Força da Tática: A reconstrução da parede amarela foi adjudicada ao Monsieur Favre

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Em 2008 um génio vindo de Mainz, começou a idealizar e a erguer algo magnifico, no mínimo, na cidade de Dortmund. O 13º lugar na época anterior à sua chegada acabava por ser bom, depois do medo que pairou no Signal-Iduna Park de uma possível falência, nos anos anteriores. Agora, como sabemos, o bom é o maior inimigo do ótimo.

Quando Jürgen Norbert Klopp abandonou a Alemanha, a herança que deixou era enorme. Para assumir a responsabilidade por essa herança veio, também de Mainz, Thomas Tuchel. Tendo em conta o poder que o FC Bayern Munique exercia, Tuchel fez um bom trabalho.

No último ano a aposta recaiu em Peter Bosz, mas não poderia ter corrido pior. Tanto a nível desportivo, como a nível de contrações, o muro alemão estava fraco e fácil de ultrapassar por qualquer equipa. Era necessário reconstruir o gigante muro preto e amarelo.

A quem foi adjudicada esta obra?

Lucien Favre, de criador do “Borussia Barcelona” a “domador “de Balotelli

O treinador suíço já conhece muito bem a Bundesliga, depois de passagens por Hertha BSC e Borussia Mönchengladbach. Foi no Gladbach que Favre apaixonou os amantes de futebol, transformou um tal de Marco Reus no jogador do ano em 2011/12, e lançou para a baliza um miúdo de 18 anos, de seu nome Marc-Andre ter Stegen. Depois de levar o Gladbach à Liga dos Campeões, pela primeira vez em 37 anos, Favre foi até à Côte d’Azur.

Em França, ao comando do OGC Nice, conseguiu aquilo que Mancini e Klopp não alcançaram: dominar Mario Balotelli. O internacional italiano apresentou o seu melhor futebol, em muitos anos, sob o comando de Favre, contribuindo para o terceiro lugar e apuramento para a Liga dos Campeões.

Este é o homem encarregue da obra.

Equipa e estrutura

Quando escreve estas linhas, o Borussia Dortmund ocupa o primeiro lugar da Bundesliga, com mais três pontos que um vasto grupo perseguidor de quatro equipas. Ainda sem derrotas, contabilizando a Liga dos Campeões onde venceu os dois jogos, Die Schwarzgelben apresentam um futebol ofensivo do melhor que se pode encontrar na Europa.

Pela presença na Liga dos Campeões, pela qualidade e competitividade que existe dentro do plantel, o Borussia varia muito os jogadores dentro da habitual estrutura 4-2-3-1, que acaba por ser um 4-1-4-1 pelo posicionamento de Alex Witsel mais recuado no meio campo.

Para se ter um ideia, e falando apenas da Bundesliga, Favre já deu utilizou 21 jogadores nas sete partidas disputas até agora. Os suiços Burki, na baliza, e Akanji, no centro da defesa, são os únicos totalistas na prova. O Central suiço têm normalmente a companhia de Abdou Diallo, com as laterais da responsabilidade de Schmelzer e Piszczek, onde Hakimi e o próprio Diallo são alternativas viáveis. Quando Diallo joga na lateral esquerda, entra Zagadou para o centro da defesa.

No meio campo Alex Witsel pegou de estaca, sendo nesta altura um jogador indiscutível. Perto do belga joga um outro reforço, o dinamarquês Thomas Delaney. Dahoud, Pulisic e Reus são as apostas mais recorrentes para apoiar Maximilian Philipp, o homem mais azarado da equipa. Não pelas lesões, mas por com 0 golos em 450 minutos estar em vias de perder a titularidade para Paco Alcacer, que em 80 minutos têm 6 golos. Uma média assutadora de um golo a cada … 13,3 minutos.

Jacob Larsen, Marius Wolf e Jadon Sancho são outras alternativas, jovens e com um potencial tremendo.

Fase defensiva

Longe vão os tempos de Klopp e do famoso gegenpressing. Como um bom Suiço, Favre opta por uma abordagem mais estruturada e estável, com um bloco médio procurando apenas pressionar o adversário em momentos previamente estabelecidos. Organização e controlo são as palavras de ordem em uma organização defensiva onde o objetivo passa por minimizar o espaço disponível quando o adversário têm a bola. Uma estratégia que é super efetiva na Bundesliga, pela dificuldade que a grande maioria das equipas sente quando é obrigada a jogar em espaços curtos.

Fonte: Borussia Dortmund Youtube

Reparem com a linha defensiva está pronta, com os apoios bem colocados,  para controlar a profundidade.


Fonte: Strom09

Em certos jogos, como no último frente ao Augsburgo , o Borussia pressiona o adversário em zonas mais altas, para promover o chutão na frente ou o erro do adverário, mas mesmo aí o objetivo da pressão é o mesmo: Reduzir o espaço onde o adversário pode jogar quando têm a bola.


Fonte: FS2

Fundamental quando o Borussia, ou qualquer equipa que o pretenda fazer bem, pressiona alto é reconhecer o momento certo para voltar a uma organização em bloco médio. Nesse ponto chave a equipa têm estado muito bem, mal perde o acesso à bola, reorganiza-se em bloco médio como descrevi em cima.

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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