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A ‘máquina polaca’ é um verdadeiro finalizador. Tão frio que lembra os pontas de lança alemães, tão matador que nos esquecemos que, por vezes, quando ninguém se está a aperceber, também falha. Um goleador exímio com o nome de Robert Lewandowski.
O avançado do Bayern Munique iniciou a sua carreira na cidade natal de Varsóvia. Pelo Legia Warszawa (equipa que constou no grupo do Sporting na Liga dos Campeões desta época), jogou no conjunto sub-19 da equipa durante uma humilde e discreta época. Saiu no fim do ano para o Znicz pruzków onde, com apenas 18 anos, se sagrou melhor marcador e ajudou a equipa a subir à segunda divisão, levantando os primeiros títulos, coletivo e individual, da carreira. No ano seguinte, voltou a ser melhor marcador, colecionando o segundo prémio de melhor marcador.

Chega-se o fim da época e as suas exibições de qualidade chamaram a atenção do Lech Poznan, equipa da primeira divisão polonesa. Foi a estreia de Lewandowski nos grandes palcos das primeiras ligas europeias. Não tinha passado mais que dois anos até o goleador polaco deixar água na boca do gigante alemão Borussia Dortmund. Começava a aventura pela Alemanha da máquina de Varsóvia.

Lewandowski começou discreto, mas ao comando de Jürgen Klopp, atual técnico do Liverpool, os auri-negros conquistaram a Bundesliga 2010/11, feito inalcançável desde 2001/02. O primeiro grande prémio da sua carreira.
No ano seguinte, mostrou que era um goleador ao ser o terceiro melhor marcador do campeonato que viria a ser ganho também pelo Borussia Dortmund. Os pupilos de Klopp conquistaram o bicampeonato e Lewandowski começava a dar passos de gigante para o topo dos avançados da Bundesliga Alemã e do Mundo.

É aqui que chegamos à época que me fez apaixonar por este avançado polaco. Era abril, dia 24, e o Borussia Dortmund ia enfrentar o colosso espanhol, Real Madrid, para as meias finais da liga milionária. Os alemães aspiravam em eliminar a equipa que contava com nove Liga dos Campeões no palmarés e queria conquistar Lá Décima com os ditos ‘Novos Galáticos’. Mas algo aconteceu. Lewandowki aconteceu.

Aos oito minutos o polaco fez o primeiro, mas Ronaldo empatou antes do intervalo. Contudo, o segundo tempo trouxe uma nova realidade e Robert Lewandowki marcou aos 50, 55 e 66. O monstro implacável, com um poderio físico invejável e uma veia goleador que o permite finalizar em qualquer situação, tal como estar no sítio certo à hora certa, deram-lhe um ‘poker’ frente à melhor equipa do mundo. Foi aqui que Lewandowski se mostrou para mim como um dos melhores avançados do mundo. Como apoiante madrileno, embora triste com a derrota, não consegui ficar indiferente ao que se tinha passado em campo, e a imprensa também não. Depois disso, a sua fama e o seu nome espalharam-se por todo o lado. A imprensa rendeu-se a ‘Lew4ndowski’.

Robert Lewandowski a atuar pelo Bayern Munique esta época. Nunca esquecendo o grito de vitória Fonte: FC Bayern Munique
Robert Lewandowski a atuar pelo Bayern Munique esta época. Nunca esquecendo o grito de vitória
Fonte: FC Bayern Munique

Atualmente a jogar pelo Bayern Munique, depois de uma ‘traição’ ao clube de Dortmund, Lewandowki foi a custo zero para o clube da capital alemã. Num começo conturbado pela equipa de Munique, alguns até diziam que não se encaixava no modelo de jogo de Pep Guardiola, mas o polaco contrariou as más línguas e tornou-se, ao longo do seu percurso pelos bávaros, como o primeiro estrangeiro a marcar 30 golos numa temporada na Bundesliga Alemã.

Já a jogar pelos bávaros, num jogo frente ao Wolfsburg, Lewandowski foi suplente utilizado quando as equipas regressavam do intervalo. Em suma, o jogador marcou cinco golos em apenas nove minutos. Sim, está bem escrito. Cinco golos em nove minutos! A equipa perdia por 1-0, mas o polaco tratou do assunto em escassos minutos. Um enorme exemplo da qualidade acima da média deste grande jogador. Eu sei, até parece ridículo, mas aconteceu. O jogador de 28 anos também se destaca pela seleção Polaca. Ajudou a Polónia a alcançar os quartos de final do Euro 2016, embora tivesse sido eliminada pelo campeão da prova, Portugal.

Atualmente, é colocado no top 10 de várias revistas respeitadas, nas listas dos melhores do mundo e, na época passada, ficou em 16.º na lista de melhores jogadores do mundo da France Football que galardoou Cristiano Ronaldo com a quarta Ballon D’or. Esta época conta com 41 tentos: 28 no campeonato, oito na Liga dos Campeões e cinco na Taça Alemã.

Admiro em Lewandowski toda aquela frieza da Europa Oriental que faz lembrar um alemão irritado e que liberta a raiva com futebol e festeja de forma a que todos no estádio ouçam o seu rugido. É alto, forte, excelente a rematar de cabeça, ainda melhor com os pés; bom de bola parada e finaliza como poucos atualmente o fazem. Se tivesse de escolher um avançado puro ‘9’ para a minha equipa, escolheria, sem pensar muito, Robert Lewandowski. É um ‘9’ perfeito que sabe conter, cabecear, jogar para o lado e, mais importante do que tudo, marcar, marcar e marcar. Não se pode deixar um finalizador nato sozinho em campo, correndo um risco de o ver marcar na nossa baliza, e é isso mesmo que Lewandowski faz: atormenta o adversário.

Rendi-me quando massacrou o Real Madrid, e deixei que ele me continuasse a apaixonar pelo seu futebol ao longo do seu percurso na elite do futebol. É o conjunto desta história exponencial, sempre a subir e surpreender, e de atributos de elite que fazem de Robert Lewandowski um dos ‘Jogadores que Admiro’.

Foto de Capa: BVB Dortmund

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