: Strom09

Em certos jogos, como no último frente ao Augsburgo , o Borussia pressiona o adversário em zonas mais altas, para promover o chutão na frente ou o erro do adverário, mas mesmo aí o objetivo da pressão é o mesmo: Reduzir o espaço onde o adversário pode jogar quando têm a bola.


Fonte: FS2

Fundamental quando o Borussia, ou qualquer equipa que o pretenda fazer bem, pressiona alto é reconhecer o momento certo para voltar a uma organização em bloco médio. Nesse ponto chave a equipa têm estado muito bem, mal perde o acesso à bola, reorganiza-se em bloco médio como descrevi em cima.

Transição Ofensiva

Com bola, o controlo também está presente. Controlo no sentido de um ataque mais pensado e estruturado, muito diferente das transições rápidas e agressivas que víamos com Klopp. O que faz todo o sentido, está completamente de acordo com o comportamento da equipa sem bola, que já abordei.

A abordagem de Favre nos momentos de transição ofensiva, dá não só maior segurança à equipa em posse, mas acima de tudo tempo aos seus jogadores para ocuparem as posições ideais para o momento de organização ofensiva.

Organização Ofensiva e a Reus-dependência que se avizinha

Favre começou a época com a colocação de Reus sobre um corredor (esquerdo), com o meio campo a três composto por Delaney – Witsel – Dahoud, mas depois do empate frente ao Hannover 1896, o treinador suíço realizou uma alteração que conduziu o Dortmund para outro nível em termos ofensivos.

Essa alteração foi a colocação de Marco Reus nas costas de Philipp, entregando o meio campo a Witsel e Delaney. Esta mudança abriu uma vaga no corredor, que culminou com o aparecimento de Jadon Sancho e Larsen.

Fonte: BT Sport

O posicionamento de Reus, no espaço entre linhas, vêm solucionar o problema da ocupação dos espaços dentro da estrutura adversária, que a equipa estava a sentir em organização ofensiva e que limitava a sua capacidade de avançar no terreno.

A natural tendência de Pulisic vir para dentro em posse, é compensada pela subida do lateral pelo corredor, que continua a garantir à equipa a largura na fase ofensiva. É essa subida do lateral que permite, como vemos em baixo, a Pulisic quando lhe é devolvida a bola, fazer uso da capacidade individual para ultrapassar os adversários.

Se Hakimi (lateral direito) não tivesse garantindo a largura, o jogador adversário, que inicialmente sai na contenção ao americano, tinha ficado na posição inicial e era mais difícil Pulisic ter realizado o desequilíbrio.


Fonte: BT Sport

Nota também para o timing perfeito do movimento de penetração de Larsen, para fazer o golo.

Esperar o momento certo

Recorrendo à qualidade que os seus defesas centrais, particularmente Akanji, apresentam com bola, o Borussia procura circular a mesma até que apareça o momento certo para agredir o adversário. A qualidade com que o faz acaba por dominar grande parte dos adversários, desgastando-os não só fisicamente como mentalmente, levando à abertura de espaços para passes de penetração.


Fonte: BT Sport

 

Foto de capa: Borussia Dortmund

João Mateus

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