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Jogadores que Admiro #38 – Rivaldo

Alcino Rodrigues · 2 min

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É muito difícil um jogador querer alcançar a fama e o sucesso sem se tornar mediático ou ter uma carreira paralela dominada pela propaganda. Um jogador que não se entrega a nada disso simplesmente não é lembrado ou até é esquecido. Ele é apenas mais um que dá uns chutos na bola, ganha bastante dinheiro, mais um que joga na selecção, e nunca “O Jogador”. Esta estranha e triste realidade tocou de forma injusta um dos maiores médios ofensivos que o futebol já viu, que durante toda a sua carreira preferiu permanecer pelos bastidores, que era avesso às entrevistas e afins. Ele apenas jogava à bola e de que maneira.

O Rivaldo era para mim a verdadeira e pura definição de um craque. Um médio com uma técnica poética e suprema, uma agilidade e uma capacidade de tomada de decisão impressionante, conseguia decidir os jogos com os seus remates dilacerantes, a sua inteligência superior e a sua classe de um recorte intangível e emocionante.

No auge da sua carreira transferiu-se do Corunha para o Barcelona, tendo sido campeão duas vezes e ganhado a Bola de Ouro. Foi uma pedra essencial da selecção do Brasil nos mundiais de 1998, na França, e 2002, no Mundial da Coreia-Japão, onde o Brasil acabou por vencer, tendo sido considerado um dos melhores jogadores, atrás de Oliver Kahn e Ronaldo, e nomeado para o onze do campeonato.

Rivaldo venceu o prémio de melhor jogador da FIFA em 1991 Fonte: listasdefutbol.com
Rivaldo venceu o prémio de melhor jogador da FIFA em 1991
Fonte: listasdefutbol.com

Rivaldo em campo debitava uma estética deliciosa, com toques de requinte e até de uma malvadez inocente. Rivaldo era avesso aos holofotes. Se dentro do campo ele era de uma habilidade tremenda, fora do campo não o era de todo. Mas no jogo ele mandava. E como jogava. Regularmente presenteava os adeptos do Barcelona com actuações estelares. Fora deste mundo e do outro. Um dia ele fez um hat-trick contra o Valência, no jogo que talvez tenha sido o da sua vida. A dois minutos do fim ele escreveu na história do futebol, pela importância, pela beleza, pela genialidade, um dos mais fenomenais golos que talvez possamos imaginar. Recebendo um passe quase do meio campo de Frank De Boer, matou a bola no peito em cima da linha da área e presenteou toda a gente no Camp Nou com uma bicicleta perfeita, irrepreensível, luxuriante, elástica, plástica e mágica, que foi morrer no canto da baliza do Valência. O estádio delirou em eterno êxtase!

Rivaldo conquistou outros troféus importantes mas nunca quis os holofotes. Desde a Liga dos Campeões pelo Milan a outros campeonatos no Olimpiacos, na Grécia, tornou-se um ídolo por aquelas bandas.

A humildade tímida do craque nunca se deixou sobrepor pela arrogância especial que os seus autênticos hinos ao futebol provocaram. Curioso é que “ninguém” gostava dele. Principalmente os adversários. Em 2014 pendurou as chuteiras com as lágrimas nos olhos e com uma simples mensagem de gratidão à família pelo apoio e carinho que recebeu ao longo dos seus 24 anos como jogador.

Para mim foi uma das grandes estrelas de sempre do futebol e uma pessoa cujo simples amor ao jogo fez dele o que ele foi. Como costumo dizer, “nunca trazemos do jogo mais do que aquilo que lhe damos”.

Rivaldo para mim é imortal!

Foto de Capa: imortaisdofutebol.com 

Bibliografia:

Alcino Rodrigues

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