O Passado Também Chuta: Enrique Collar

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o passado tambem chuta

O passado toca na tecla da concorrência, que quer dizer variedade. No fim dos anos 50 e princípio dos anos 60 do século passado coabitaram em Espanha três extremos-esquerdos que faziam inveja. Repartiam-se nos dois principais clubes de Madrid. O cúmulo da situação era a condição de suplente de um deles, de Manolin Bueno, um extremo cheio de técnica e drible que conduzia a bola com os dois pés. Mas o titular era Paco Gento, que tinha corrida de velocista e encaixou, perfeitamente, no Real Madrid de Di Estéfano. Era um extremo perigoso com capacidade de surpreender pela sua velocidade; está considerado um dos grandes extremos daquela época.

O Atlético de Madrid, no entanto, não sentia inveja. A sua ala esquerda era ocupada por Enrique Collar. Nasceu na província de Sevilha. Começou a dar pontapés na bola no Imperial, passando pouco tempo depois para o Penha Noria de Madrid. Começou a destacar-se como goleador. Um observador do Atlético de Madrid captou-o quando tinha apenas 17 anos. Em Madrid transformou-se numa das grandes lendas do Atlético. Arrecadou troféus. Venceu um Campeonato de Espanha, três Taças de Espanha e uma Taças das Taças. Formou com Peiró a Ala Infernal.

O defesa ficou para trás Fonte: Atlético de Madrid
O defesa ficou para trás
Fonte: Atlético de Madrid

Formou-se nas camadas inferiores do Atlético e depois fortaleceu-se no Cádiz e no Real Murcia. Regressou a Madrid e demorou 16 anos a abandonar o clube. Está entre os dez melhores goleadores de sempre do Atlético de Madrid. Tinha como rival Paco Gento. Ser convocado já era mérito, mas Collar fez parte da seleção e jogou por ela em 16 ocasiões, em muitas delas como extremo-direito. Talvez tenha sido a única forma que mestres como Pedro Escartin e Vilalhonga, entre outros, encontraram para poder desfrutar destes dois senhores da ala esquerda.

Habilidade na finta, velocidade para o contra-ataque, visão de jogo, e, mesmo sendo extremo, foi um goleador. Um jogador destas características fazia-se notar, e a Juventus chamou-o à sua porta. Naquela época mandava mais o Direito de retenção do que os desejos ou oportunidades para mudar de clube. O Atlético de Madrid não autorizou a sua saída. Permaneceu no seu Atlético, depois foi um ano para o Valencia, onde se retirou. Guarda na sua memória um momento que superou os restantes: a final da Taças das Taças. O Atlético de Madrid era e é um clube poderoso, mas tem como rival e vizinho um dragão: o Real Madrid. E a vitória da Taças das Taças deu ao seu clube outra dimensão.

O jogo que entranhou Collar disputou-se, primeiro, em Glasgow. Tinha como rival a Fiorentina. Empataram a um golo. A temporada de 1962 continuaria até setembro. Teria de se jogar o desempate. Tocou em Stuttgart. Jonas, Jorge Mendonça e Peiró marcaram três golos, e a taça viajou para Madrid. O Atlético de Madrid, dez anos depois de ganhar o seu primeiro campeonato espanhol, comandado por Helénio Herrera, conquistava o primeiro troféu internacional. Collar participou no primeiro grande momento internacional do Atlético de Madrid e é um nome reverenciado.

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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