Publicidade

O Passado Também Chuta: O Ayúca e o Belenenses

José Luís Montero · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O Belenenses foi grande; o Belenenses é grande. A década dos 50 do século passado foi tempo de vontades, desejos e importância no clube de Belém. Acabou-se a equipa que lograra em 1946 o campeonato nacional com o adeus de Feliciano e Serafim, no entanto, começaram a chegar cracks que fizeram história, tanto no Belenenses como no futebol nacional e internacional.

Chegou o Matateu e mais tarde chegou o seu irmão Vicente. Em Belém morava a ambição. O sonho tinha um nome, chamava-se Campeonato Nacional. No meio deste aglutinar e crescer chegou vindo de Angola nascido em Bengala um extremo de canelas finas; apareceu no panorama nacional Yaúca.

O Belenenses rondou o campeonato. Em 1955 perdeu o campeonato quando o último jogo apurava o apito final. Quatro anos depois em 1959 engasgou devido à arbitragem. Mas, o Belenenses queria ganhar. Vence a Taça de Honra em 1959 quando abre a época e fecha a temporada ao vencer a Taça de Portugal com o Estádio do Jamor cheio até à bandeira e com o azul a predominar nas bancadas.

Yaúca esteve nos dois golos. No primeiro golo, graças a um remate seu que levava veneno e a recarga de Carvalho, foi mortal. Quando veio o segundo golo o ataque de Belém funcionou em pleno. Estevão, um extremo-esquerdo veloz e mortífero, guia a bola e envia-a para a frontal da área; aparece mais uma vez o Yaúca e chuta sem compaixão; o guarda-redes do Sporting encontrou-se com o susto e a bola ressaltou para campo, então, foi a vez de Matateu matar a jogada.

Yaúca é um referência na história do CF Os Belenenses
Fonte: CF Os Belenenses

O Estádio do Jamor viveu, já bem avançada a 2.ª parte, o momento sagrado e expectante em que se coloca canela nos pastéis de Belém. O jogo já não sofreria alterações e Vicente como capitão levantou a Taça de Portugal. O Belenenses alinhou com José Pereira. Rosendo e Moreira; Rosendo, Pires e Castro. Yaúca, Carvalho, Tonho, Matateu e Estevão. Este onze histórico que ficara em 3.º lugar no campeonato à frente do FC do Porto, era treinado pelo brasileiro Otto Glória.

Yaúca era um jogador que avançava pela direita com qualidade de finta e velocidade. No entanto, também vinha para dentro e a posição de apoio ao avançado-centro também lhe era grata e como rematador era eficaz. Foi um extremo que marcou muitos golos. Foi internacional. Não era fácil ser internacional naqueles tempos. Além do universal José Augusto, o FC do Porto também tinha um excelente extremo-direito: Carlos Duarte.

Mas, para este remanso final desta crónica – que é uma homenagem ao Belenenses na figura do Yaúca nestas horas tristes- deixei propositadamente a menção de um feito que foi considerado na altura o acontecimento mais relevante da seleção portuguesa.

Portugal derrotou o Brasil de Pelé e foi a primeira vitória de Portugal sobre o Brasil. Foi a 21 de Abril de 1963. Essa equipa tinha na sua formação dois cracks que pertenciam ao Belenenses: Vicente e Yaúca. Os jornais abriram no dia seguinte com o nome do Vicente em relevo. Secara completamente o Rei Pelé. Yaúca, como habitual, colaborou no golo. A jogada e o centro foram da sua autoria e o golo do José Augusto.

A carreira do Yaúca continuou no Benfica porque o Belenenses passava por dificuldades financeiras. Os simpatizantes do clube ficaram muito tristes e zangados. O trajeto no clube da Luz foi pobre. Depois rumou para o Salgueiros e acabou a carreira quando a década dos 60 findou.

Foto de Capa: CF Os Belenenses

Artigo Revisto por: Ana Ferreira

José Luís Montero

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.