O Passado Também Chuta: Éric Cantona

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o passado tambem chuta

O Bad Boy. A irreverência. O jogador que percorreu campos e clubs. O jogador do salto sobre o espectador. O homem dos castigos. O ídolo do teatro dos sonhos: Eric Cantona. O Manchester United teve e tem jogadores de sonho: George Best; Bobby Charlton; Denis Law; van Nistelrooy; Rooney; Giggs; Van der Sar; Beckham e Cristiano Ronaldo; no entanto, só um é considerado como o melhor jogador de sempre do Manchester United: Eric Cantona. França, terra que o viu nascer e dar os primeiros pontapés, viu também como andou desde o Martiques ao Marselha, passando pelo Auxerre, Bordeaux, Montpellier ou o Nîmes. Em todos deixou o selo da sua imensa classe e da sua irreverência. E foi ainda a França que conheceu a primeira tentativa do craque de abandonar o futebol, mas, entre psicanalistas, Platini e outros convenceram-no a mudar de ares. Inglaterra viu-o chegar. A cidade de Manchester ainda o esperaria, por um curto espaço de tempo.

E teve de começar bem em Inglaterra. Fez provas no Sheffield treinado pelo mítico Trevor Francis. Acontece que demoraram muito a tomar uma decisão e o nosso genious não gostou. Pegou nas malas e arribou no Leeds United. Colaborou na conquista do título e no ano seguinte começou a marcar de três em três. O Manchester United fixou-se no Enfant Terrible e abriu a carteira. Um milhão e duzentas mil libras fizeram o milagre. O Manchester United acabava de contratar o jogador que transformaria a equipa e que a situaria no patamar mais elevado do futebol inglês.

Garra Fonte: Soccerlens.com
Garra do francês
Fonte: Soccerlens.com

Entrou Eric Cantona e o Manchester retomou o sabor de ser campeão. No ano seguinte abusou um pouco mais e ganhou Campeonato e Taça. 1990 começou da melhor maneira e o Manchester recuperou pedestal. Cantona é ídolo mas a sua irreverencia irrascível leva-o de tormenta em tormenta até ao famoso castigo de nove meses, resultado do famoso pontapé acrobático num adepto do West Ham. Regressou e regressou com a áurea do saudoso. Os adeptos do Manchester United desejavam-no.

É escusado dizer que continuou a ganhar títulos. A nível individual foi reconhecido como o melhor jogador do campeonato inglês durante vários anos. Internacionalmente, caiu-lhe o prestigioso prémio Onze de Ouro e, entre os prémios ingleses, entrou na selecção da década 1993-2002 do campeonato inglês. No entanto, o fim da carreira de Cantona batia à porta com apenas trinta anos.

O problema neste caso chamou-se seleção francesa. E o famoso provocador do abandono foi Aimé Jacquet, seleccionador francês, por não o convocar. Acontecia o campeonato mundial disputado em terras francesas e o Bad Boy não tolerou semelhante afronta, estando, além disso, em plena forma e competindo como sempre. Todos os que tinham acesso à sua privacidade tentaram persuadi-lo mas a decisão era firme. O futebol viu partir um génio com um carácter imenso, mas a lenda de Cantona permanece em cada mente que se senta em Old Trafford.

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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