Época 2006/2007. O CD Olivais e Moscavide tinha garantido a subida à Segunda Liga – e procurava causar sensação por entre as restantes 15 equipas que disputavam esta divisão do futebol português, embora sabendo que a tarefa não seria nada fácil pois a despromoção no final da prova era o cenário apontado.

A exigência da Segunda Liga obrigou os diretores do clube a irem à procura de garantir os melhores reforços para a equipa lisboeta poder lutar com bravura e determinação durante as trinta jornadas. Ao Estádio Alfredo Marques Augusto chegaram alguns jovens com o objetivo de ajudar o CDOM a garantir a manutenção, além de olharem para esta experiência como uma oportunidade para vingar ao mais alto nível no Futebol sénior: Bruno Pereirinha, André Marques, Carlos Saleiro, Hélio Roque e Fernando Alexandre.

A junção destes emprestados pelo Sporting CP e SL Benfica à maior parte do núcleo duro – Duarte Machado, Nuno Abreu, Serginho, Cléo, entre outros – que havia conquistado o título de campeão da II.ª Divisão frente ao outro promovido, CD Trofense (vitória por 2-1 na final do play-off de subida), fazia aumentar as esperanças dos adeptos do Moscavide em fazer um campeonato tranquilo e longe da zona de perigo.

O inicio de campeonato foi totalmente ao lado das expetativas da massa adepta: empate fora a uma bola frente ao GD Estoril Praia na ronda inaugural e duas derrotas consecutivas ao Trofense e Rio Ave FC (0-2 em casa e 2-1 fora, respetivamente) colocaram em dúvida a capacidade do CDOM em lutar de igual para igual com as outras equipas. Contudo, a jornada quatro acabaria por ser o ponto de viragem no ciclo de jogos negativos para os comandados do técnico Rui Dias.

No tarde de 24 de setembro de 2006, a equipa de Lisboa recebe no seu terreno o Vitória SC. Com o claro objetivo de regressar à Primeira Liga, a equipa da Cidade Berço também tinha perdido as duas partidas anteriores frente ao Varzim SC e Penafiel FC, e os seus fiéis adeptos começavam a perder a paciência com o treinador Luís Norton de Matos, daí que fosse importante sair da capital com os três pontos.

Com o Alfredo Marques Augusto bem composto, a partida começou da melhor forma para os visitados: o reforço do meio-campo, Celestino, abre o marcador logo ao minuto 3’ e lança a euforia nas bancadas. Antes da meia-hora de jogo, foi a vez do avançado brasileiro Cléo ampliar a vantagem caseira. Tiago Targino na segunda parte ainda reduziu a desvantagem, mas o triunfo não fugiria ao Olivais e Moscavide que celebrava assim a primeira vitória na Segunda Liga. Na sequência da derrota, a direção vimaranense despediu Norton de Matos e contratou Manuel Cajuda para o seu lugar, uma mudança que se provaria como acertada meses mais à frente.

O bilhete do jogo entre CD Olivais e Moscavide e Vitória SC, que terminou com uma vitória por 2-1 para a equipa lisboeta
Fonte: Guilherme Costa/Bola na Rede

O triunfo tangencial foi o mote que a equipa de Rui Dias necessitava para seguir numa sequência de jogos sem perder – sete partidas no total sem conhecer o sabor da derrota -, com os principais destaques para as vitórias sobre o Varzim (2-1) e GD Chaves (4-1, o resultado mais robusto dessa época). A sequência positiva fez com que o Olivais e Moscavide saltasse da nona posição à quarta jornada para o quarto posto da classificação com 19 pontos conquistados e a três dos lugares de subida, quando o final da primeira volta estava perto. No entanto, a visita a Barcelos terminou de forma amarga, já que o golo solitário de Edinho pôs fim à senda positiva e os “fantasmas” do mau início de campeonato voltariam a assombrar o conjunto lisboeta.

A derrota fora frente ao Gil Vicente FC foi o início de uma hecatombe para o CDOM com cinco derrotas consecutivas, sendo que uma delas resultou na eliminação da Taça de Portugal na 4.ª Eliminatória contra o AD Pontassolense. A equipa caiu assim para o 11.º lugar no fim da primeira volta, e só regressaria aos triunfos na receção ao Estoril – 3-1 foi o resultado final do encontro que marcou o início da segunda volta, volta essa em que o Moscavide já podia contar com reforço de inverno Fábio Paim.

Na jornada seguinte, o Desportivo conseguiria triunfar novamente, desta vez na visita ao terreno do Trofense e pela margem mínima. Os jogadores estavam longe de imaginar que esse seria mesmo a última vitória na Segunda Liga…

A derrota com o Rio Ave por 1-3 foi o início de um longa “travessia no deserto” para o Olivais e Moscavide: daí em diante, foram dez jogos seguidos sem sentir o sabor da vitória, em que os resultados mais positivos foram dois empates frente ao Vizela (0-0) e Portimonense (1-1). Para agravar a situação, Rui Dias decidiu abandonar o comando técnico a quatro jornadas do fim do campeonato, trazendo assim maior instabilidade à equipa que vista de grená e azul.

A três pontos do primeiro posto acima da “linha de água” ocupado pelo Portimonense SC, a penúltima jornada era uma verdadeira “prova de fogo” para o CDOM. O Leixões SC era o adversário e a equipa de Matosinhos precisava de vencer na capital portuguesa para consomar o regresso à Primeira Liga, 18 anos depois da última presença. A falange de apoio vermelha e branca proveniente de Matosinhos invadiu o Alfredo Marques Augusto e foi determinante para empurrar os seus atletas para a vitória por 1-2, o que deixou o Moscavide numa situação ainda mais delicada no que dizia respeito à manutenção. O empate do Portimonense na ida à casa do Gil Vicente adiou tudo para a última ronda.

O onze que iniciou a partida frente ao Leixões SC, ocorrida no dia 13 de maio de 2007
Fonte: CD Olivais e Moscavide

Na jornada 30, as contas eram simples: vencer na casa do CD Feirense e esperar a derrota do Portimonense frente ao Gondomar SC, visto que, em caso de igualdade pontual, a vantagem no confronto direto dava a permanência ao CDOM. A equipa nortenha até cumpriu a sua parte ao vencer no Algarve por 1-2, mas o tento de Vitinha ao minuto 56 acabou com o sonho da salvação e atirou o Olivais e Moscavide novamente para a II.ª Divisão, acompanhando o Chaves na descida de divisão.

Uma temporada que começou mal, teve uma melhoria a meio do percurso, mas terminaria mesmo de forma inglória para a equipa fundada em 1912, que nunca mais conseguiu alcançar este patamar para profunda tristeza da massa adepta, que ainda hoje recorda essa época e sonha com o dia que marque o regresso do CD Olivais e Moscavide à Segunda Liga.

Comentários