O Belenenses foi grande; o Belenenses é grande. A década dos 50 do século passado foi tempo de vontades, desejos e importância no clube de Belém. Acabou-se a equipa que lograra em 1946 o campeonato nacional com o adeus de Feliciano e Serafim, no entanto, começaram a chegar cracks que fizeram história, tanto no Belenenses como no futebol nacional e internacional.

Chegou o Matateu e mais tarde chegou o seu irmão Vicente. Em Belém morava a ambição. O sonho tinha um nome, chamava-se Campeonato Nacional. No meio deste aglutinar e crescer chegou vindo de Angola nascido em Bengala um extremo de canelas finas; apareceu no panorama nacional Yaúca.

O Belenenses rondou o campeonato. Em 1955 perdeu o campeonato quando o último jogo apurava o apito final. Quatro anos depois em 1959 engasgou devido à arbitragem. Mas, o Belenenses queria ganhar. Vence a Taça de Honra em 1959 quando abre a época e fecha a temporada ao vencer a Taça de Portugal com o Estádio do Jamor cheio até à bandeira e com o azul a predominar nas bancadas.

Yaúca esteve nos dois golos. No primeiro golo, graças a um remate seu que levava veneno e a recarga de Carvalho, foi mortal. Quando veio o segundo golo o ataque de Belém funcionou em pleno. Estevão, um extremo-esquerdo veloz e mortífero, guia a bola e envia-a para a frontal da área; aparece mais uma vez o Yaúca e chuta sem compaixão; o guarda-redes do Sporting encontrou-se com o susto e a bola ressaltou para campo, então, foi a vez de Matateu matar a jogada.

Yaúca é um referência na história do CF Os Belenenses
Fonte: CF Os Belenenses

O Estádio do Jamor viveu, já bem avançada a 2.ª parte, o momento sagrado e expectante em que se coloca canela nos pastéis de Belém. O jogo já não sofreria alterações e Vicente como capitão levantou a Taça de Portugal. O Belenenses alinhou com José Pereira. Rosendo e Moreira; Rosendo, Pires e Castro. Yaúca, Carvalho, Tonho, Matateu e Estevão. Este onze histórico que ficara em 3.º lugar no campeonato à frente do FC do Porto, era treinado pelo brasileiro Otto Glória.

Yaúca era um jogador que avançava pela direita com qualidade de finta e velocidade. No entanto, também vinha para dentro e a posição de apoio ao avançado-centro também lhe era grata e como rematador era eficaz. Foi um extremo que marcou muitos golos. Foi internacional. Não era fácil ser internacional naqueles tempos. Além do universal José Augusto, o FC do Porto também tinha um excelente extremo-direito: Carlos Duarte.

Mas, para este remanso final desta crónica – que é uma homenagem ao Belenenses na figura do Yaúca nestas horas tristes- deixei propositadamente a menção de um feito que foi considerado na altura o acontecimento mais relevante da seleção portuguesa.

Portugal derrotou o Brasil de Pelé e foi a primeira vitória de Portugal sobre o Brasil. Foi a 21 de Abril de 1963. Essa equipa tinha na sua formação dois cracks que pertenciam ao Belenenses: Vicente e Yaúca. Os jornais abriram no dia seguinte com o nome do Vicente em relevo. Secara completamente o Rei Pelé. Yaúca, como habitual, colaborou no golo. A jogada e o centro foram da sua autoria e o golo do José Augusto.

A carreira do Yaúca continuou no Benfica porque o Belenenses passava por dificuldades financeiras. Os simpatizantes do clube ficaram muito tristes e zangados. O trajeto no clube da Luz foi pobre. Depois rumou para o Salgueiros e acabou a carreira quando a década dos 60 findou.

Foto de Capa: CF Os Belenenses

Artigo Revisto por: Ana Ferreira

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