o passado tambem chuta

Há jogadores que mandam nos clubes ou pelo menos há situações que têm essa aparência. Nos grandes clubes onde habitam craques de outra dimensão dão-se casos de difícil leitura. No Real Madrid essa nuvem pairou sobre a cabeça de muitos capitães: Raúl, Casillas e outros que pertencem a um passado mais longínquo caminharam com esse fardo. Além dos capitães existem os grandes craques que se impõem, dizem as línguas sabichonas e as lendas, sobre a contratação de um ou outro jogador e a forma como deve jogar a equipa. O treinador deve aceitar e sorrir. O Barcelona teve um caso que deixou muitas dúvidas.

O Peru é um País que tem dado excelentes jogadores, tais como Cubillas, Chupitaz e o homem desta história, Hugo Cholo Sotil, que conta que um dia, quando chegou a casa, um dos assistentes lhe comunicou que tinha a visita de gringos. Admirou-se. Então, encontrou-se com o treinador do Barcelona e alguns dirigentes. Eram os gringos. Rinus Michles perguntou-lhe se queria jogar em Espanha; aceitou de imediato sem saber o clube. Era o Barcelona. Era a equipa onde jogava Cruijff, um dos pontos de referência do futebol mundial. Aquela equipa tinha uma boa quantidade de solistas. Tinha um muro no meio-campo chamado Asensi, um arquiteto de nome Marcial, um extremo, Rexach; e estava lá Cruijff.

O Barcelona realizou no campeonato de 1973-74 um futebol delicado. Tinha jogadores de grande toque e tinha o imprevisível saído das botas de Cruijff e também de Sotil. Era um jogador robusto e atarracado. Dono dos dois pés. Veloz e de finta. Resolvia dentro da área e o carinho dos adeptos aproximaram-no do topo daquela equipa. Este Barcelona derrotou o Real Madrid no Santiago Bernabéu por 5-0. O orgulho do Barcelona transformou-se em festa e a receção à equipa foi multitudinária.

No dia do 5-0 ao Real Madrid
No dia do 5-0 ao Real Madrid

Cruijff jogava, mas não tapava. Poderia ser a razão pela qual correram com Cholo Sotil, no entanto, este jogador, quando a equipa defendia, tapava o lado esquerdo; impedia a circulação do defesa-direito. Por isso, sendo Sotil um avançado que se abria para defender e se centrava para atacar, a equipa talvez não tivesse tanta carência, e de facto o Barcelona passeou pelo campeonato. Naquela época só podiam jogar dois estrangeiros. O Barcelona contratou um excelente jogador; no entanto, não era para a posição de Sotil: era para se situar com Asensi e, além de fazer muro, correr por meia-dúzia; contratou o cunhado de Cruijff: Neeskens. Sotil teve que sair da equipa. Começou então a lenda que o colocava na boémia constante.

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Era falso. Deu-se a casualidade de um adepto do Barcelona e admirador de Sotil comprar um Ferrari exatamente igual que se situava, a diário, à porta de uma discoteca. Mas esta lenda não tapava a lenda da verdadeira questão do ostracismo de Sotil: a lenda das necessidades de Cruijff. Os fãs do Barcelona protestaram; indignaram-se. No entanto, nos dois anos restantes em que Sotil permaneceu no Barcelona não era inscrito. Fazia exibições. Abandonou o Barcelona e regressou ao Peru; mas ainda hoje os velhos do lugar recordam o Sotil e mencionam a injustiça. Continua a ser querido.

Fonte: estaticos.sport.es