Recentemente, fez 21 anos que o SL Benfica e o futebol mundial despediram-se de uma das lendas das balizas mundiais: Michel Preud’homme. Tudo indicava que o seu sucessor seria o argentino Carlos Bossio, que substituiu o belga no jogo da sua despedida contra o Bayern Munique. No entanto, um então jovem e desconhecido guarda-redes alemão entrou na luta e superou as expectativas depositadas nele: Robert Enke.

Tinha na época 22 anos e fora contratado ao recém-despromovido Borussia Monchengladbach, tornando-se então no primeiro alemão a vestir a camisola do Benfica. As previsões apontavam que este seria o terceiro guarda-redes da equipa, atrás do argentino Bossio e do português Nuno Santos.

No entanto, o jovem guarda-redes alemão foi contra todas as previsões, assumindo a titularidade da baliza encarnada logo na primeira jornada, num empate a uma bola no reduto do Rio Ave FC.

Numa época em que o Benfica atravessava uma grave crise de identidade e havia poucas referências no plantel, Robert Enke tornou-se num dos jogadores mais consistentes dos encarnados e não demorou muito tempo a conquistar o coração dos adeptos benfiquistas.

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Saltou para a ribalta num jogo que ainda hoje está guardado nas minhas memórias, quando numa eliminatória da Taça UEFA contra o PAOK, que seria decidido no desempate por grandes penalidades, o guardião germânico sobressaiu, defendendo três remates da marca dos 11 metros.

Robert Enke não se afirmou em Barcelona
Fonte: FC Barcelona

Robert Enke tornou-se num dos ídolos dos adeptos encarnados no período mais turbulento da história do Benfica. Não conquistou qualquer título, viveu ao vivo e a cores a pior época da história do clube, trabalhou com quatro treinadores diferentes em três épocas no Benfica e já na recta final da sua última época de águia ao peito, viria a perder espaço para outro jovem promissor guarda-redes: Moreira.

Fora das quatro linhas, Robert Enke era um homem simples e tímido, mas com valores e deveres cívicos e sociais. Robert Enke tinha uma grande paixão pelos cães, tendo participado em campanhas da PETA, e costumava levar cães abandonados para casa para tratar deles e procurar novos donos.

Depois de sair do Benfica, a sua casa em Lisboa serviu como lar para os cães que não tiveram novos donos. Um dos seus projectos para depois de pendurar as luvas era abrir um canil em Portugal.

A doença silenciosa que sofreu abalou fortemente a sua confiança e impediu-o de confirmar o potencial que tinha. Só depois de regressar ao seu país, mais precisamente a Hannover, é que recuperou a confiança e a alegria de jogar, ainda que de forma momentânea.

No entanto, nem mesmo o facto de ter relançado a carreira e de tornar-se guarda-redes da selecção alemã o fez superiorizar-se à depressão e, com apenas 32 anos, decidiu colocar um ponto final na própria vida de uma forma trágica e chocante.

A depressão matou um homem na flor da idade. Um homem que para além das qualidades futebolísticas, destacava-se pelas qualidades humanas e por lutar por várias causas sociais. E será por esses valores que será sempre recordado.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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