O momento que vivemos obriga-nos muitas vezes a rebobinar a fita para recordarmos bons momentos. Num desses dias, a minha memória decidiu levar-me ao Europeu de 2008, talvez o primeiro que me recordo inteiramente. Além da vitória inesquecível da seleção espanhola, é impossível não sermos levados a pensar nas exibições da Rússia, principalmente de Andrey Arshavin.

Os campos da Áustria e da Suíça não estavam inteiramente preparados para as exibições do então jogador do Zenit. Apesar da ajuda preciosa na surpreendente vitória do clube de São Petersburgo na Taça UEFA do mesmo ano, a fama do atacante não saía muito das fronteiras do maior país do mundo.

Com uma das seleções russas mais talentosas de sempre, os comandados de Guus Hiddink caíram num grupo teoricamente difícil. O grupo D continha a Espanha, crónica favorita, a Grécia, campeã em título, e uma Suécia que contava com nomes como Ibrahimovic e Henrik Larson nas suas fileiras.

Nessa mesma fase de grupos, Arshavin demorou a conseguir a confiança do selecionador. Não jogou nas duas primeiras partidas e foi lançado a titular no jogo decisivo frente aos suecos. Resultado? Um golo e o prémio de homem do jogo que ajudaram a sua seleção a carimbar o passaporte para a fase seguinte.

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Nos quartos de final, a Rússia tinha à espera a Holanda, uma seleção que tinha encantado a europa com um bom futebol nos encontros anteriores. Novamente, contra quase todas as apostas, e com ajuda do pé direito de Andrey, os russos bateram a laranja mecânica no prolongamento. A exibição do mago russo vai ficar para sempre na retina dos amantes de futebol.

Faltava um passo para a tão ambicionada final. Depois de se terem defrontado na primeira partida do grupo D, espanhóis e russos chegaram ao relvado do Ernst-Happel Stadium em fases de grande qualidade futebolística. No entanto, nuestros hermanos elevaram a fasquia em mais uma noite onde tudo correu de forma quase perfeita. Terminava aqui a história de cinderela dos homens vestidos de branco, vermelho e azul.

Apesar da performance no Europeu ter terminado, Andrey Arshavin conquistou quem ainda não conhecia os seus predicados futebolísticos. Começou a ser sondado por grandes clubes europeus e acabou por voar até ao Emirates Stadium, para defender as cores do Arsenal.

As lesões nunca nos deixaram ver o total potencial do russo a ser concretizado, mas ainda assim tem uma das exibições mais icónicas da Liga Inglesa. Em Anfield, o avançado marcou quatro golos no 4-4 frente ao Liverpool. Foram poucos anos no alto nível, mas de certeza que ficará eternizado nos livros do futebol.

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