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O futebol é algo que me apaixona desde muito cedo na vida. Tinha cinco anos quando comecei a ver futebol e a jogar “Sega Worldwide Soccer 98” na minha, velhinha, Sega Saturn. Já seguia o Sporting e havia uma equipa estrangeira que me enchia as medidas, o Manchester United, onde pontificavam jogadores como David Beckham, Gary Neville ou Ryan Giggs, além do gigante dinamarquês. Era sempre com os “red devils” que eu ficava horas a jogar no primeiro simulador de futebol que me passou pelas mãos.

Recordo-me bem da final épica da Liga dos Campeões de 1998/99, em que o Manchester United venceu o Bayern Munique com uma reviravolta no período de compensações, após golos de Sheringham e Solskjaer. A subida de Schmeichel à área no canto do primeiro golo, onde teve influência na jogada, foi para mim uma novidade: nunca tinha visto um guarda-redes a jogar na área contrária. Até por esta ação fui cativado por aquele a quem costumava chamar de  “Grande Gigante”, por ser um gigante que eu considerava maior do que os outros. Era o guarda-redes da equipa, que venceu o jogo mais épico que alguma vez vi, e o primeiro de que me recordo na minha infância.

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A final frente ao Bayern Munique foi o último jogo de Schmeichel pelo Man.United Fonte: FootballSoccerFocus
A final frente ao Bayern Munique foi o último jogo de Schmeichel pelo Man.United
Fonte: FootballSoccerFocus

É, portanto, fácil de imaginar a minha felicidade e até histeria quando vi chegar o “Grand Danois” a Alvalade. O homem que era o guardião do templo de uma das melhores equipas do mundo e que tinha sido eleito melhor guarda-redes do mundo em 1992 e 1993. Eu não conseguia acreditar em tão espetacular contratação do Sporting; foi algo que me fez gostar ainda mais dos “leões”. Tinham agora nas suas fileiras o guarda-redes que metia respeito e até medo a vários jogadores, incluindo os da sua própria equipa.

O palmarés de Schmeichel é extremamente rico. Depois de ter jogado alguns anos em clubes menores da Dinamarca, Peter transferiu-se para uma das melhores equipas do país, o Brondby, onde ganhou qualquer coisa como quatro Ligas em cinco anos. Aos 27 anos, mudou-se de armas e bagagens para o Manchester United, onde, em oito épocas, ganhou cinco campeonatos, três Taças de Inglaterra, uma Liga dos Campeões, quatro Supertaças, uma Supertaça Europeia e uma Taça da Liga. Ainda neste período, foi campeão europeu com a seleção da Dinamarca em 1992, quando nem sequer se tinham apurado para a competição.

Quando veio para Portugal, aos 35 anos, Peter tinha uma carreira bastante sólida e recheada de títulos. Veio para um grande clube que não ganhava o campeonato há 18 anos e que tinha milhões de adeptos sedentos de vencer. Impôs-se rapidamente pelo estatuto que trazia e pela autoridade que impunha aos colegas. Enchia-se de raiva mal rematavam à sua baliza, reclamava e berrava com os seus defesas para acertarem posicionamento e marcações, corrigia todos os movimentos errados dos seus companheiros. É nostálgico lembrar os momentos em que, mal a bola ultrapassava a linha final, se via Schmeichel a esbracejar que nem um louco para Beto ou André Cruz, citando apenas outros dois obreiros do campeonato celebrado a partir de Vidal Pinehiro, no dia 14 de maio de 2000. Schmeichel era um obstáculo dificílimo de ultrapassar para os adversários e a exibição no Estádio do Bessa, numa vitória por 1-0 frente ao Boavista, ficou na memória pela importante prestação do gigante escandinavo na baliza leonina, a defender a vantagem conseguida no primeiro minuto de jogo com um pontapé fantástico do não menos genial Pedro Barbosa, também já protagonista em edições passadas desta rubrica.

O gigante dinamarquês foi uma pedra basilar no Sporting campeão de 1999/2000 Fonte: Tesouro Verde
O gigante dinamarquês foi uma pedra basilar no Sporting campeão de 1999/2000
Fonte: Tesouro Verde

A contratação de Peter Schmeichel foi uma ação que teve tanto impacto que o presidente do Sporting na altura, José Roquete, disse aos jornalistas, aquando da confirmação do negócio: “assinámos com o Schmeichel, portanto vamos ser campeões.” O guardião tinha saído da Premier League devido ao alucinante calendário das equipas inglesas, soube lidar muito bem com a pressão e foi um pilar importantíssimo para o final do jejum dos “verde e brancos”, no que a campeonatos diz respeito.

Esteve duas épocas em Alvalade e depois terminou a carreira em Inglaterra, com uma passagem no Aston Villa e outra, na temporada 2002/03, com a camisola do Manchester City. Hoje em dia, é o seu filho Kasper que defende as redes da seleção dinamarquesa e também do Leicester City, equipa da Premier League. O filho seguiu as pisadas do pai, escolhendo a baliza como o seu lugar predileto nos campos de futebol.

Foi este senhor o primeiro jogador que eu me lembro de idolatrar enquanto adepto. Felizmente tive a possibilidade de o ver jogar em Portugal, ao serviço do Sporting. O “Grande Gigante” será sempre um marco nas minhas memórias futebolísticas.

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