o passado tambem chuta

Helénio Herrera, como treinador, não sabia só criar uma equipa praticamente do nada; era capaz de ver um jogador e transformá-lo. O caso que mais relevância alcançou chama-se Giacinto Facchetti. HH deitou-lhe o olho, ainda que fosse um atacante. Pegou nele e colocou-o como lateral-esquerdo. Os primeiros jogos foram dubitativos. No entanto, Facchetti teve a sorte de ter um treinador que sabia o que estava a fazer e que disse: “Facchetti será importantíssimo no meu Inter”… O tempo não se fez esperar. Ganhou consistência defensiva e não se esqueceu de como correr toda a linha lateral com velocidade e qualidade de toque de bola. Facchetti transformara-se no primeiro lateral italiano que percorria a linha e num dos melhores laterais do Mundo.

Tornou-se um jogador que cruzou a época gloriosa do Inter de Milão. Não quis outro clube e retirou-se como capitão da equipa. Quando o grande Eusébio ganhou a Bola de Ouro, a Bola de Prata foi parar às mãos de Giacinto Facchetti. Entre escolhas e nomeações ficou situado entre os vinte melhores jogadores do século XX superando, inclusivamente, outro ícone do futebol italiano e mundial, também lateral-esquerdo, Paolo Maldini. Sendo defesa, foi um jogador cheio de recursos e rematador. Rondou os cem golos durante a sua carreira e alcançou, no futebol italiano do fervor do catenaccio, a nada desprezível quantidade de dez golos numa época-campeonato.

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Foi vice-campeão mundial com a sua seleção. Atingiu o avultado – e mais para a época – número de noventa e quatro internacionalizações. Ganhou com a seleção italiana o Campeonato Europeu de 1968. Rubricou todos os títulos como peça importante da década de 60 do Inter de Milão; arrecadou quatro Campeonatos de Itália; uma Taça de Itália; duas Taças Intercontinentais e duas Taças dos Campeões Europeus. Jogou dezoito anos no seu Inter, desde 1960 até 1978. A sua corpulência, a sua técnica e o seu savoir faire permitiram-lhe retirar-se como líbero, tal como o seu herdeiro no futebol italiano e mundial Paolo Maldini. Posteriormente, Facchetti continuou no caminho da surpresa e da inovação.

Com Sandro Mazzola   Fonte: imageshack.us
Com Sandro Mazzola
Fonte: imageshack.us

Enveredou pelo dirigismo. Sem sair do clube da sua vida, foi ocupando e desempenhando com êxito posições importantes na instituição. Finalmente, em 2004, ocuparia a presidência do Inter de Milão. Foi, como é evidente, o primeiro jogador a ocupar este cargo no clube. Tristemente, passados dois anos faleceu atacado por um tremendo cancro do pâncreas. Foi-se uma lenda da época mais gloriosa do Inter. Desapareceu do mundo dos vivos alguém que durante a sua vida foi batendo marcas com elegância. Durante a sua dilatada carreira de futebolista apenas uma vez sentiu a sensação de ser expulso dos relvados. Sendo defesa, este dado diz quase tudo da sua qualidade e capacidade. Não esfolava pernas; jogava e era um mestre na arte do corte. O futebol é um jogo onde também os defesas alcançavam reconhecimento e prémios de prestígio internacional; a sua Bola de Prata, competindo apertadamente com o mito Eusébio, é o exemplo vivo. O futebol não é composto, exclusivamente, por Ronaldos, Messis ou Ribérys…