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Jogadores que Admiro #43 – Deco

Alexandre Ribeiro · 2 min

Jogadores que Admiro #43 – Deco

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Jogava de pantufas. Deslizava em campo. Via o que os outros não viam e encontrava um espaço que, aparentemente, não existia. As qualidades de um verdadeiro dez, daqueles que já não se fazem, estavam condensadas em apenas um craque que nos deu a sorte de um dia ter sido descartado da selecção brasileira.

Nem tudo foram rosas na chegada ao campeonato português. Chegou ao Benfica e nunca conseguiu dizer “presente”. Foi emprestado ao Alverca e ao Salgueiros, acabando por sair para o melhor Porto que vimos no séc. XXI, quiçá na sua história. Numa super-equipa liderada por José Mourinho, Deco era o pontífice e a estrela que mais brilhava nesse conjunto de talentos. Vê-lo jogar pela selecção portuguesa foi uma bênção, e sentou um dos melhores jogadores portugueses de sempre, Rui Costa.

Eu olhei sempre com admiração para os que conseguem ver mais à frente. Os visionários, em qualquer área de trabalho, merecem, na minha perspectiva, todo o tipo de atenção. Deco sempre esteve à frente. Esteve com Ronaldinho no Barcelona mas o seu espaço era só seu. A maneira como pegava na bola enganou todos dentro do campo e fez delirar os milhares que o viam nas bancadas.

Um dos muitos títulos conquistados no Porto.
Um dos muitos títulos conquistados na sua carreira
Fonte: Facebook oficial de Deco

A última lembrança mais iluminada do seu futebol que eu tenho é de um jogo mais ou menos importante – não é relevante o sítio – para o campeonato inglês. Um livre, que seria adequado para um qualquer esquerdino com mais técnica de remate, transformou-se numa das pinturas mais belas que saíram dos pincéis de Deco. O guarda-redes, como é habitual, esperou uma bola a contornar a barreira para cair no espaço que normalmente é deixado protegido pela mesma. Houdini não teria feito melhor e a ilusão acabou por terminar no fundo das redes e no ângulo que o defensor da baliza estaria a proteger com mais zelo. Deco era isto.

Não tenho acesso a datas, minutos e locais. Nem preciso. A obra de Deco permanecerá sempre como foi, sem tempo nem espaço.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Deco

Alexandre Ribeiro

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