O Passado Também Chuta: José Maria

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Estou a iniciar uma crónica muito séria. Falarei do José Maria. Escreverei sobre o irmão do Conceição. Contarei coisas sobre o colega do Pedras; do Jacinto João; do Guerreiro; do Arcanjo; do Herculano; do Carriço, do Mourinho, do Vital, falarei do Vitória de Setúbal da época de ouro do futebol português: a década dos 60-70 do século passado. Hoje seria campeão se os lobos do futebol europeu não lhe levassem a equipa inteira da noite para a manhã. É uma década irrepetível. O futebol português conquistou títulos internacionais e esteve presente em finais. Em 1966 deslumbrou no Campeonato de Inglaterra. E pelo País fora contemplavam-se grandes jogos e grandes jogadores para além dos clássicos grandes.

Jamais se repetiu este cenário grandioso, nem esta quantidade ingente de cracks. A década dos 60 começara bem, muito bem e prometendo um futuro risonho. A seleção de juniores ganhou o campeonato europeu. Figuravam jogadores como o Carriço, Simões, Oliveira Duarte, Serafim, Rui, Peres….

Foram uns juniores que cortavam a respiração. Das antíguas colónias não deixavam de chegar cracks. Vindo do Brasil, algum se tornou alma e corpo do Sporting campeão da Taça das Taças; falo de Osvaldo Silva. A Portugal, para além da prata da casa, chegaram excelentes treinadores. O campeonato português refletia excelência. Para este meio e para este campeonato chegou a Setúbal o que seria o jogador mais emblemático do clube. Bateu record de golos, anos e jogos. Era temido e jogou entre grandes jogadores; chamava-se José Maria.

Era um interior ofensivo. Tinha grande capacidade física; habilidade e dono de uma técnica soberba. Finalizava como os melhores e contra os grandes era como eles. A prova está que ainda hoje é o melhor goleador do Vitória de Setúbal em jogos europeus. Contabilizou treze golos por essa Europa fora.

José Maria e o irmão Conceição
Fonte: Vitória FC

Venceu duas Taças de Portugal e esteve em outras grandes classificações do Vitória de Setúbal. O Campo ficou pequeno e ultrapassado; a cidade do Sado viu aparecer um estádio novo. Bem sei que nos tempos que correm nenhum destes cracks duraria em Portugal uma colheita, no entanto, colocando-me no campo do condicional afirmo que nos tempos que correm este Vitória seria campeão indiscutível em Portugal. E continuando no campo do “se” direi que esta equipa teria muito melhor prestação em Europa que as equipas portuguesas atuais.

José Maria era irmão de outro grande crack do Vitória de Setúbal. Conceição foi um grande defesa-direito internacional como o seu irmão no tempo em que em Portugal nessa posição jogavam: Cavém, Augusto Silva ou Malta da Silva; Lino, Pedro Gomes ou Moraes; e o grande Festas.

Chegaram estes dois irmãos de Angola. José Maria chegou em 1962 procedente do Clube Atlético de Luanda. Chegou e beijou o santo durante catorze épocas. Irrepetível; nenhum jogador perdurou tantos anos no Vitória de Setúbal. Marcou noventa e três golos nos campeonatos nacionais que disputou. José Maria, hoje, é saudade e lenda do melhor Setúbal de sempre e da década mais prodigiosa do futebol português.

Foto de Capa: Vitória FC

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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