Como já todos nós sabemos, Mário Coluna e Eusébio eram como pai e filho, respetivamente. Isto devido a uma carta que a mãe de Eusébio fez chegar a Mário Coluna aquando da chegada do “miúdo” a Portugal, onde pedia a este que tomasse conta do seu filho, já que ali, como referiu Eusébio, não conheciam ninguém. E foi desta maneira que Coluna “apadrinhou” Eusébio.

Indo por partes, vamos recordar primeiro Mário Esteves Coluna, o “Monstro Sagrado”. Era assim que ele era conhecido. Nascido a 6 de agosto de 1935 na ilha da Inhaca, em Maputo, foi no Desportivo que o luso-moçambicano abraçou o desporto. Passando pelo Basquetebol, onde não foi muito feliz, alcançou grandes feitos no atletismo, tornando-se recordista nacional de salto em altura. Mas onde ele viria a brilhar, era dentro de quatro linhas. Depois de ter sido impedido de jogar pelo Desportivo Lourenço Marques num jogo realizado na África do Sul, o avançado vingou-se dias depois, marcando os sete golos que deram a vitória à sua equipa, despertando também a atenção dos “três grandes” portugueses.

Fonte: UEFA

Já em Portugal, quando Coluna chegou ao Benfica, já existe José Águas na posição de avançado, mas o então treinador do Benfica, Otto Glória, viu no jogador um potencial médio. E foi nessa posição que o “Monstro Sagrado” se tornou num dos melhores jogadores do clube da Luz entre as épocas de 1954/55 e 1969/70, sendo que pelo meio, em 1961/62, foi bicampeão europeu. Pelos encarnados, venceu dez ligas portuguesas, sete Taças de Portugal e cinco Taças de Honra da Associação de Futebol de Lisboa. Na Seleção Nacional, foi 57 vezes internacional A, marcando oito golos, entre 1955 e 1968, sendo em 1996 elegido capitão quando alcançaram o 3º lugar no Campeonato do Mundo de Futebol.

Fora das quatro linhas, Mário Coluna foi, em 1966, agraciado com a Medalha de Prata da Ordem Infante D. Henrique e, além disso, criou uma Academia de Futebol numa vila a sul de Maputo, para formação de jovens moçambicanos, com o apoio financeiro da FIFA. É de realçar ainda que foi também presidente da Federação Moçambicana de futebol (FMF).

E é no meio desta felicidade toda que aparece Eusébio. Nascido a 25 de janeiro de 1942 em Lourenço Marques, Eusébio tornar-se-ia mais tarde, o “Pantera Negra”. Estreou-se no Estádio da Luz a 23 de maio de 1961, num jogo amigável contra o Atlético, em que marcou três dos quatro golos do Benfica. Ficou internacionalmente conhecido na segunda final europeia em 1962, contra o Real Madrid, onde marcou dois golos e deixou em destaque duas das suas melhores características: a velocidade e o remate.

Ainda no mesmo ano, foi considerado pela France Football o segundo melhor jogador do mundo e não foram poucos os convites para ir jogar para o estrangeiro. Em 1964, a Juventus ofereceu a Eusébio 16000 contos, cerca de 54 vezes mais do que ganhava no Benfica (300 contos), sendo que a oferta aumentou quando foi considerado o melhor jogador do mundial em 1966, com nove golos marcados, o que fez com que Portugal alcançasse o 3.º lugar na competição.

No clube das águias, o “Pantera Negra” marcou mais golos do que as partidas que jogou: 473 golos em 440 jogos. Ganhou também no total, uma Copa dos Campeões da Europa, onze Campeonatos Portugueses, cinco Taças de Portugal, três Taças Ribeiro dos Reis e nove Taças de Honra.

Fonte: SL Benfica

Estreou-se na Seleção Nacional a 8 de outubro de 1961, mas foi em 1966 que os adeptos deliraram com Eusébio, num Campeonato do Mundo onde o jogador deu uma prestação fenomenal, deixando para trás equipas como a Coreia do Norte, a Hungria e o Brasil (equipa onde se encontrava o grande Pelé). No total marcou 41 golos em 64 partidas, com a camisola das quinas.

E como recordar é viver, vale sempre a pena relembrar dois grandes nomes do Futebol Português, mais concretamente do Sport Lisboa e Benfica. Certamente serão sempre recordados pelas suas melhores qualidades e pelo que fizeram tanto pelo clube da Luz como pela Seleção Nacional.

Foto de Capa: SL Benfica

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