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Olheiro BnR | Marvin Nasnas

Pedro Cantoneiro · 4 min

Marvin Nasnas com a camisola do FC Copenhaga
Foto: FC Copenhaga

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Nasnas é bom a adaptar-se a hierarquias, o que é bastante positivo quando, enquanto jogador jovem, tem que fazer o teu próprio trajecto

Depois de revelar Victor Froholdt ao mundo, para grande benefício de portugueses, o Copenhaga não desperdiça tempo em revelar o mais recente produto topo de gama da sua prolífica fábrica. Marvin Nasnas, nascido nos últimos dias de 2009 (faz 17 anos a 18 de Dezembro), é também ele um médio-centro superlativo nos índices físicos que impõe e na inteligência com que compreende o jogo.  

Com toda a formação feita no principal clube de Copenhaga, Marvin Nasnas emergiu pela hierarquia do futebol dinamarquês como um foguete. Em dois anos, estreou-se e cumpriu 25 internacionalizações pelos escalões jovens da selecção, entre sub16 e sub18, destacando-se sobretudo no Europeu sub17 no qual a Dinamarca competiu e impôs sérias dificuldades tanto a França como a Itália.

Antes disso, já tinha sido, aos 15 anos, totalista do Copenhaga na Youth League, numa edição na qual os dinamarqueses não se qualificaram por um golo (mesmos sete pontos do Marselha) e registaram vitórias significativas, como o 2-3 em casa do Tottenham. Nasnas assumiu-se naturalmente como líder técnico e quem o viu estrear-se nos séniores, na primeira ronda de qualifacação desta edição da Liga Conferência, frente aos ucranianos do Polissya, não estranhou o porquê do miúdo ser o quarto mais novo de sempre a estrear-se nos Leões dinamarqueses (16 anos e sete meses, o recordista Rony Bardghji tinha 16 anos e seis dias).

«Estamos todos cientes de que é um grande talento e então é nosso papel ajudá-lo a desenvolver esse mesmo talento. Podemos todos ver claramente que é um jogador diferenciado. Para muitos que sobem à primeira equipa, é tudo demasiado rápido ao início – para ele não é bem assim» diz Andreas Cornelius, o experiente goleador com passagens por Atalanta, Parma e Bordéus. Um dos líderes do balneário, reconhece no miúdo a destreza que transformam dificuldade em aparente simplicidade. É, junto a Delaney (sim, o ex-Werder Bremen, Sevilha e Borussia Dortmund), dos que tentam manter os índices de disciplina e competitividade num Copenhaga que acabou de passar pelo ponto mais baixo da sua história a nível interno: a obrigatoriedade de jogar a fase de manutenção fruto do 7.º lugar na fase regular 2025-26, a pior classificação de sempre.

Após o título de 2024-25, acreditaram os responsáveis que, ao deixar sair duma assentada, além de Froholdt, gente experiente como Lerager, Falk ou Boilesen, este pendurando as botas, o sucesso seria facilmente replicável. A fábrica é prolífica, mas revelou-se jogada demasiado precipitada – mas o vácuo qualitativo, compasso de espera para os talentos maturarem, permitiu a ascensão vertiginosa de Nasnas.

«A sua curva de aprendizagem é bastante acentuada, bastante íngreme, e está num nível diferente em termos de compreensão do jogo. Tem sempre percepção de onde os colegas e adversários estão no campo. Como ele lê o jogo a todo o momento, quão rápido decide, são aspectos que não se vêm todos os dias, e é por isso que ele se consegue adaptar ainda que fique para trás em termos físicos» é assim que o descreve o Morten Corlin, o seleccionador sub-17.

Se pedirmos a Sune Holmgren, treinador dos juniores do Copenhaga, para nos descrever o prodígio, o tom elogioso surge ainda com mais impetuosidade, salientando até a personalidade especial. «Nasnas é bom a adaptar-se a hierarquias, o que é bastante positivo quando tu, enquanto jogador jovem, tens que fazer o teu próprio trajecto e provar a tua qualidade num ambiente de equipa sénior. Ele tem muito aquela abordagem de “não sou uma estrela até o provar realmente” – além da ambição e ‘apetite’, se tiveres essa determinação, é meio caminho andado. É por isso mesmo que colocamos tantas expectativas nele».[1]

Marvin é alto (183 centímetros, por enquanto) mas revela alto teor técnico em acções com bola, permitindo-o isso funcionar tanto como recuperador mais recuado como principal construtor, nunca se coibindo de integrar acções de ataque ou surgir como número ‘10’. Sendo ainda muito cedo para se proceder a uma definitiva fixação posicional, é provável que Nasnas se destaque como médio rotativo com maior liberdade de movimentos.

No 4-2-3-1 que Bo Svensson tem habitualmente implementado, exige-se ao duplo-pivot grande amplitude de movimentos, num futebol de tracção à frente e de constante procura da baliza adversária. Talvez por toda essa responsabilidade sobre os dois homens da intermediária (que variam entre Delaney, William Clem e Alex Král), Svensson tenha feito Nasnas entrar, no jogo em que lhe deu mais minutos (5-1 frente ao Debrecen), para uma das três posições atrás do ponta de-lança. Com meia-hora para mostrar o que valia, o miúdo conseguiu uma assistência.

A prudência aconselha a que o futuro seja encarado com leveza, um dia de cada vez. Mas, com os recentes desenvolvimentos de mercado, talvez seja necessário a Marvin Nasnas arregaçar as mangas e fazer valer do seu talento para se consolidar como preponderante na primeira equipa. Se se confirmar a contratação de Clem por parte do Celtic (peça importante, com 117 presenças nas últimas quatro épocas), abre-se espaço para o prodígio na sua posição mais natural.

Como na história de Hans Christian Andersen, a falta de metal deixará o conjunto sem uma perna – levando, ao mesmo tempo, à criação do mais resiliente soldadinho.


[1] Traduções livres das citações retiradas de: https://sport.tv2.dk/fodbold/2026-08-10-man-skal-have-daarlige-oejne-hvis-man-ikke-kan-se-at-der-er-gang-i-noget-her

Pedro Cantoneiro

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