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Simão Pedro Fonseca Sabrosa foi um dos meus ídolos de infância. Adorava-o com todas as minhas forças e, certamente, marcou a minha infância benfiquista.

Proveniente do FC Barcelona, protagonizou uma das maiores transferências do Benfica na altura. A compra do extremo português ao colosso espanhol deu-se por 12 milhões de euros, e, desde cedo se tornou um dos jogadores acarinhados pelo clube encarnado. Simão Sabrosa era um extremo goleador, marcando 76 golos ao longo dos seis anos que passou pelo Benfica. Chegou a admitir a sua preferência clubística pelo Benfica, apesar de ter passado alguns anos pelo rival lisboeta Sporting. O jogador falou em maus tratos pela equipa leonina que levou à sua chegada ao clube da Luz depois de vestir a camisola catalã do Barcelona.

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Nos meus olhos de criança sonhadora, sempre foi um prazer vê-lo a jogar. O seu toque de bola, a forma como apresentava o seu famoso lance ensaiado mil e uma vezes na sua carreira, marcando aqueles “golos à Simão”: pela linha lateral, descia parelelo à entrada da grande área e, com o pé direito, rematava colocado para o poste mais longo, executando o pontapé com a maior precisão para levar a bola ao seu destino de golo.

Gritei os 76 golos do internacional português pelo Benfica e os 22 golos pela seleção nacional. Aclamei os cruzamentos milimétricos que tirava do lado direito e do lado esquerdo do campo que esperavam ser cabeceados pelo ponta de lança na área. Usei várias camisolas do Benfica com o nome dele e o seu número 20 nas costas. Marcava golos com ela envergada e festejava como ele o fazia pelo clube pelo qual partilhávamos o amor: de braços abertos como se fosse uma águia.

Simão fez história no SL Benfica Fonte: SL Benfica
Simão fez história no SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Lembro-me do golaço frente ao Manchester United de livre, do penalti no Estádio do Bessa que deu o campeonato em 2004/05 e do prazer que eu sentia em vê-lo de vermelho e branco a jogar à bola e a festejar os golos pelo mesmo clube que me fazia saltar do sofá a gritar de alegria.

A campanha dele de braçadeira no braço esquerdo e manto sagrado vestido parecia não ter fim nos meus poucos anos de vida e parecia que sempre fora jogador do Benfica. Porém, os tubarões europeus, aliciados pelas suas exibições notáveis, começaram a querer morder o anzol.

O Liverpool aproximou-se imenso de uma transferência de Simão e eu chorei. Ao ler a notícia da televisão, chorei por não querer, de forma alguma, ver o meu ídolo a representar as cores que não fossem as minhas, as nossas, aquelas que há tantos anos partilhávamos. Para meu alívio, ele ficou. Mas, seis anos depois de coser a águia do lado esquerdo do peito, junto ao coração, o Atlético de Madrid levou-o.

Em 2007, Simão rumou à capital espanhola e fez-me ganhar simpatia pelas mesmas cores noutro país. Deixei de o ver tanto, mas sempre que saía notícia das suas exibições e dos seus golos pelos colchoneros, os meus olhos brilhavam pelo meu ídolo de infância. Na era Jorge Jesus, o coração palpitou com o seu possível regresso ao clube do coração, mas não se realizou a despedida merecida de um dos jogadores que admiro.

Dos seus tempos de encarnado benfiquista tenho em posse um autografo que tímida e tremulamente lhe pedi no aeroporto de Lisboa aquando do regresso do plantel da derrota por 2-0 em Barcelona, para a Liga dos Campeões. Além disso, como verdadeiro fã, não tenho apenas uma assinatura dele, mas tenho ainda uma outra numa bola de futebol que me foi endereçada com um abraço. Obrigado pelas memórias, Simão.

Foto de capa: SL Benfica

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