o passado tambem chuta

Escrever sobre Luís Aragonês não é fácil. Poderia focar a sua vertente como jogador e sem dúvida que não seria um favor, nem estaria como recheio ao lado dos restantes craques sobre quem escrevi. Poderia escrever somente sobre a sua vertente como treinador e não seria um terceiro ao lado de Bella Gutman ou Helénio Herrera. Poderei escrever sobre a personagem e sem dúvida rivalizaria ainda mais com os outros técnicos mencionados. Não é ou foi em vão que o apelidaram de O Sábio de Hotaleza. Luís Aragonês foi em todas as facetas da sua vida profissional único.

Luís começou a praticar futebol em Getafe; começou a jogar na zona que é conhecida como “El más allá”; no grande cinturão proletário de Madrid. O Real Madrid deitou-lhe o olho; chamou-o e incorporou-o. Ainda que pareça o contrário, Luís deixou constância da sua qualidade. Era um centrocampista ofensivo com visão de jogo e tremendamente finalizador. No entanto, o Real Madrid vivia a época de esplendor das cinco Taças de Europa e o Sábio de Hortaleza L era só um jovem; cheio de qualidade, mas jovem. O Real Madrid, tal como hoje, contratava os Kopas; os Puskas; comprava o que lhe apetecia. Então, entre uma de favores ou simpatias entre clubes, Luís encontra a sua casa de amores e ódios; encontra o Atlético de Madrid. Convive com grandes jogadores; joga ao lado de Collar, Ufarte, o português Jorge Mendoça e tantos outros. Metido entre os dois colossos do futebol espanhol consegue ganhar três campeonatos de Espanha, várias Taças e mais alguns troféus com bitola.

Sendo um centrocampista consegue ser máximo goleador do Campeonato Espanhol e um exímio e primoroso lançador de faltas. Ainda a relva sentia as suas botas quando foi chamado para treinar a primeira equipa do Atlético de Madrid. Começou por ganhar a Taça Intercontinental. Luís Aragonês amava o futebol e adorava ser treinador. Treinou clubes de segundo nível e clubes de máximo nível como o Barcelona. Chegou a este clube para apagar um incêndio no clube a todos os níveis. Mesmo assim logrou ganhar uma Taça de Espanha. Ganhou com o clube da sua paixão um campeonato; taças e vários trofeus. Por ganhar até, indo em socorro, ganhou um Campeonato da 2ª Divisão com o Atlético de Madrid.

Com a camisola do Atlético de Madrid Fonte: Estrelladigital.es
Com a camisola do Atlético de Madrid
Fonte: Estrelladigital.es

Mas a sua grande obra estava por escrever. É nomeado selecionador nacional. Começa mal porque havia galos de muito poleiro. Luís Aragonês deixa de convocar a coqueluche do futebol espanhol Raul. Os media não dão trégua. Luís Aragonês muda de jogadores e de filosofia (chama “os bajitos”). Decide que para fazer alguma coisa no contexto internacional tem de esconder a bola. Chama o centrocampista Xavi. Fala com ele frontal e profundamente. A seleção espanhola começa a praticar outro futebol e consegue gerar um ambiente de extrema amizade entre os selecionados. Espanha vai para o Europeu com a corda do enforcado no pescoço do seu selecionador. A seleção fez o que fez e a façanha retumbou pelos quatro cantos de Espanha; Espanha ganhou brilhantemente o Campeonato de Europa de 2008.

Anúncio Publicitário

Mas isto não foi o mais importante da grande obra do Sábio de Hortaleza. Luís deixou uma equipa armada para dez anos e uma filosofia de jogo que se tornou o ponto de referência mundial. Sem Luís a seleção espanhola jamais ganharia tudo o que ganhou. Em 2008 foi considerado o melhor treinador pela IFFHS. Faleceu no dia 1 de Fevereiro de 2014 entre o reconhecimento e admiração de todos. Luís foi um homem que fez e deixou Obra.